Quando você poderá fazer impressão de produtos 3D em casa?

(http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2008/03/14/impressoras-3d-quando-voce-podera-imprimir-produtos-em-casa)
Por Computerworld/EUA
Publicada em 14 de março de 2008 às 17h00
Atualizada em 09 de abril de 2008 às 12h51

Framingham - Imagine transformar bonecos e acessórios que você vê na internet em objetos concretos sem sair de casa. Isso poderá acontecer.

impressao_3D_88Comandando uma start-up depois de deixar seu cargo de chefe do Microsoft Games Studios, Ed Fries achou que poderia vender, em um ano, dez mil unidades do seu produto: bonecos de jogos online personalizados.

Em dois meses, cerca de 100 mil pessoas já haviam feito seu pedido e Fries teve que instituir um sorteio para determinar quais clientes seriam atendidos.

À frente da sua start-up, a FigurePrints, Fries está usando um processo chamado de impressão 3D, que usa máquinas parecidas com impressoras normais para criar modelos, peças e protótipos. A tecnologia existe há algum tempo, mas só agora está se tornando acessível ao público e talvez até seja vendida em breve em lojas comuns, segundo alguns analistas.

A FigurePrints.com faz bonecos em escala de 1/8 de personagens de ação desenvolvidos por jogadores do "World of Warcraft". O cliente escolhe uma pose e um pedestal para o boneco, que custa 99,95 dólares mais 14,95 dólares pelo serviço de entrega.

Confira outros destaques:

> 27 teclados curiosos
> Conheça relógios high tech
> Despertadores cheios de tecnologia
> MP3 players bem diferentes
> Veja câmeras digitais bizarras
> Desmontamos o MacBook Air; veja

Com quatro máquinas da Z.Corp. funcionando sem parar, Fries consegue produzir 48 modelos por dia. Os 100 mil bonecos iniciais não foram suficientes para a demanda de dez milhões de assinantes do MMORPG.

Como isso funciona?
Impressão em 3D é parte de um mercado chamado de protótipos rápidos (RP, da sigla em inglês) ou fabricação aditiva. “Arquivos no formato CAD são convertidos em finas fatias que então são montadas uma sobre a outra por diversos processos, que incluem materiais como pó aquecido, filamentos de plástico e resinas moldadas cuidadosamente por laser”, explicou Terry Wohlers, chefe da Wohlers Associates, empresa de consultoria na tecnologia.

A novidade é praticamente o oposto a pegar um pequeno boneco e fatiá-lo em múltiplos pedaços. Uma impressora 3D imprime a primeira camada do modelo usando, por exemplo, uma substância semelhante ao plástico. Depois, imprime a próxima camada sobre aquela e assim por diante. Durante o processo, todas as camadas são unidas para se obter um boneco sólido feito a partir do arquivo CAD.

A experiência de Fries pode ser um presságio sobre tecnologias futuras que poderão afetar pilares da economia atuante hoje em dia na fabricação e distribuição de produtos.

Hoje, a informação é obtida online e pode ser reproduzida com impressoras a laser ou a jato de tinta. No futuro, muitos outros modelos de objetos 3D estarão disponíveis online e os usuários poderão cria-los usando impressoras 3D, reinventando o comércio.

E isso é eficiente?
Quanto à exatidão de modelos impressos, o RP não é tão eficiente quanto moldes de plástico injetáveis, explicou o consultor de RP Todd Grimm, presidente da T. A. Grimm & Associates.

“Mas eles podem ser uma opção melhor do que investir em moldagem e fundição, o que costuma ser feito para fabricar itens como apoios de bola de golfe e outras peças de metal que passarão ainda por acabamento final”, diz.  “A imprecisão de uma máquina de RP costuma ser de 0,1% a 0,2%”, estima John Kawola, vice-presidente da Z Corp..

Em impressoras 3D, a imprecisão dificilmente é menor que 0.5%. “A impressão 3D provavelmente satisfaz cerca de 70% a 90% do que as pessoas esperam de um protótipo”, disse Kawola. Segundo ele, vendas de impressoras 3D têm crescido entre 30% e 40% nos últimos anos e hoje respondem por 80% do mercado de RP.

“Essa tecnologia aumenta a velocidade do processo de design”, estima o gerente do laboratório da The Stanley Works, William Effrece, usuário desse tipo de impressão.

“Antes, fazer um protótipo era uma etapa apenas do final do processo de desenvolvimento, custava mais de três mil dólares e era necessário esperar duas ou três semanas para que ele ficasse pronto. Agora, isso pode ser feito em um dia e a única despesa é o custo dos materiais. Nossa máquina se pagou em três meses”, detalha ele, usuário de uma impressora 3D da Z Corp..

Faça seus próprios brinquedos
Clientes da FigurePrints não ficariam mais felizes se pudessem imprimir seus bonecos em casa? Uma empresa que pretende alimentar essa demanda é a Desktop Factory, que deve lançar um sistema até o final do ano.

Cathy Lewis, CEO da Desktop Factory, espera que esse tipo de sistema “se torne popular em escolas e que ele promova a formação de novos engenheiros.”

“O que se espera a longo prazo é que isso seja feito em casa mesmo”, disse Lewis. “Você poderá criar e personalizar produtos. Em vez de importar milhões de produtos da China e transportá-los até as lojas, você apenas fará o download de um arquivo, pagará uma taxa e poderá imprimi-lo”.

Lewis disse que gostaria de ver mais softwares para essa tecnologia. Ela e outros especialistas nessa área citam o SketchUp 3D, do Google, disponível para download gratuito, como exemplo do tipo de programa em falta no mercado.

Futuro duvidoso
Grimm, da T.A Grimm & Associates, entretanto, não acredita que exista um mercado maduro de RP: “Não acho que em breve as pessoas poderão imprimir em casa tudo o que quiserem. A tecnologia não está pronta para isso, em termos de facilidade e qualidade do material. Os consumidores não se interessarão por produtos de baixa qualidade.”

“Do ponto de vista do hardware, acho que os preços devem chegar a um ponto em que essas impressoras serão acessíveis para se ter em casa”, disse Jon Cobb, vice-presidente de impressoras 3D da Stratasys. “O impedimento real será o software. Como você conseguirá a informação necessária para fabricar um modelo?”, questiona.

A empresa que se denomina a maior fornecedora online de modelos em 3D é a Turbo Squid. Michele Bousquet, diretora de marketing da TS, disse que há pouca demanda para arquivos 3D. Segundo ela, grande parte do estoque de arquivos é usada para renderização na tela, em projetos de animação ou por arquitetos que precisam de mobília virtual.

Busquet ressalta o fato de que impressões 3D envolvem detalhes que normalmente não são considerados para renderização, como a verificação de que não existam polígonos sobrepostos e de que todas as faces estejam conectadas. 

Na FigurePrints.com, Fries exige que todo arquivo de boneco seja analisado antes de ser mandado para impressão para que se obtenha um bom resultado.

Fries acredita que haverá um mercado significativo para impressão em 3D: “Quando se tem filhos, todos os dias um monte de plástico novo aparece; seria mais fácil se pudéssemos baixar isso da internet. Mas, por enquanto, estamos procurando uma forma de ampliar a produção”, ele conclui.


Lamont Wood, editor do Computerwold, de Framingham.