Professor do IME critica projeto pedagógico do laptop de US$ 100
Por Redação do IDG Now!*
Publicada em 11 de julho de 2007 às 09h24
“Como ainda não tem força suficiente, a criança não só não anda direito como também pode desenvolver problemas futuros na formação dos músculos. Por que acelerar um processo que ocorrerá naturalmente? Da mesma forma, permitir o uso livre de computadores por crianças pode ser considerado um ‘andador mental’ que força a criança a pensar de uma maneira que ela ainda não está preparada”, disse.
Acesso em momentos distintos
Fredric Michael Litto, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e coordenador científico da Escola do Futuro da USP, ouviu da platéia as longas críticas de Setzer e, na seqüência, fez questão de participar do debate.
Para ele, os computadores devem ser acessados “a partir do momento em que a criança consiga alcançar o teclado”. “Assim como as crianças são diferentes, têm impressões digitais, timbres de voz e organização dos neurônios diferentes, cada uma deve começar a interagir com computadores em momentos distintos”, defendeu.
Os computadores de 100 dólares, segundo Litto, independentemente de qual modelo seja adotado no Brasil, certamente chegarão com mais abundância nas mãos das crianças. “Mas, realmente, o One Laptop Per Child prioriza o hardware e é carente de um plano pedagógico de treinamento de professores e alunos para utilização das máquinas. Esse é um ponto fraco que realmente nos preocupa nesse tipo de projeto”, disse Litto à Agência Fapesp.
Cerca de 25% das escolas públicas no Brasil e perto de 60% das particulares contam com computadores, segundo Litto. “Embora tenhamos argumentos suficientes para criticar os projetos de máquinas de 100 dólares, espero que essa iniciativa seja implementada no Brasil acompanhada de critérios para a avaliação de sua eficácia. Mas o importante é não termos expectativas excessivas”, apontou.
Litto lembrou dos 5 bilhões de reais disponíveis no Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), mantido pela indústria de telecomunicações, que, por lei, tem que destinar uma porcentagem de seus lucros para o fundo, cujos recursos deverão servir para equipar escolas com computadores e desenvolver softwares pedagógicos.
“O dinheiro do Fust ainda precisa de liberação e deverá ser usado para democratizar o acesso às telecomunicações no Brasil. Se o presidente da República estiver mesmo disposto a colocar mais computadores nas escolas, conforme o prometido, esse dinheiro é a melhor forma de fazer isso. O Fust deve ser usado também para capacitar professores e para criar medidas de incentivo para a indústria nacional, que poderia começar a produzir computadores em grande escala”, destacou o presidente da Abed.
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