Demonstração de sistema de controle de game pelo pensamento falha
São Francisco - Emotiv Systems não consegue demonstrar sistema a jornalistas por problemas técnicos, mas convida platéia a testar pessoalmente.
A Emotiv Systems realizou uma coletiva de imprensa nesta semana, em São Francisco, para demonstrar os avanços no seu sistema de jogo futurista, que permite aos usuários controlar objetos na tela apenas com o pensamento.
Quando funciona, pode ser bastante impressionante. O sistema é baseado em um "neuroheadset", que traz dúzias de sensores que lêem pequenos impulsos elétricos e interceptam pensamentos como “para cima”, “para baixo” e “girar” e os traduzem em comandos na tela.
Na tarde da terça-feira (19/02), as luzes se apagaram no auditório Sony Metreon lotado e por alguns momentos tudo deu certo.
Um funcionário colocou o headset e fez expressões faciais - sorrisos, piscadas - que foram refletidas na face de um robô animado na tela. O funcionário rodou um cubo tridimensional na tela e depois o moveu para frente.
Então ele tentou fazê-lo desaparecer. E tentou de novo. A audiência se ajeitava nas cadeiras, desconfortável. “Você pode fazê-lo desaparecer?”, perguntou o CEO Nam Do, esperançoso. Alguém na platéia tossiu. “Devemos seguir em frente?”, perguntou Do. “Acho que vamos passar para a próxima”. Então o cubo desapareceu. O auditório explodiu em aplausos - talvez de entusiasmo, ou talvez de alívio.
Em seguida, foi feita uma demonstração de um game de verdade. Foi aí que a coisa desandou de vez. Antes de iniciar a demonstração, o desenvolvedor Zachary Drake zombou de um controle sem fio. “Isto é algo incrível”, disse ele, segurando o controle, “e faz algumas coisas muito bem... mas levantar um objeto com a mente deixa isso pra trás”.
Poucos momentos depois, o “neuroheasdset” não funcionou e Drake teve que recorrer ao controle - que na verdade faz parte do “pacote” do jogo da Emotiv - que havia menosprezado pouco antes para navegar pelo jogo. No entanto, mesmo o controle falhou.
“Por favor, desliguem qualquer transmissor sem fio que estejam usando porque neste momento não estamos conseguindo sequer fazer o controle sem fio funcionar”, pediu Do. Mas era tarde demais. “Bem vindos ao inferno da demonstração”, disse Drake.
Mais tarde, os executivos explicaram que a falha ocorreu por conta do sistema audiovisual sem fio usado para iluminação e som do evento, que operava na mesma freqüência do sistema de jogo.
O sistema da Emotiv não lê os pensamentos de verdade. Ele verifica padrões de impulsos elétricos gerados pelas várias partes do cérebro e busca correspondências entre os padrões que aprendeu. Ele também pode decifrar o humor da pessoa, ajustando a dificuldade do jogo quando o usuário fica frustrado.
O sistema chegará às lojas a tempo das compras de final de ano, por 299 dólares, segundo Do. Segundo a empresa, ele vai funcionar com todos os jogos de PCs e plataformas de console.
Além do “neuroheadset", a Emotiv lançou um kit de desenvolvimento de software para criar aplicações usando a tecnologia. Um dos exemplos de uso do sistema poderia ser expressar emoções em uma conversa por mensagem instantânea sem a necessidade de “emoticons”, disse Do.
“Vocês devem vir testar durante a Game Developers Conference", disse ele. “Vocês vão ver que funciona e que não estamos mentindo”.
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