CIOs brasileiros falam sobre os desafios de preparar o orçamento 2011
Por Tatiana Americano, da CIO e Computerworld
Publicada em 08 de setembro de 2010 às 07h30
A elaboração do planejamento para 2011 coloca em jogo a capacidade de negociação, gestão e influência dos gestores de TI.
À primeira vista, elaborar o planejamento anual de TI para 2011 parece uma tarefa simples. Basta reunir todas as demandas das áreas de negócio, alinhá-las aos objetivos estratégicos da organização para o próximo ano e estabelecer um orçamento que cubra os projetos previstos e os custos operacionais. Na prática, contudo, os CIOs enfrentam questões que vão além do que citam as escolas tradicionais de administração, como a dificuldade de justificar investimentos, projetos inesperados ao longo de todo ano e uma pressão por fazer mais com menos recursos.
O sócio-diretor da consultoria TGT Consult, Ronei Silva, inclui um novo complicador a essa já complexa equação: lidar com o legado da escassez de recursos. “Os orçamentos de TI em 2010 são maiores do que no ano anterior. Mas não em um ritmo suficiente para compensar as quedas contabilizadas em 2008 e 2009”, destaca o especialista. Ainda segundo ele, mesmo com uma retomada do crescimento das empresas instaladas no Brasil, a intenção de investir mais em pessoas e em tecnologias não tende a seguir o mesmo ritmo de expansão no próximo ano.
O diretor para Américas da divisão IT Business Partner da Sabic Innovative Plastics – fabricante de plásticos e termoplásticos –, Loïc Hamon, aponta que os CIOs vivem hoje o que classifica como “efeito catraca”. O executivo faz uma analogia entre a decisão de cortar o orçamento de TI e andar em um corredor de ônibus lotado. Ele explica: quando o profissional faz a redução é como se tivesse passado pelo cobrador e, a partir daí, não pudesse mais voltar atrás em sua decisão. “Por isso, os executivos devem ter malícia para reduzir, sim, qualquer tipo de gordura, mas sem esquecer que esse dinheiro dificilmente será recuperado no futuro”, pontua Hamon.
Muitas organizações se deparam hoje com uma série de problemas, exatamente por conta dos cortes realizados no passado, na visão da vice-presidente do programa executivo da consultoria Gartner para América Latina, Ione Coco. “Quando as empresas fazem cortes nos orçamentos de TI, por dois anos consecutivos, as perdas tendem a ser irrecuperáveis”, analisa a especialista. Quanto aos itens mais afetados, ela aponta que estão a dificuldade de manter o parque instalado e não contar com a capacidade tecnológica necessária para acompanhar a velocidade de expansão dos negócios.
Quando o gestor de TI precisa cortar custos, o ideal é negociar para que os recursos sejam apenas congelados temporariamente. Pelo menos, essa tem sido a estratégia adotada pelo diretor de BTO (Business Transformation Officer) da empresa de embalagens Tetra Pak para América do Sul e América Central, Rodrigo Meireles. Ele relata que, exatamente durante uma crise vivida por sua empresa, por volta de 2006, descobriu a importância de administrar, de forma adequada, as oscilações no orçamento. Na época, Meireles era CIO da companhia e recebeu uma incumbência do diretor financeiro de reduzir custos. “Mas não conseguíamos descobrir exatamente em que local esses cortes poderiam ser feitos, pela falta de uma revisão constante dos gastos”, relata Meireles, que, a partir daí, instituiu um modelo de gestão financeira da sua área.
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