Convergência é tendência para governança em tecnologia
Por Camila Fusco, repórter do Computerworld
Publicada em 16 de outubro de 2006 às 10h23
Atualizada em 16 de outubro de 2006 às 10h56
São Paulo - Entre ITIL, Cobit e PMI, fique com os três. Os resultados? Maior abrangência e aproveitamento das melhores práticas corporativas.
Que o interesse das companhias em estruturar suas operações de acordo com boas práticas previstas em frameworks disponíveis no mercado tem crescido, não há como negar. A sopa de letrinhas composta por Cobit, PMI e ITIL, por exemplo, já faz parte do “cardápio” de diversas empresas no País e avança rumo à maturação.
Segundo os especialistas, de maneira geral é passada a fase de reconhecimento primário das melhores práticas e as companhias têm olhado com cada vez mais atenção para o processo de intercâmbio de disciplinas dos frameworks. “Muitas têm compreendido que talvez não seja necessário implantar o ITIL por inteiro, mas adotar algumas áreas que lhes pareçam mais adequadas e mesclá-las com outras do Cobit, por exemplo. É chegada a fase da convergência na governança”, comenta Sergio Rubinato Filho, vice-presidente do itSMF Brasil.
César Monteiro, diretor geral da consultoria IT Partners, explica que as iniciativas são criadas a partir de um pensamento matricial, em que certas disciplinas do ITIL se cruzam com outras de Cobit ou PMI. Nas operações do dia-a-dia, as melhores práticas se encontram e fomentam a organização da companhia como um todo. “A convergência entre as diversas disciplinas de ITSM – gerenciamento de serviços de TI – é a melhor forma para levar ao que há de mais avançado em gestão”, acredita o executivo.
Na corretora de valores Hedging Griffo unir práticas previstas pelo ITIL, Cobit e PMI justamente com esse pensamento matricial foi a melhor solução para melhorar a governança de TI e alinhar as operações às demais áreas da empresa.
Segundo Renato Steinberg, CIO da companhia, de outubro de 2005 a maio deste ano, a empresa passou por uma reestruturação da equipe e apostou primeiramente no ITIL. Posteriormente, com apoio da IT Partners, a empresa incorporou disciplinas relativas a gestão de projetos (PMI) e, em seguida, partes do Cobit.
“Nunca pretendemos incorporar nenhum desses frameworks por inteiro. Nosso objetivo não é a certificação 100% em nenhum deles, mas a absorção de fragmentos em benefício do negócio”, ressalta, enfatizando ainda que os próximos passos são incorporar o CMMI no desenvolvimento de software.
Os benefícios da iniciativa já são percebidos, apesar da dolorida mudança cultural que houve nas operações.
“Fazer a mudança de comportamento da equipe foi a tarefa mais árdua, mas os procedimentos já estão melhores, mais organizados. A companhia está mais funcional hoje.”
A convergência de disciplinas deve ser a tônica também do itSMF Fórum 2006, que acontece nesta segunda e terça-feira, 16 e 17 de outubro, em São Paulo. São esperados 700 profissionais para debater as tendências de governança para 2007 e temas em evidência como a versão 3.0 do ITIL e a norma ISO 20.000, que também ganha corpo no País – e deverá certificar até o fim do ano cerca de cinco companhias.
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