Entrevista: Greenpeace traça caminho do lixo eletrônico para África e Ásia
Por Guilherme Felitti, editor assistente do IDG Now!
Publicada em 05 de junho de 2009 às 07h00
Atualizada em 05 de junho de 2009 às 09h27
São Paulo – Líder para lixo eletrônico do Greenpeace, Zeina Al Hajj detalha o descarte internacional e dá dicas para compras mais verdes.
Já se perguntou para onde seu monitor com defeito, seu celular ultrapassado ou seu videogame trocado por um mais moderno vão parar assim que a evolução tecnológica lhe convence que um produto novo é necessário?
No Dia Mundial do Meio Ambiente, o IDG Now! conversa com a líder internacional da campanha de eletrônicos tóxicos do Greenpeace, Zeina Al Hajj, sobre o intrincado caminho que o lixo eletrônico faz dos países desenvolvidos - Estados Unidos, principalmente - para os subdesenvolvidos, como China, Índia e nações na África.
A falta de estratégias centralizadas de reciclagem resulta em contêineres enviados ilegalmente, onde monitores, placas-mãe e outros gadgets são desmontados e queimados sem qualquer proteção por habitantes dos países pobres.
A complexa estrutura de descarte internacional, classificada como “máfia” por Zeina, justifica ainda mais um cuidado maior por parte de fabricantes para a retirada completa de compostos como chumbo, cádmio, mercúrio, polivinis (PVC) e retardantes de chama bromado (BFR), com características cancerígenas, do processo de fabricação.
Para pressionar o setor, o Greenpeace criou um ranking das empresas mais verdes, que, em sua 11ª edição, destaca tanto a liderança histórica da finlandesa Nokia como a melhora a olhos vistos da Apple, usada como parâmetro pelo grupo para que fabricantes de computadores como HP e Dell, por exemplo, cumpram prazos assumidos para eliminar compostos tóxicos de seus equipamentos.
Enquanto laptops, celulares, videogames e monitores tiverem produtos químicos tóxicos, Zeina alerta, não são apenas os menos favorecidos que correm riscos: medições do Greenpeace detectaram altos níveis de substâncias perigosas para os consumidores em casa, vindos principalmente de equipamentos eletrônicos.
Nessa entrevista, Zeina ainda enaltece a recuperação da Apple, detalha estratégias usadas para disfarçar o descarte de lixo eletrônico e prega que governos devem se responsabilizar também pela reciclagem.
O Greenpeace já fez 11 versões do ranking classificando as empresas com as melhores políticas ambientais. Nesse tempo, quais companhias evoluíram mais e quais não fizeram nada?
A que não apresentou qualquer tipo de evolução é fácil, a Nintendo. Não é que eles não liguem (para o Greenpeace), mas é uma mentalidade japonesa que torna muito difícil entender as mudanças propostas e assumidas por outras empresas.
Se você olhar para os produtos da Nintendo, como o console Wii, eles não são piores que outros disponíveis no mercado, como os da Sony ou da Microsoft. Ao contrário: em eficiência energética, o Wii é muito melhor que ambos. Na composição química, todos têm o mesmo nível tóxico nos produtos.
O problema da Nintendo está em possuir uma política ambiental – eles simplesmente não têm, não tornam pública, não compartilham. Há apenas uma página no relatório financeiro anual que diz que a Nintendo apóia e promove a reciclagem em seus escritórios. O que fazer com seu Wii se você não quiser jogar mais? A Nintendo não responde corretamente.
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