Entrevista: o que muda com a abertura de código do Java?
Por Paul Krill, para o IDG Now!*
Publicada em 25 de outubro de 2006 às 00h21
Atualizada em 25 de outubro de 2006 às 10h07
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InfoWorld: Você diria que a Sun está fazendo este processo a contragosto ou de fato há uma vontade neste sentido?
Green: Eu lutei com isso por anos. No meu quinto dia de volta à empresa anunciei a abertura. Acho que está na lista de questões críticas que tínhamos que resolver. Acho que o mundo mudou muito. Há milhões de aplicação desenvolvidas em Java nos desktops, nos dispositivos móveis e nos servidores. Portanto há um corpo de trabalho que tem de fazer com que a tecnologia Java continue disponível e compatível, porque se não continuar, as aplicações não vão rodar. Minha análise, e a análise de muitos na Sun, é que há um investimento tão grande em aplicações que o risco é pequeno, por isso chegou a hora de abrir o código.
InfoWorld: A plataforma Java ultrapassou a linguagem Java? Vamos ver novas linguagens rodando no Java Virtual Machine ao invés apenas do Java?
Green: Discutimos na nona temporada anual do Sun Tech Days o fato de que estamos caminhando para um modelo em que o Virtual Machine pode englobar novas linguagens e frameworks [estruturas de suporte para desenvolvimento de aplicações], além do Java. Acho que isso tem valor. Na medida que as pessoas inovam com novos códigos e frameworks, são forçadas a produzir tecnologias de máquina virtual que não são tão maduras ou robustas quanto o Java Virtual Machine. Portanto ofereceremos esta plataforma para ajudar a desenvolver outras linguagens que não o Java.
InfoWorld: A Sun é criticada por criar tecnologias e não fazer dinheiro com elas. Como você responde a essas críticas? Estou pensando no Java e talvez no NFS (Network File System).
Green: Bem, eu discordo totalmente. Acho que esse é mais uma percepção da área contábil que de negócios. Não publicamos nossos números de software divididos por área e acho que isso pode levantar algumas preocupações. Mas quando você olha para a posição do Solaris na indústria como principal plataforma Unix e a para a sua crescente liderança no mercado de sistema operacional de código aberto, fica difícil questionar se o investimento em software contribui ou não para o sucesso da companhia. Nossos programas de desenvolvimento estão atraindo novos ISVs e aplicações para a nossa plataforma. Em 2006, dobramos o número de desenvolvedores participando do Sun Developer Network Program para 2 milhões.
*Paul Krill é editor do InfoWorld, em São Francisco.
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