Na era do download, Brasil não espera iTunes
Por Edson Soares, do IDG Now!
Publicada em 27 de dezembro de 2005 às 09h02
Com os principais serviços restritos aos países ricos, loja nacional concentra vendas online de MP3 e usuários driblam bloqueio da iTunes.
Não adianta chorar, a loja virtual de músicas mais popular do mundo, a iTunes, não tem operação local e, segundo a Apple, responsável pelo serviço, não há previsões de inauguração tão cedo. Mas o brasileiro já descobriu uma forma de driblar o bloqueio geográfico e ainda conta com opções nacionais de lojas virtuais.
iTunes é o nome dado tanto à loja virtual quanto ao software de gerenciamento de arquivos musicais da Apple. O brasileiro pode utilizar o player da companhia para administrar suas músicas no micro (baixe o player aqui), mas, na teoria, não consegue comprar as faixas pela loja.
Mesmo assim o portal registrou 340 mil visitas por brasileiros no mês de novembro. O número, revelado pelo Ibope NetRatings recentemente, representa um crescimento de 261% se comparado com os acessos do mesmo período de 2004.
A Apple lançou a loja e o software iTunes juntamente com o iPod em abril de 2003. Desde então, o portal é apontado como um dos principais responsáveis pela popularização da venda de faixas musicais na web. Entre os diferenciais estão o gigantesco acervo, advindo de parcerias com diversas gravadoras, e a integração com o iPod, o player de música digital mais desejado por 10 entre 10 usuários.
Atualmente, a comercialização de faixas está disponível para Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e a maioria dos países da Europa. Mas o jeitinho brasileiro já descobriu uma forma não oficial de comprar pelo portal. Para ter o download liberado basta fazer uma "escala" nos Estados Unidos utilizando serviços como o PayPal e cartão de crédito internacional.
Para quem não quiser adotar o "gato", o iTunes oferece conteúdos gratuitos que podem ser acessados e baixados sem restrição geográfica. São os podcasts e os videocasts, programas amadores ou profissionais que trazem gravações em áudio e em áudio e vídeo. Os temas variam desde os assuntos da medicina, passando por notícias e indo até aos programas de música independente.
Apesar de líder, o iTunes não é hegemônico no mercado externo. Os serviços MSN Music e Rhapsody seguem a loja da Apple no ranking das fontes de MP3 legalizado mais utilizadas. O primeiro é um portal integrado ao software Windows Media Player e o segundo funciona no sistema de assinaturas e é integrado ao programa Real Player, da Real Networks. Ambos não possuem operação no Brasil.
Outro nome de peso é o Napster. Originalmente um servidor que oferecia músicas gratuitas pela web, o Napster foi o precursor da onda P2P, mas por problemas judiciais foi obrigado a interromper sua operação. Quando reinaugurado, o serviço adotou o sistema de pagamento de mensalidades para acesso ilimitado a determinado acervo de canções, aos moldes do Rhapsody. Com matriz nos EUA, o Napster está inaugurando suas primeiras filiais na Europa.
Como esses serviços hesitam em vir para países como o Brasil, onde a pirataria industrial é muito presente, acabou se configurando um quadro em que uma única empresa nacional domina os serviços de compra de MP3 via web. Esta empresa é o iMusica, que oferece músicas e clipes por 1,99 reais ou 2,99 reais.
Apesar de ter sua loja virtual oficial, o iMusica também responde pelo sistema das lojas A1 Shopping, Antena 1, ABMI, Bemol, BrTurbo, BNEA, Bolsa de mulher, Gradiente Eletrônica (AI-get), Hands, Hulk, Idéias Net, iG, Americanas.com, MSN Music Brasil (não é a mesma loja que a MSN Music internacional), Musical MPB, ShowLivre.com, Som.com.br, Som Brasil, Velox, Vírgula, Yahoo, AOL, Oi Internet e DeckPod.
Segundo as associações industriais, o download de músicas legalizadas na web cresceu de 57 milhões no primeiro semestre de 2004 para 180 milhões de canções até a primeira metade deste ano em todo o mundo. O internauta pode encontrar um dos 350 sites legalizados de downloads em www.pro-music.org .
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