'Pai do Java' diz que pressão pode fazer com que Oracle mude
Por IDG News Service
Publicada em 26 de agosto de 2010 às 07h00
Uma saída seria criar uma entidade independente para controlar o desenvolvimento de soluções baseadas nessa linguagem de programação.
A comunidade Java está bastante preocupada com o futuro da linguagem de programação, especialmente depois que a Oracle processou o Google por infringir patentes da tecnologia no sistema operacional Android. Mas, de acordo com James Gosling, conhecido como o pai do Java, ainda há uma chance de fazer a fornecedora mudar de ideia.
Segundo Gosling, se houver uma pressão de mercado, a empresa pode retomar uma proposta, que já tinha sido apresentada em 2007, de criar uma fundação independente para o desenvolvimento Java. "Isso pode acontecer se um número suficiente de clientes manifestar revolta. Mas teriam de ser usuários da Oracle, uma vez que são eles que rendem dinheiro para a companhia", analisa.
A Oracle ganhou o controle da Java depois da compra da Sun. Gosling, que ficou um tempo curto na fornecedora após a aquisição, refere-se a uma proposta feita pela Oracle, há dois anos, como membro do Java Community Process (JCP), organização responsável por controlar o desenvolvimento da linguagem. A sugestão era transformar o grupo em uma organização aberta, desvinculada de fornecedores, na qual todos os membros teriam o mesmo nível de participação.
Até o momento, a Oracle não se pronunciou a respeito de retomar a proposta, o que só deve ficar claro durante a conferência JavaOne, que será realizada no mês de setembro. Na agenda do evento, está prevista uma discussão a respeito dos investimentos e inovações previstas para o Java, com a participação do CEO da Oracle, Larry Ellison, e de outros executivos do alto escalão da companhia.
O analista da consultoria Forrester Research, John Rymer, acredita que não existe possibilidade de a Oracle estimular o cenário levantado por Gosling. "As circunstâncias mudaram. Naquela época, eles tinham outra posição e olhavam a tecnologia com os olhos de quem está de fora. Agora, como donos do Java, há pouco interesse em compartilhar o controle. As coisas devem permanecer como estão", avalia Rymer.
O próprio Gosling acha difícil que o cenário previsto por ele aconteça. "A proposta de 2007 fazia parte de um jogo, sem princípios que almejassem o bem comum", disse. No entanto, ele informa que não acredita no fim do Java. "Trata-se de uma tecnologia chave em muitos dos negócios da Oracle. Acabar com isso iria prejudicá-los mais do que a qualquer outro", completa.
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