CTO da Intel: Adeus eletrônica, vem aí a spintrônica
Por Peter Moon especial para o Computerworld
Publicada em 12 de setembro de 2007 às 07h05
Atualizada em 12 de setembro de 2007 às 16h39
São Paulo - Justin Rattner, CTO mundial da Intel, fala sobre o futuro dos chips e das novas tecnologias que partem da Física Quântica.
Num artigo publicado em abril de 1965 no jornal Electronics (“Cramming more components onto integrated circuits”),
Gordon Moore afirmou que o futuro da integração de circuitos era o
futuro da eletrônica. Analisando o potencial futuro da nova tecnologia,
ele lançou as bases do que viria a se chamada de Lei de Moore, para a
qual o número de transistores num chip dobra a cada 18 meses enquanto
seu preço permanece inalterado. Para lucrar com esse prognóstico, Bob
Noyce e Gordon Moore fundaram em 1968 a Intel, fusão das palavras
integrated electronics.
Em 1971, eles criaram o primeiro microprocessador da história, o
modelo Intel 4004, uma lasca de silício de 4 milímetros por 3
milímetros com 2.300 transistores miniaturizados. Passaram-se 36 anos e
hoje a Intel consegue espremer 291 milhões de transistores no Core 2
Duo, um chip menor que o 4004. Este aumento na densidade dos chips está
na razão direta do aumento astronômico na potência dos computadores.
Aonde isso vai parar? Quem responde é o Chief Technology Office da
Intel (CTO), Justin , nessa entrevista exclusiva feita por telefone.
Computerworld – A Lei de Moore, segundo a qual o número de
transistores num chip dobra a cada 18 meses enquanto seu preço
permanece inalterado, foi formulada por Gordon Moore há 42 anos e
continua válida. Mas ela não está próxima do seu limite?
Justin Rattner – Sempre que alguém diz que a Lei de Moore
atingindo seu limite eu olho para trás, para a história da indústria de
semicondutores. Eu trabalho nela há mais de 30 anos e tenho trabalhado
com a lei de Moore por muito tempo. Não se pode prever nada em termos
de tecnologia mais do que dez anos à frente. Isso acontece porque temos
a certeza de que no final de um período de dez anos nós enxergaremos um
novo período de dez anos à frente. Se você olhar para o desenvolvimento
dos novo chip com a tecnologia de 45 nanômetros (45 bilionésimos de metro), verá que os problemas relativos à Lei de Moore com que tivemos que lidar.
Leia também:
> Entenda a a tecnológica
Este é apenas um exemplo de como inovações técnicas podem solucionar
aquilo que antes se pensava ser um limite fundamental. E existem outras
inovações como estas que eu poderia descrever, apesar de ainda não as
termos colocado em produção. Por exemplo, os transistores Tri-Gate,
que pela primeira vez deixarão de ser tão somente de silício para ter
uma camada de circuitos que fica acima do núcleo de silício (que devem
estar nas gerações de transistores de 32 e de 22 nanômetros). Com isso
quero dizer que daqui dez anos os transistores que estaremos
construindo poderão não lembrar em nada os feitos hoje em dia. Mas isso
não significa o fim da Lei de Moore.
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