Abismo separa filhos dos anos 80 e 90
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 16 de março de 2006 às 07h00
Atualizada em 26 de julho de 2006 às 17h48
São Paulo - A relação entre as gerações dos anos 80 e 90 revela a diferença de quem encontrou a tecnologia no meio da vida e de quem cresceu acostumado a ela.
De um lado, o VHS, a fita cassete e o Walkman. Do outro, o DVD, o MP3 e o iPod. Em apenas dez anos, a rápida evolução tecnológica ampliou consideravelmente a diferença entre as crianças dos anos 80 e as da década de 90.
Não é difícil encontrar integrantes da chamada “Geração Coca-Cola”, que acham que os mais jovens são “rápidos demais” no manejo das máquinas. O contrário também é verdadeiro: representantes da “Geração Digital” têm como reclamação constante a falta de habilidade dos nem tão jovens assim com gadgets e computadores pessoais.
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E a falta de entendimento, restrita às relações entre avós e netos, começa a atingir qualquer um que não tenha crescido junto a potentes PCs e com acesso à internet.
“Minha tia trabalhava na Sony e me mostrou o Walkman que ela tinha. Queria sair andando com ele na rua, mas ela não deixou, morria de medo de eu ser assaltado”, conta André Inohara, administrador de empresas, hoje com 34 anos. “Realmente, a sensação de andar com um aparelho portátil e escutando rádio e música era de liberdade. Ir e vir...”.
Denominado “Geração Coca-Cola”, o grupo de pessoas que foram criadas durante a década de 80 teve um contato mais restrito e, por isso, mais deslumbrado com a tecnologia. Afinal, carregar um som portátil de um lado por outro, conceito introduzido pela Sony com o lançamento mundial do Walkman, em 1979, era uma enorme novidade.
A canção homônima escrita por Renato Russo não estava errada em dizer que haveria “crianças derrubando reis”. As crianças em questão são as da chamada “Geração Digital”.
Criadas em momento de popularização da tecnologia no país, elas apresentam gosto e facilidade para atividades virtuais e tratam a tecnologia como enorme intimidade - trocam e-mails e mensagens instantâneas no lugar dos bilhetinhos.
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O primeiro contato de Leonel Viotti Dias, 23 anos, com a tecnologia foi por meio do MSX de um vizinho, quando ele tinha sete anos. O interesse durou até 1992, quando, por conta de uma mudança, o primitivo PC teve de ser abandonado, o que não foi um grande choque. Na época, Viotti já tinha outro interesse: os celulares.
“Meu pai vivia trazendo celulares para casa, pois fazia testes para a Telesp Celular na época”, revela. O contato precoce com os gadgets fez de Viotti um apaixonado por telefones móveis. Atualmente, o consultor de TI tem quatro aparelhos, que deixa espalhados entre seus irmãos e sua namorada.
“A rede em si já estava funcionando, mas o serviço nunca foi para frente. Pegava muito mal, você precisava "mirar" o celular, não podia ter nada acima dele (só céu aberto), além do que, carregar aquele trambolho de quase um quilo na cintura era uma piada”, lembra Viotti. A cena pode parecer até ficção para quem nasceu depois da segunda metade dos anos 80.
O significado das restrições explicadas por Viotti só será entendido de verdade pelos irmãos Gabriel Gyo e Rafael Levi Gentile Wang, de 10 e 6 anos, respectivamente, daqui a alguns anos.
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