16 de Janeiro de 2008

Laptop educacional: Positivo e Governo Federal se encaminham a embate

O presidente da Positivo Informática, Hélio Rotenberg, dá uma risada e admite: "Pegamos uma época difícil, né? Tínhamos a discussão da CPMF - não havia nenhum assessor da presidência que não falasse sobre o assunto - e ainda teve o recesso de final do ano.

A licitação para laptops educacionais promovida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) está há quase um mês (a se completar no sábado, dia 19) parado e, segundo Rotenberg, não há prazo dado pelo governo para recomeçar.

Independente de quando voltar, a licitação se encaminha para uma situação que coloca a promessa da Assessoria Especial da Presidência de equipar colégios públicos em sério perigo.

A palavra é de Rotenberg: segundo as regras atuais, a Positivo Informática não baixa além dos 300 dólares por máquina, o que resultaria em gastos totais de 45 milhões de dólares.

A Assessoria Especial já falou que pretende gastar, no máximo, 30 milhões de dólares - o preço da Positivo é 50% maior que isto.

Rotenberg rebate dizendo que o que pesa no custo é são os serviços integrados, não apenas o hardware - se fosse só pelo portátil, era XO, da OLPC, fácil na cabeça.

Como toda negociação, os dois lados fazem suas promessas e vivem num ambiente de tensão em que nem Positivo nem Governo Federal mantêm as promessas de não baixarem ou gastar mais, respectivamente, no processo.

Caso ninguém abra mão de algo, os notebooks educacionais não chegarão a tempo para o início do ano letivo, o que, por mais trágico que seja par as crianças, não é uma notícia ruim para OLPC e CCE.

Independente do resultado, é preciso concordar com argumentos apresentados pela Positivo para rebater as infundadas conclusões de grande parte da imprensa brasileira sobre o fato do "laptop de US$ 100" ter se transformado num portátil de 654 reais. Bah, grande bobagem.

Primeiro, nem a OLPC conseguiu atingir US$ 100 nem a Pixel Qi os US$ 75 prometidos recentemente. Segundo, este não é o valor que sairá dos cofres brasileiros - haverá negociação. Terceiro, alardear um "laptop de 100 dólares" é um passinho ao simplismo de imaginar que só o notebook é suficiente. Não é.

Se compensa gastar tanto pra isto, a história é outra.

Publicado por Guilherme Felitti, às 17h00