A tecnologia automotiva no Brasil
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 06 de abril de 2006 às 08h00
Atualizada em 06 de abril de 2006 às 17h50
São Paulo - Mesmo com avanços internacionais, poucas montadoras nacionais apresentam opções tecnológicas para os motoristas.
O avanço da tecnologia embarcada, porém, suscita debates sobre a distração do motorista durante uma viagem com tantos aparatos. Em dezembro de 2003, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) proibiu a instalação de telas LCD no painel do veículo, alegando que o item poderia distrair o condutor.
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No começo de março deste ano, uma nova resolução permitiu a instalação de aparatos visuais no banco na frente, desde que sejam desligados quando o carro esteja em movimento. A mesma restrição foi imposta aos sistemas de localização por GPS: ao invés de mostrar um mapa, a tela deverá exibir apenas a direção que o usuário precisa tomar (como "virar à direita" ou "seguir em frente").
Enquanto modelos de fora, como o próprio S550, projetam a direção na parte inferior do pára-brisa, para que o motorista não perca a atenção na estrada enquanto guia, nenhum modelo nacional se enquadra nas exigências do órgão por um simples motivo: a onda da tecnologia embarcada ainda engatinha no País.
Entre as principais montadoras que funcionam em território nacional, as tecnologias mais avançadas disponíveis para compra passam longe do computador de bordo e dos sensores inteligentes para estacionamento.
As linhas Stilo, Idea e Marea da montadora italiana Fiat contam com os modelos BT, que apresentam interface Bluetooth para ligar o alto-falante do veículo ao celular do motorista, o que substitui os simplórios falantes que precisam ser conectados ao isqueiro do carro para evitar multas pelo uso do telefone no trânsito – multa de 76,88 reais e quatro pontos na carteira.
Já o modelo Picasso, da Citröen, vem com tocador de DVD e tela de sete polegadas posicionadas logo atrás do motorista, para a diversão de quem viaja no banco traseiro. Outra tecnologia que pode ajudar motoristas mais distraídos são os sensores que, incluídos no pára-choque, emitem sons sempre que um obstáculo se aproxima.
A maioria das montadoras, porém, não possui tecnologias próprias. Tanto Volkswagen como Fiat, General Motors, Honda e Citröen têm modelos com rádio que toca arquivos em MP3 de fábrica. Os aparelhos, no entanto, não representam especificamente tecnologia automotiva das montadoras, mas de empresas parceiras, como Pioneer e Kenwood.
Se as montadoras não apresentam muito entusiasmo, não se pode falar o mesmo do governo brasileiro. A Prefeitura da cidade de São Paulo já aproveita a relação entre tecnologia e veículos no controle do trânsito, com a introdução de etiquetas RFID em carros selecionados para a medição da velocidade do tráfego em grandes avenidas paulistanas.
Nem mesmo a já popular conexão para iPods, presente em carros de mais de 20 montadoras internacionais, como Ferrari e Alfa Romeo, está presente no país. A ausência da conexão para o mais popular player digital em veículos ilustra bem a condição do Brasil quando é assunto é tecnologia embarcada: estamos ainda muito mais para fita cassete do que para MP3 player.
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