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04 de julho de 2009
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Professor do IME critica projeto pedagógico do laptop de US$ 100

Por Redação do IDG Now!*

Publicada em 11 de julho de 2007 às 09h24

São Paulo - Computador oferece uma educação mecanizada que pode ser prejudicial à formação dos alunos, diz professor Valdemar Setzer.

Responda sim ou não: o ser humano é uma máquina? O teste é feito há anos pelo professor titular do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP) Valdemar Setzer em suas apresentações em congressos científicos, e não foi diferente na conferência na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Belém.

O resultado é praticamente sempre o mesmo: 60% das pessoas dizem que o ser humano é uma máquina, o que seria uma concepção errônea. “Diferentemente dos humanos, toda máquina foi projetada e construída. Não existem valores como moral ou dignidade na máquina”, disse Setzer em conferência na tarde desta terça-feira (10/7).

Setzer fez a pesquisa no auditório para ilustrar suas críticas à ausência de uma proposta educacional bem definida nos projetos dos computadores de 100 dólares, especialmente no da organização não-governamental One Laptop Per Child, liderada por Nicholas Negroponte, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

“A única ‘proposta educacional’ desse projeto é que um computador para cada criança automaticamente permitirá um nível de ensino melhor”, disse. Mas, segundo Setzer, ocorre justamente o contrário, “uma vez que o computador oferece uma educação mecanizada que pode ser prejudicial à formação dos alunos”.

“Os computadores são máquinas que executam tarefas matemáticas e, por isso, forçam o usuário a ter pensamentos restritos às funções que o software executa, inibindo o poder da imaginação e da criatividade e também contribuindo para intelectualizar as crianças de maneira precoce”, afirmou.

Apesar de ser a favor da inclusão digital, Setzer apontou que isso não ocorrerá sem profissionais que façam a intermediação do conhecimento. “Sou totalmente contra o uso de computadores na educação, pelo menos até o ensino médio. Estudos mostram que o primeiro contato dos indivíduos com computadores deve ocorrer a partir dos 17 anos, com exceção de crianças com deficiências físicas que não conseguem segurar um lápis, por exemplo.”

Para ele, induzir uma criança a mexer em computadores, seja no lar ou na escola, é parecido com situações em que pais “forçam” seus filhos a aprender a caminhar em andadores.

*Com informações da Agência Fapesp.

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