Funcionário do Icea faz denúncias sobre software de controle aéreo
Por Redação do IDG Now!*
Publicada em 29 de junho de 2007 às 09h53
Brasília - Software da ATech não cobre todo o território nacional e tem tecnologia inferior à que vinha sendo desenvolvida pela Aeronáutica, diz ele.
O funcionário do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (Icea) Vinícius Lanzoni Gomes sugeriu na quinta-feira (29/06) aos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Crise Aérea que investiguem o quanto já foi investido na produção de um sistema de controle de fluxo de tráfego aéreo (ATFM, na sigla em inglês) desde 1999. Durante reunião da CPI, Gomes afirmou que a empresa ATech desenvolveu apenas um dos quatro softwares de controle que deveria ter elaborado.
O software da ATech, segundo ele, não cobre todo o território nacional e tem tecnologia inferior àquela que vinha sendo desenvolvida por um grupo de trabalho da Aeronáutica antes de a empresa ser contratada. Gomes ressaltou, ainda, que a ATech não enfrenta concorrência e, por isso, não tem preocupação com a qualidade do produto.
O funcionário do Icea avaliou que a crise no tráfego aéreo foi causada por "incompetência administrativa, má gestão de recursos públicos, falta de visão estratégica e de planejamento de longo prazo". Ele ratificou as declarações do presidente da Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo, 1º sargento Wellington Andrade Rodrigues, de que os softwares utilizados pelo sistema nacional de controle comprometem a segurança do tráfego aéreo brasileiro. Gomes afirmou que o Brasil continua carente de um sistema eficiente de controle de tráfego aéreo.
Ao final de seu depoimento, Gomes pediu proteção da Polícia Federal porque teme retaliações da Aeronáutica. O presidente da CPI, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), informou que vai enviar ofício à PF solicitando proteção.
Convocação da Atech
O deputado Ivan Valente (Psol-SP) concordou com a necessidade de verificar os valores investidos na ATech. Ele também quer obter esclarecimentos sobre os motivos que levaram a empresa a substituir o grupo de trabalho da Aeronática na elaboração desse sistema, que é considerado ineficiente. Valente solicitou a convocação com urgência do diretor da ATech Cláudio Carvas para que ele informe quanto a empresa já recebeu da Aeronáutica para o desenvolvimento do produto (Syncromax) e explique por que o programa não tem a eficiência exigida.
O parlamentar defendeu a convocação do diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Dcea) na época do acidente com o avião da Gol, major-brigadeiro Paulo Roberto Vilarinho; e a reconvocação do atual diretor do órgão, brigadeiro Ramon Borges Cardoso.
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