HP introduz "desktops de grife" entre integradores da Santa Ifigênia
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 31 de maio de 2006 às 19h45
Atualizada em 31 de maio de 2006 às 19h46
São Paulo - Parceria da empresa com distribuidora de equipamentos Qualicompp leva à região, conhecida pelo contrabando, computadores de marca.
Lojas da rua Santa Ifigênia acostumadas a vender dezenas de computadores mensalmente montados com peças diversas ganharam no começo de maio um produto até então inédito para seu padrão: um micro de grife.
Uma parceria entre a HP e a distribuidora Alcatéia possibilitou que computadores corporativos da companhia norte-americana, com garantia e arquitetura fechada, fossem comercializados desde a primeira semana do mês por revendedoras, como a Quallicomp, filiada à Alcatéia, acostumadas a vender apenas PCs montados.
A presença das linhas dx2025, dx2090, dx5150 e dx5100, com preço inicial de 859 reais, em um ambiente acostumado a consumir equipamentos sem marca é um esforço da HP para atingir um mercado ainda distante para companhias estabelecidas de hardware, o de integradores, argumenta Ricardo Wagner, gerente comercial da companhia.
"Dados divulgados pelo IDC mostram que cerca de 3 milhões de desktops vendidos no Brasil durante 2005 ainda são provenientes do mercado cinza. Queremos atingir este número em que nem podemos praticar (a venda)", afirma o executivo.
Com a isenção fiscal promovida pela MB do Bem e a estabilidade de mercado proveniente do dólar baixo, a HP sentiu que o cenário era confortável o suficiente para introduzir máquinas fechadas para "brigar" com micros montados sem ter medo de abortar seu plano por razões econômicas, de acordo com o executivo.
A loja da Quallicomp na região vende, em média, cerca de 75 micros por mês, calcula Alberto Begliomini, diretor da revendedora.
A introdução das máquinas da HP, segundo projeções do diretor, deverá crescer o suficiente para atingir a metade das vendas e ainda aumentar o faturamento total da rede em 33% nos próximos seis meses, além de ajudar a "melhorar a reputação" da região em médio prazo.
Com isto, a Quallicomp equilibrará a venda entre máquinas montadas e de grife, sem acabar com o mercado cinza, vendendo cerca de 50 máquinas de cada tipo mensalmente, de acordo com Beglimoni.
A extinção dos equipamentos montados, no entanto, não faz parte nem dos planos da HP nem da Quallicomp.
"A iniciativa é muito boa, já que é uma marca conhecida com preço competitivo. Mas também atingimos um público que não quer só marca de grife. Designers e gamers querem PCs montados com placa de mão "deluxe" e placa de vídeo top de linha", defende Beglimoni.
Wagner concorda. "O mercado é grande demais pra queremos acabar com ele. Outro motivo para não pensar assim é o fato que há pessoas trabalhando legalmente neste setor. Queremos roubar os clientes que apelam para o contrabando".
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