CIOs devem criar vantagens competitivas para empresas, dizem especialistas
Por Richard Pastore, CIO/EUA
Publicada em 01 de setembro de 2010 às 16h23
Um número crescente de líderes busca gestores de tecnologia que tragam contribuições efetivas para o negócio.
Uma nova geração de CEOs — com visão mais alinhada às demandas externas — começa a surgir nas empresas. A necessidade de lidar com ambientes de negócios complexos, operações globalizadas e novas formas de relacionamento com clientes, fornecedores e parceiros tem mudado o desenho de atuação dos principais líderes das organizações. A tecnologia, por sua vez, representa um elemento essencial a esses executivos, que enxergam os CIOs como parceiros estratégicos e não mais como cumpridores de ordens, focados apenas em atividades operacionais.
Se, à primeira vista, a situação parece favorável ao gestor de TI, por outro lado, exige dele uma postura adequada. “Agora é vital que o CIO ocupe um lugar à mesa executiva, atuando como um homem de negócios”, analisa o presidente e CEO da indústria farmacêutica Bayer, Gregory Babe. “Ele tem de ser alguém capaz de me orientar e no qual eu possa confiar para chegar às conclusões acertadas”, detalha o executivo.
Em outras palavras, Babe sinaliza que os CEOs não querem que o CIO seja responsável apenas pelas atividades de TI. Buscam alguém que incentive inovação, fomente crescimento, viabilize mudanças e crie vantagens competitivas para a organização. Isso passa, inclusive, por olhar além dos muros da empresa, com o intuito de analisar os clientes e o mercado, para detectar oportunidades.
Para Suzanne Woolsey, membro do Conselho de Administração da Fluor, empresa de 22 bilhões de dólares, que atua nas áreas de engenharia, construção e gestão de projetos, o CIO tem uma chance ímpar de se destacar. Na opinião da executiva, o gestor de TI pode preencher uma lacuna nas organizações, gerada pela falta de um executivo do C-level, capaz de compreender e expressar as novas formas de observar o mundo, a partir do entendimento das mudanças provocadas pela tecnologia.
O CEO da empresa de serviços financeiros Reliance Capital, Sam Gosh, compartilha a visão de Suzanne. Ele relata que, atualmente, as tarefas do CIO da sua companhia, Sadeep Phanasgaonkar, incluem visitas periódicas às agências e aos clientes para buscar melhorias. E como forma de mensurar o resultado desse trabalho, um dos indicadores de desempenho da área de TI é uma pesquisa realizada com usuários finais sobre a satisfação em relação aos serviços oferecidos pela Reliance.
Há tempos, os CIOs argumentam que poderiam oferecer contribuições mais estratégicas se as expectativas e a cultura da companhia permitissem. Até 2012, segundo a Gartner, 25% das maiores empresas do planeta terão líderes de TI considerados empreendedores. A consultoria inclui nessa categoria os profissionais capazes de criar vantagens competitivas para a organização e que se traduzam em receita e participação de mercado.
Para atingir esse patamar de empreendedorismo, no entanto, os gestores de TI têm um longo caminho a percorrer. Segundo pesquisa da própria Gartner, mais de 60% dos CEOs consideram o departamento de tecnologia da informação como um grande obstáculo às mudanças que precisam ser implementadas nas empresas.
Na prática, os líderes de TI são pressionados a mudar o comportamento em relação ao resto da companhia e também a rever suas funções. Isso porque, tarefas tradicionais desse profissional, como buscar e gerenciar soluções, tendem ser menos relevantes, por conta da facilidade de acesso e de manuseio das tecnologias por parte dos usuários.
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