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19 de setembro de 2009
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Aplicações

Software brasileiro de análise química atrai atenção de mais de 100 países

Por Redação do IDG Now!*

Publicada em 11 de maio de 2007 às 08h53
Atualizada em 14 de maio de 2007 às 11h31

São Paulo - Cerca de 55% dos downloads do programa de cálculos de pH foram feitos por pesquisadores norte-americanos.

Com um ano de existência, mais de 110 mil pessoas de cerca de cem países conheceram, com o auxílio de ferramentas de busca na internet, um software destinado principalmente a pesquisadores e profissionais da área de química. O autor do programa é Ivano Gutz, chefe do Departamento de Química Fundamental da Universidade de São Paulo (USP).

Batizado de CurTiPot, o software – que está disponível para download gratuito em versões em inglês e português – é utilizado para a realização de cálculos de pH de soluções aquosas e titulações reais e virtuais de ácidos e bases.

“Até hoje, foram baixadas mais de 16 mil cópias do programa apenas pelo servidor do Instituto de Química. Não contabilizamos os downloads de outros 150 sites especializados em software que distribuem o CurTiPot”, disse Gutz à Agência Fapesp. Cerca de 55% dos downloads foram feitos por estudantes e pesquisadores de universidades norte-americanas, seguidos de brasileiros e alemães.

Os cálculos e medições de pH são aplicados em diversas áreas do conhecimento, como bioquímica, engenharia química e química ambiental. O aparelho mais utilizado em todo o mundo para esse tipo de cálculo é o peagômetro. O pH é uma escala logarítmica relacionada com a concentração de íons em uma solução.

“O pH é um fator determinante para o equilíbrio dos sistemas biológicos. As células, o sangue e até as enzimas dentro do organismo humano dependem do pH, que, se estiver muito ácido ou muito básico, deixa o funcionamento do sistema comprometido”, explicou Gutz.

Segundo ele, se o objetivo for a determinação da acidez ou basicidade total das substâncias químicas de um solo, alimento, bebida ou medicamento, por exemplo, os pesquisadores recorrem a um procedimento conhecido como titulação.

“Se queremos titular uma mistura química que é muito ácida, é preciso adicionar consecutivamente pequenas quantidades de uma base para neutralizar os componentes, enquanto se mede o pH. Com base nessas informações colhidas em laboratório, o software gera um gráfico da curva de titulação, que mostra o pH da mistura em função do volume de base adicionado e determina a concentração dos componentes ácidos”, disse Gutz. “A titulação nada mais é do que monitorar a reação controlada de uma base com ácido que já se tinha na amostra ou vice-versa.”

O programa ajuda a verificar, por exemplo, o que ocorre com os componentes químicos durante a titulação. “Isso é importante para compreender, por meio de gráficos e diagramas, a dissociação dos ácidos, ou seja, o comportamento dos ácidos ao longo da titulação. Essa seria uma aplicação mais didática e acadêmica do software”, explicou.

Sete módulos

O CurTiPot é usado também para computar o pH de um único ácido ou de uma mistura composta de vários ácidos e bases, ou simular curvas de titulação completas, além de ter um arquivo com informações sobre o comportamento dos 250 ácidos e bases mais comuns. Com isso, o pesquisador pode prever o que ocorreria no laboratório ou processo industrial, testando diferentes combinações e concentrações.

O professor da USP explica que o software, formado por sete módulos, reúne recursos que atraem tanto alunos do ensino médio ou universitário – que estão aprendendo novos conceitos de equilíbrio químico ácido-base – como pesquisadores e especialistas que atuam em processos industriais ou laboratórios de química analítica. Os módulos são: pH, Simulador, Gráficos, Distribuição, Análise 1, Análise 2 e Constantes.

“Outros softwares disponíveis atualmente, além de serem pagos, fazem uma ou outra dessas tarefas de maneira isolada. Meu objetivo foi integrar e aperfeiçoar todas essas ferramentas para estudo e determinação da acidez ou basicidade de soluções aquosas”, disse Gutz.

Os módulos se comunicam entre eles e uma tarefa realizada anteriormente pode ser arquivada para futuras aplicações. “O pesquisador consegue, por exemplo, simular uma curva de titulação de maneira virtual e analisar os resultados em outros módulos, como se os dados tivessem sido coletados no laboratório”, destacou.

Mais informações no site do projeto.

*Com informações da Agência Brasil.

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