
TI Corporativa
Daniel Domeneghetti, sócio-fundador da E-Consulting e CEO da DOM Strategy Partners
Publicada em 09 de novembro de 2006 às 14h47
Atualizada em 09 de novembro de 2006 às 18h38
Ruptura ou incremento?
Daniel Domeneghetti explica porque algumas empresas líderes de tecnologia somem do mapa.
Clayton Christensen, pesquisador da Harvard Business School, extremamente curioso e intrigado com o mercado de tecnologia, resolveu explorar um ponto absolutamente inquietante e até então sem resposta: porque as empresas líderes de mercado em seus setores de atuação, do dia para a noite, sem razões claras (como má gestão, fraudes, investimentos errados, arrogância, executivos exaustos, etc), somem do mapa?
A resposta que Christensen encontrou foi simples e desconcertante: essas empresas quebraram porque ficaram reféns de seus clientes.
Para poder estudar o mercado de tecnologia em seu ciclo completo, Christensen procurou uma indústria que pudesse refletir, em um período curto de tempo, um processo com começo-meio-fim. Fazendo uma alusão à genética, Christensen procurava a indústria-mosca. Isso por que as moscas são seres que são concebidos, nascem, crescem e morrem em um único dia.
Foi adotando esta premissa que Christensen escolheu o mercado de Disk Drives, a fim de analisar esse fenômeno. A indústria de Disk Drives é, dentre todas as ligadas a TI, a que tem visto as mudanças tecnológicas mais rápidas e inflexíveis.
Após estudar a indústria por 20 anos - de 1975 a 1995 - em todos os seus ciclos e líderes, Christensen chegou ao que convencionou de Dilema de Inovador.
Segundo ele, o Dilema do Inovador é um ponto de decisão fatal que as empresas líderes de mercado em tecnologia chegam inevitavelmente. Em outras palavras, por que as empresas líderes de mercado, com o maior orçamento para P&D, geralmente criadoras das tecnologias de ruptura em seus laboratórios altamente equipados, acabam sendo surpreendidas por players pequenos que implementam, de fato, essas rupturas?
Por incrível que pareça, as empresas líderes, com seus acionistas racionais, acabam, na grande maioria das situações, por decidir não investir e lançar as tecnologias de ruptura que germinam em seus laboratórios.
A decisão racional é simples: quem, em sã consciência, prefere investir um dólar em uma nova tecnologia, não testada, invés de investir esse mesmo dólar no incremento de um produto já validado por grandes clientes que vai atender melhor ainda a esses clientes e aumentar as vendas?
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