
TI Corporativa
Daniel Domeneghetti, sócio-fundador da E-Consulting e CEO da DOM Strategy Partners
Publicada em 27 de maio de 2008 às 13h35
Atualizada em 27 de maio de 2008 às 13h38
A cartada da HP
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Ora, de um lado, McKinsey, Booz Allen, AT Kearney, BCG, Bain&Co e Monitor jogam o jogo do glamour intelectual. Consultoria estratégica é o que fazem. TI, para eles, só a estratégica, a chic.
A Accenture, por sua vez, quer ser tudo para todos. E faz de consultoria estratégica a outsourcing. E, por incrível que pareça, contrariando às máximas do posicionamento mercadológico, consegue se posicionar em todo o espectro da cadeia de serviços consultivos.
É aqui, nessa dimensão da Accenture, que a IBM entrou com a compra da Price. Aqui também está a Bearing Point (advinda da KPMG).
Com a compra da EDS, a HP não entra nesse clube tão diretamente. A EDS tinha um foco maior em serviços de TI, principalmente infra-estrutura. Sua compra não traz tarimba de consultoria de processos ou negócios à HP. A HP vai precisar desenvolver essa prática, mudar o modelo de negócio ou comprar mais alguém. E vale lembrar que a IBM se livrou de sua unidade de hardware e PCs, vendendo-a para a Lenovo. Ou seja, deu foco real em serviços.
Microsoft é entrante, assim como as demais produtoras de aplicativos de gestão e produtos de tecnologia, como Oracle e SAP. Elas têm seus aplicativos para vender e implementar e, geralmente, contam com os integradores (Accenture, IBM, Bearing Point, etc) como implementadores. Aqui, também, a EDS não era líder e sua compra não agrega tanta distinção à HP.
A operação da EDS era mais parecida com a chamada linha de serviços de TI de baixo valor agregado (ou IT Commodity Services), em que estão práticas como gestão de operações, outsourcing de infra-estrutura, gestão de call-center/SACs, etc. As indianas como Tata, Infosys e Wipro, por exemplo, crescem por fagocitose nesse lago, principalmente focadas no mercado offshore, e nadam de braçadas com o apoio de seu governo.
Só para traçar um paralelo, a EDS no Brasil estava mais para CPM Braxis, Stefanini, DBA, TCS/Tata e Sonda Procwork (ainda que muitas dessas tenham foco claro em implementação de aplicativos como SAP), do que para Accenture e IBM.
Vamos ver o que vai acontecer. Só espero que Hurd e os mitos de Bill & Dave consigam promover uma integração menos custosa financeiramente e emocionalmente do que foi a integração HP-Compaq e que no minuto seguinte ao sinal verde da operação conjunta (que deve ser em Julho), a HP-EDS decida rapidamente seus focos, linhas de serviços e eventuais novas aquisições, a fim de evitar que tamanho gigante em custos e amplitude, seja, na verdade, um enorme saci em lucratividade e performance.
Daniel Domeneghetti é CEO da DOM Strategy Partners, consultoria estratégica 100% nacional responsável pela Metodologia IAM (Intangible Assets Management). E-mail: dd@ec-corp.com.br
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