Freescale anuncia que vai fabricar comercialmente memória MRAM
Dublin - Primeiros chips comerciais baseados na tecnologia, que até então se restringia a pesquisa, terão capacidade de 4 Mb.
A Freescale Semiconductor anunciou nesta segunda-feira (10/07) a produção em escala do primeiro chip MRAM (Magnetoresistive Random Access Memory) do mercado. A nova memória, de 4 Mb (Megabits), reúne características que até então nenhum outro produto oferecia.
Ela combina a maior velocidade e a economia em preço das memórias RAM (que fazem gravações por sinais elétricos), que gravam dados apenas temporariamente, à capacidade de reter informações mesmo depois que a fonte de energia é desligada das memórias Flash (que fazem gravações por sinais magnéticos).
A tecnologia, que utiliza atração magnética para reter os dados, vem sendo pesquisada há décadas e, embora este primeiro produto não atenda algumas das expectativas originais, deve ter algumas aplicações interessantes.
Os novos chips poderiam, por exemplo, ser usados para fazer processo de inicialização instantânea do computador, segundo Andreas Wild, diretor de tecnologia da Freescale para Europa, Oriente Médio e África. A tecnologia substituiria a memória ativa usada hoje para acelerar o processo.
A MRAM também poderia substituir outros tipos de memória, como a Flash e a EEPROM (Electrically Erasable Programmable ROM), que sofrem de um problema de limitação de duração.
Estas tecnologias utilizam um componente no chip que agüenta um número limitado de reprogramações, segundo o executivo. Já a MRAM não traz o mesmo problema de dano por uso e pode suportar um número ilimitado de reprogramações, disse Wild.
Outras aplicações podem ser desenvolvidas, agora que os chips estão comercialmente disponíveis, segundo ele. “Ninguém queria desenvolver produtos e aplicativos sem a segurança de que haveria suprimento”, argumentou Wild. “Para romper este ciclo, resolvemos colocar algo no mercado que seja maduro e confiável para estimular o desenvolvimento”.
Apesar do argumento, o produto falha em atender algumas expectativas. Com apenas 4Mb, não chega perto de atender as necessidades de um iPod ou de um celular, apontou Richard Gordon, analista do Gartner.
Além disso, ficou claro nos útimos anos que o custo pode fazer com que a MRAM não cumpra uma das suas principais promessas - servir como memória única para dispositivos que normalmente contam com várias, segundo Gordon.
Por exemplo, os celulares podem usar até quatro tecnologias diferentes de memórias, cada uma mais adequada a armazenar um tipo de dado, como o sistema operacional, arquivos como fotografias e memória de trabalho.
Usar o MRAM para todas essas funções, contudo, não funciona como o planejado, segundo o analista. “A razão pela qual temos tantas tecnologias diferentes no mercado é porque todas elas fazem algo muito bem”, disse Gordon, acrescentando: “Quando você tenta fazer tudo junto, acaba comprometendo algo”.
O analista diz ainda que dificilmente o MRAM vai alcançar os Gigabytes suportados por outras tecnologias e exigidos por muitos eletrônicos de consumo. Wild, no entanto, diz que a Freescale demonstrou que a capacidade da memória é escalável e vai dobrar a cada nova geração de chips, permitindo ao MRAM alcançar outras tecnologias de memória disponíveis.
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