Entrevista: Parreira fala sobre o desempenho da tecnologia na Seleção Brasileira
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 19 de abril de 2006 às 08h00
Atualizada em 19 de abril de 2006 às 16h08
São Paulo -Para o técnico da seleção brasileira de futebol, Carlos Alberto Parreira, a tecnologia da informação faz parte do time, desde avaliação física dos atletas ao esquema tático em campo.
Neste bate-bola com o IDG Now!, Parreira fala um pouco sobre a relação da ciência exata com uma paixão nacional.
IDG Now! - Recordando o início da sua carreira, você acha que é possível pra um técnico trabalhar hoje sem tecnologia?
Carlos Alberto Parreira - Não, de maneira alguma. Hoje, os recursos técnicos e de informação audiovisual, bem como tudo que a ciência tecnológica colocou ao seu dispor o treinador não pode prescindir.
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IDG Now! - Como você usa a tecnologia hoje dentro do campo e no seu trabalho?
Parreira - Dentro de campo, fotografamos e temos um preparador físico que faz as estatísticas dos jogos através do computador. Temos um software que depois mostramos aos jogadores, além de uma ilha de edição para jogos nossos e dos adversários.
[Isso é feito] até onde, veja bem, não passe do limite, por que o futebol não é uma ciência exata. Ainda é um esporte de habilidade, de técnica, de criatividade, de ousadia, mas você não pode prescindir do suporte tecnológico.
IDG Now! – O Moraci Sant´Anna [preparador físico da seleção brasileira] mostrou o software “Números do Jogo”. Quão importante é este software na preparação da seleção e dos times que você comanda?
Parreira - Para ter referências do desempenho da equipe, dos seus resultados. Se um time, por exemplo, está roubando pouca bola, umas 20 por jogo – a gente tem uma média de 60 a 70 roubadas de bola por jogo – é por que estão correndo ou brigando pouco.
A média de erros na seleção brasileira é de 25 passes. Se o time errou 50 durante o jogo é por que houve alguma desorganização tática, algum descontrole e falta de foco. Nós finalizamos, por exemplo, 16 a 18 vezes por jogo. Se finalizamos apenas duas é porque não chegamos à área adversária. Esses números ajudam nesta hora de mostrar onde estão as deficiências.
IDG Now! - A modernização do futebol, com a inserção de um chip na bola ou mesmo na chuteira, pode acabar com o romantismo no futebol?
Parreira - São tentativas técnicas ou tecnológicas para melhorar. O chip não foi aprovado ainda, tanto é que foi colocado em estudo, mas não foi aprovado para a Copa. Pode ser que venha a ser uma coisa interessante ou não. Todas as mudanças feitas até agora vieram para ajudar.
IDG Now! - Você já jogou algum jogo de simulação de futebol, como o Fifa ou o Wining Eleven?
Parreira – Não, mas já vi o pessoal jogando e é impressionante como os jogadores fazem as jogadas, participam dribles, tabelinhas, chutes. É incrível. Mas não consigo jogar.
IDG Now! - Com a recriação perfeita dos jogadores, as desenvolvedoras nunca entraram em contato
com você, pra recriar o técnico?
Parreira – Comigo, não. Nunca recebi uma ligação.
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