Brasileiros fazem experimento que pode mudar os rumos da computação quântica
Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 27 de abril de 2007 às 17h56
Atualizada em 30 de abril de 2007 às 15h47
São Paulo - Cientistas questionam empiricamente um dos fundamentos dos computadores quânticos, o princípio do emaranhamento.
Um grupo de cientistas brasileiros, comandado pelo professor Luiz Davidovich, do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicou na revista Science desta sexta-feira (27/04) resultados de um experimento que pode influenciar o futuro dos computadores quânticos.
Na computação quântica, a menor unidade de armazenamento de informação é o qubit (bit quântico). Diferentemente da computação clássica, que só admite que um bit tenha valor zero ou um, o qubit pode assumir mais de um valor - zero e um, por exemplo - ao mesmo tempo.
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Um dos princípios fundamentais da computação quântica é que os qubits devem formar emaranhamentos, ou seja, sistemas em que um só pode ser entendido em relação ao outro. Para isto, os qubits devem ter comportamentos correlatos, mesmo que estejam separados fisicamente.
Tomando um exemplo do mundo clássico, é como se dois sinais de trânsito, em estado de emaranhamento, localizados em uma esquina se comportassem de maneira correlata. Assim, toda vez que um ficasse verde, o outro ficaria vermelho, mesmo estando fisicamente separados.
A manutenção do estado de emaranhamento é fundamental para que o computador quântico funcione como deveria funcionar. O que a equipe de brasileiros comprovou nos seus experimentos, contudo, é que a coerência entre os qubits pode ser parcialmente perdida mediante certas circunstâncias, rompendo abruptamente o estado de emaranhamento, fenômeno conhecido como “morte súbita”.
“Este efeito já havia sido estudado por teóricos, mas é a primeira vez que ele é comprovado em uma experiência empírica”, explica Stephen Patrick Walborn, professor do Instituto de Física da (UFRJ) e membro do grupo que realizou a pesquisa.
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