Apple com "Intel Inside" fica 8% mais barato
Por Daniela Braun - IDG Now! e Computerworld - EUA
Publicada em 06 de junho de 2005 às 17h33
Essa é a previsão da queda de preços nos EUA com parceria da Apple com Intel, segundo IDC. No Brasil, empresa precisa mudar modelo.
Mesmo prevista pelo setor há algum tempo, a migração de microprocessadores IBM para Intel, na linha Macintosh, anunciada pela Apple nesta segunda-feira (06/06), foi tanto aplaudida como criticada por analistas de mercado.
Na opinião do analista da International Data Corporation (IDC) Brasil, Denis Gaia, a migração é uma forma da empresa de Steve Jobs ganhar escala e participação de mercado em desktops.
"Uma hora a Apple tinha de decidir se continuava atuando de maneira forte no mercado de desktops ou se abandonaria o segmento. Acho que a empresa sentiu a necessidade de avançar um pouco mais no mercado de PCs, que ela mesma dominava na década de 70", avalia Gaia.
No primeiro trimestre deste ano, segundo a IDC, a Apple se manteve na décima posição do mercado mundial de micros com uma média de 2% de participação. No Brasil, a empresa possui menos de 1% do mercado e não figura entre os dez principais fornecedores.
O analista de mercado da IDC Brasil acredita que a economia de escala com processadores Intel traga uma redução de 8% no valor do Macintosh. Para o bolso do brasileiro, entretanto, a mudança não fará diferença sem que a empresa modifique seu modelo local de negócios.
"Se a Apple não fabricar no Brasil, não vai se tornar competitiva", sinaliza Gaia. O consultor acredita que a migração para a plataforma Intel possa fazer com que a Apple avalie a produção no País.
Negócio arriscado
Para analistas nos Estados Unidos, no entanto, o movimento da Apple é mais arriscado.
"Mesmo que o movimento para a arquitetura dual traga alguns benefícios, a retirada completa dos chips IBM seria extretamente tola", declarou Gary Barnett, diretor de pesquisas da empresa Ovum Ltd..
"A Intel não é mais a líder absoluta no design de processadores, que era há poucos anos. Recentemente, observamos inovações tanto da AMD - com melhor abordagem da computação de 64 bits - e da IBM - com uma melhor estratégia de chips de núcleos múltiplos", complementou Barnet.
Steve Fortuna, analista sênior de TI na área de hardware da consultoria Prudential Equity Group LLC, acredita que "na troca para um processador de massa, a Apple pode se arriscar a diluir a proporção de valor e ter menos controle do cronograma de lançamentos, além de alienar sua principal base de usuários fiéis."
O analista da Prudential também ressaltou que a compatibilidade de software poderia ser outra questão a ser avaliada já que desenvolvedores independentes terão de adaptar aplicações para rodar em chips Intel.
Para Jack Gold, da J. Gold Associates, "nesta decisão, ficou virtualmente assegurado que o [sistema operacional] Mac OS irá sobreviver e prosperar", já que a Apple "ganhou habilidade de concorrer com novas plataformas [de hardware] em pé de igualdade".
"Acho que Steve Jobs merece crédito. Essencialmente, ele permitiu a clonagem [de hardware] da Apple sem liberar os clones do mercado cinza, que é algo que ele deseja fazer há anos. Agora, a Apple precisa alcançar mais competitividade para ganhar participação de mercado."
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