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04 de julho de 2009
Colunistas

TI Corporativa

Daniel Domeneghetti, sócio-fundador da E-Consulting e CEO da DOM Strategy Partners

Publicada em 27 de maio de 2008 às 13h35
Atualizada em 27 de maio de 2008 às 13h38

A cartada da HP

HP consegue virar o jogo em serviços com aquisição da EDS? Por Daniel Domeneghetti

A HP comprou a EDS por 13,9 bilhões de dólares, pagando perto de 25 dólares por ação. A HP diz que vai dobrar sua receita em serviços, que foi em torno de 16 bilhões de dólares em 2007, contra 21 bilhões de dólares da EDS e 48 bilhões de dólares da IBM.

A HP quer competir com a IBM pela liderança em um mercado global que gira em torno de 675 bilhões de dólares, com taxa de crescimento de 6,4%, segundo o Gartner. Ambas querem dominar um mercado cheio de indianos famintos.

Veja a cobertura completa:
> Análise: Por que a HP quer a EDS?
> VP da EDS diz que fusão é positiva
> Compra pode gerar demissões

Mesmo com a fusão, a receita da HP nos chamados serviços globais ainda estaria abaixo do projetado pela IBM no mesmo segmento.

A EDS tem boa presença em gestão de infra-estrutura e outsourcing de operações, mas nem tanto em gestão de aplicativos e consultoria, prática de maior valor agregado e EBTIDA médio, que a compra da Price trouxe à IBM.

Desde sempre consultoria não é business que fica na EDS. A empresa, que nasceu na GM, deu origem à AT Kearney, atualmente uma das mais respeitadas firmas independentes de consultoria estratégica. Com o spin-off, nada parecido ficou na EDS.

Essa é enésima tentativa da HP em se posicionar em serviços. Tentou várias vezes com a HP Consulting e também tentou comprar um monte de gente. Não conseguiu. No final de 2000 tentou comprar a Price por 18 bilhões de dólares (dizem), sem sucesso. Em 2002 a IBM levou a mesma Price por “módicos” 3,5 bilhões de dólares.

Bill & Dave devem estar se revirando no caixão. Desde a saída de Carly Fiorina, quase pela porta dos fundos da HP, sua visão estratégica vem se tornando realidade a cada dia. O novo CEO – Mark Hurd – está colhendo os louros da estratégia de Carly.

Carly dizia que a HP tinha que evoluir e agregar valor à sua oferta. Também precisaria ganhar eficiência operacional, maior inteligência em cross-sell nos clientes e reduzir seus custos financeiros. E tinha também que consolidar logo sua posição em hardware, impressoras e demais caixas oriundas da confusa fusão com a Compaq, para poder deixar logo esse assunto para trás e tocar a vida para frente.

Não é só a IBM que é um desafio à HP. Esse mercado de consultoria é muito estranho. Parece que todas as empresas querem, ao mesmo tempo, aumentar a escala (de oferta, de clientes, de atuação global) e também aumentar margens... algo como uma boutique em larga escala. Isso me parece inconcebível, mas uma empresa espanhola de varejo de moda tem feito isso muito bem em seu setor de atuação – a Zara.

No mercado de consultoria de gestão, todo mundo quer ser Zara. Quer diferenciação com escala, ou seja, moda cool com preço baixo.

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