Geração Y pede mudanças entre fornecedores de TI
Por Rodrigo Afonso, da Computerworld Brasil
Publicada em 30 de julho de 2010 às 12h53
O aumento da presença de jovens profissionais no mercado estimula a criação de políticas específicas entre as empresas do setor.
De todos os desafios enfrentados pelas organizações, um dos mais recentes refere-se à capacidade de lidar com um perfil específico de jovens profissionais, que começa a entrar no mercado de trabalho e ficou conhecido como a Geração Y – pessoas nascidas por volta do final da década de 80 e início de 2000. Entre as principais características desse grupo está a vontade de aprender, a necessidade de compartilhar informações, o desejo de se destacar rapidamente na carreira e a obrigação de equilibrar vida pessoal e profissional.
Das 70 Melhores Empresas para Trabalhar em TI e Telecom, a Geração Y já representa uma parcela importante dos profissionais. “Eles respondem por cerca de 1/3 dos funcionários dessas organizações”, calcula o CEO do Great Place to Work Brasil, Ruy Shiozawa. Não à toa, ele informa que na pesquisa deste ano fica clara a movimentação das companhias, no sentido de criar políticas específicas para atender à demanda específica dos jovens profissionais.
Um dos exemplos de como a Geração Y tem mudado a gestão das empresas vem da desenvolvedora de sistemas Sydle, na qual cerca de 85% da força de trabalho está inserida na faixa etária de até 30 anos. Desde que a empresa nasceu, em 1998, tomou a decisão de adequar suas políticas à demanda dos jovens profissionais.
O diretor de recursos humanos da companhia, Victor Xavier, conta que uma das primeiras percepções foi de que não adiantaria apenas criar um espaço físico atraente ou dar a possibilidade de horários flexíveis. “Eles (Geração Y) exigem uma ruptura, pois são pessoas que precisam se desenvolver e perceber a evolução na empresa”, afirma Xavier.
Assim, como forma de criar um vínculo com a organização, a Sydle estabeleceu um programa de job rotation (rotatividade de trabalho) para todos os trainees – estudantes de cursos universitários – que entram na companhia e que correspondem a mais de 20% dos funcionários da empresa.
A iniciativa prevê que esses profissionais passem dois meses em cada um dos departamentos. “Com isso, além de prepararmos esses jovens para analisar as questões de uma forma ampla, damos a eles a oportunidade de experimentar diversas áreas”, explica o diretor. Ele informa que isso possibilita também que os trainees descubram quais as tarefas nas quais podem ter um melhor desempenho.
Em paralelo ao job rotation, Xavier conta que a empresa busca formas de contornar outra característica comum à Geração Y: a competitividade. Para isso, investe em modelos de acompanhamento e de feedback (retorno) constante do desempenho de cada um dos profissionais. “O que facilita justificar decisões, como a promoção de algum funcionário”, cita o executivo.
E a preocupação da Sydle em garantir que os profissionais entendam que a empresa toma decisões de forma transparente é justificável. Entre os principais pontos de insatisfação dos jovens profissionais entrevistados para o estudo das 70 Melhores Empresas para Trabalhar, aparece uma remuneração injusta – se comparado ao resultado que o funcionário entrega – e o favoritismo dos chefes por algumas pessoas.
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