Profissionais de integração de sistemas são escassos, diz presidente da Bull
São Paulo - Alberto Araújo revela o tipo de talento que a multinacional francesa busca no mercado e diz que CIOs são “dinossauros”.
Com planos de encerrar o ano com praticamente o dobro do seu quadro de funcionários - que contava com 300 pessoas, no final de 2006 -, a subsidiária brasileira da companhia francesa de serviços Bull tem um desafio pela frente: encontrar profissionais qualificados para atuar na integração de sistemas.
Para Alberto Araújo, presidente da Bull na América Latina, o Brasil tem um déficit de mão-de-obra qualificada para atender os novos desafios da Tecnologia da Informação. “Não há uma receita de bolo para formar o profissional ideal, por isso ele vale muito”, opina o executivo.
De acordo com Araújo, um tipo de profissional valioso para a companhia é aquele com habilidades em migração de dados. “Não é apenas tirar dados de um repositório e colocar em outro, é ser capaz de trazes sistemas de informação de uma realidade para outra”, esclarece.
Outra qualificação em alta, segundo ele, é o conhecimento em processos de negócios, ou no jargão da tecnologia, business proccess management (BPM). “Estamos falando de um profissional capaz de levar áreas de negócio ao uso intenso de tecnologia”, detalha Araújo.
Há também cadeiras sobrando para as vagas seniores de liderança de projetos, segundo o presidente da Bull. “Entregar um projeto conforme o previsto é um dos maiores desafios para uma empresa de serviços. Tem empresas perdendo rios de dinheiro por causa de má gestão de projetos no mercado brasileiro. E mais importante: um projeto não se resume aos aspectos técnicos. Um bom gestor de projetos vale muito mais que um engenheiro”, aponta o executivo.
Araújo apresenta ainda uma visão radical para o futuro da TI: a extinção do chief information officer (CIO). “Os CIOs são dinossauros”, vaticina o presidente da Bull. Ele explica que a tecnologia está se incorporando à realidade das empresas como uma ferramenta da gestão, e por isso seu uso deve ser avaliado e implementado pelos gestores responsáveis por cada área.
“Quem deve tomar decisões sobre o sistema contábil é o diretor financeiro. Quem deve escolher o sistema comercial é o diretor de vendas. E por aí adiante. O CIO pode até existir nominalmente, mas não deve ser mais do que o responsável pela infra-estrutura”, pondera. O problema, na visão do executivo, é que os CIOs brasileiros são muito pouco abertos a mudanças, atrasando o desenvolvimento das suas próprias companhias.
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