Profissões do futuro: conheça como trabalha o perito digital
Por Daniela Braun, editora do IDG Now! com a colaboração de Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 08 de março de 2006 às 08h34
Atualizada em 29 de setembro de 2006 às 17h36
São Paulo – Com o aumento de fraudes online, cresce à procura por esses profissionais. Saiba o que você precisa fazer para ser um deles.
Eles não carregam armas, nem usam o velho bordão "mãos ao alto, isso é um assalto". Não usam máscaras para esconder o rosto e podem estar a quilômetros da cena do crime.
Ao longo dos últimos dez anos, com a explosão no uso da internet, testemunhamos o nascimento de uma nova categoria de criminosos, que não deixam impressões digitais, pegadas, imagens e vozes registradas nas câmeras de segurança ou qualquer outro rastro com os quais costumávamos lidar.
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Como é possível então seguir a pista destes piratas da internet que, somente em 2005, causaram prejuízos de 300 milhões de reais aos bancos brasileiros?
Uma nova classe de especialistas lidera o contra-ataque: os peritos digitais. Eles são os profissionais responsáveis por levantar as provas necessárias para colocar os cibercriminosos atrás das grades.
A função do perito digital – também conhecido como perito eletrônico ou perito de informática – é auxiliar a Justiça a tomar decisões em casos que envolvem tecnologia da informação.
"Além de produzir laudos sobre crimes virtuais, esse profissional também atua em litígios relacionados a desenvolvimento de sistemas e direito autoral", explica Giuliano Giova, presidente do Instituto Brasileiro de Peritos em Comércio Eletrônico e Telemática (IBP).
De acordo com Giova, o perito digital é responsável, por exemplo, por determinar se uma empresa está ou não usando softwares legais, ou por produzir evidências sobre falhas em softwares em processos de clientes contra fornecedores.
Além disso, produz laudos sobre crimes como fraude, roubo e extorsão pela internet, ou redes de exploração infantil articuladas pela rede, por exemplo.
Há peritos digitais atuando tanto na Polícia Federal como nas Polícias Estaduais. Também existe uma categoria de profissionais, conhecidos como peritos ad hoc, que se dedicam à mesma atividade durante inquéritos policiais, mas sem vínculo permanente com o Estado.
Por fim, há um grande número de profissionais que atuam em processos judiciais, tanto como peritos judiciais – nomeados pelo juiz e de sua confiança –, como na função de assistentes técnicos das partes, produzindo laudos sob pedido de algum dos envolvidos na ação.
O presidente do IBP estima que hoje existam cerca de 2 mil peritos digitais em atividade no Brasil, número que deve crescer exponencialmente, na mesma proporção dos crimes cibernéticos.
"Os ilícitos estão migrando do mundo real para o virtual. Assalto a banco não vale mais a pena", brinca.
Giova chama a atenção para outro ponto: a computação cada vez mais está em todos os lugares.
"Ele está no acesso controlado – por exemplo, nas catracas do edifício em que você trabalha –, está no semáforo, no hospital. Chegamos a um ponto em que meu celular se conecta com a máquina de refrigerantes e ao banco para que eu compre o produto. Tudo passa a ser um grande sistema integrado", argumenta.
Neste cenário pintado por Giova, as possibilidades de ataques são infinitas e a demanda por profissionais capazes de encontrarem as pistas e provas necessárias para encontrar e condenar os responsáveis por estes crimes é urgente.
"É uma área imensa e muito efervescente", conclui.
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