Novo sistema de tecnologia da CEF irrita donos de casas lotéricas
Por Redação do Computerworld
Publicada em 11 de agosto de 2006 às 16h00
Atualizada em 11 de agosto de 2006 às 16h25
São Paulo - Migração de máquinas e novo modelo de gerenciamento tem provocado lentidão no PD, resultando na queda no movimento das lotéricas.
Os proprietários de casas lotéricas têm criticado o novo sistema de tecnologia e gerenciamento desenvolvido pela Caixa Econômica Federal, previsto para começar a operar na próxima segunda-feira (14/08) em todo o País.
A troca do sistema foi iniciada em fevereiro deste ano e, desde então, cerca de 21 mil máquinas já foram instaladas. Com a implantação do modelo lotérico, a empresa estatal passa a ter o controle do negócio no País.
“O resultado que o sistema apresenta não é a realidade que as casas lotéricas operam durante todo um dia de trabalho. Sempre tem uma diferença ou para mais ou para menos”, disse o presidente do Sindicato Empresas Lotéricas do Distrito Federal, Roger Denac. De acordo com ele, outro problema é a lentidão no processamento de dados do sistema da CEF, que provocou uma queda de 40% no movimento nas casas lotéricas da região. “Com o baixo rendimento, muitas lotéricas passaram a demitir funcionários”, revela.
Denac disse que a receita de uma casa de loteria é dividida entre os jogos e a prestação de serviços bancários. No entanto, com a dificuldade em administrar os serviços, as lotéricas enfrentam grande concorrência com bancos, correios e até supermercados.
“As pessoas estão migrando para outra rede. Isso acontece porque o usuário da casa lotérica chega e se depara com uma fila enorme. Então, ele nem entra para apostar e nem para pagar as contas”.
Em nota divulgada na quinta-feira (10/08) a Caixa Econômica Federal informou que “eventuais perdas causadas no período de troca das máquinas serão ressarcidas pela Caixa”. Além disso, a CEF informa que os eventuais transtornos causados aos lotéricos e à população nesse processo serão revertidos em benefícios maiores a todos.
Segundo o presidente do sindicato, os donos de lotéricas no Rio de Janeiro pretendem iniciar uma paralisação, caso não haja mudanças no novo sistema. Já os empresários de Brasília preferiram aguardar o prazo para que a Caixa Econômica passe a operar exclusivamente no país. Anteriormente, os equipamentos das lotéricas eram administrados pela multinacional Gtech.
Com o envolvimento da Gtech em crimes como improbidade administrativa, corrupção, tráfico de influência, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crime contra o procedimento licitatório, a empresa foi levada à CPI dos Bingos. A partir daí, a possibilidade de renovação do contrato da multinacional com a Caixa foi vetada em 14 de maio de 2006.
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