TI nos países emergentes crescerá com mobilidade, vídeo e “nuvem”
*De Paris *
Que o mundo está conectado todos sabemos. Que a tecnologia e a rede se embrenharam de vez em nosso no dia-a-dia e mudaram as relações sociais e de negócios também não é novidade. Mas como é a conjuntura econômico-social na qual a tecnologia da informação está inserida? De que modo a TI modifica e ou responde a mudanças da sociedade? Sendo mais específico: como esse processo se dá naquilo chamamos de mercados emergentes, no qual o Brasil é um dos protagonistas?
O estudo global “Opportunities and Challenges: Navigating Emerging Markets” da Forrester Research, nos ajuda a compreender melhor esse cenário.
Apresentada na terça-feira (7/12) durante conferência em Paris com jornalistas de 16 países realizada pela Orange Business Services – divisão B2B do Grupo France Telecom -, a análise mapeia o ambiente de negócios e tecnologia nos países em desenvolvimento.
Tive a oportunidade de acompanhar a apresentação feita em Paris pela analista sênior da Forrester Research Jennifer Bélissent, que foi complementada por análises, via videoconferência, dos principais executivos da Orange Business Services na França, região Ásia Pacífico, Índia, Oriente Médio/África e América Latina.
O tripé do futuro
No cenário traçado por Jennifer, a demanda por tecnologia da informação hoje – e que será ampliada num futuro próximo – está direcionada para o tripé computação em nuvem, mobilidade e vídeo.
Em cada uma dessas áreas descortina-se uma vasta gama de serviços atuais e futuros e que envolverá vários tipos de fornecedores no mundo inteiro. Há alguns fatores que explicam essa expectativa.
Para começar, vamos recorrer a um exemplo de São Paulo, mas que serve perfeitamente para outras capitais. O estudo da Forrester aponta que 62% dos executivos que comandam a área de TI na capital paulista dizem que expansão do uso de vídeo é uma prioridade – pense no uso de videoconferências, por exemplo.
Um dos estímulos para isso é tentativa de fugir do trânsito – evitando assim perda de tempo e redução de gastos – e a queda da fronteiras para fazer negócios. É muito mais prático, rápido e barato conversar por videoconferência do que se deslocar para outro estado ou país a todo o momento.
“O Brasil conta com vários competidores fortes de TI em seu mercado. As empresas de telecomunicações também são grandes e têm influência. Além disso, será sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Tudo isso deve impulsionar o setor de TI no País”, disse Jennifer.
Outro dado da pesquisa indica que 62% dos tomadores de decisão nas companhias no mundo inteiro querem priorizar soluções de mobilidades para estar em contato permanente com colaboradores e clientes.
“O interesse pelos mercados emergentes não de dá mais só por mão de obra de baixo custo, mas também pela orça do mercado interno”.
Contexto
O que favorece a expansão e a maior complexidade dos serviços de TI são aspectos como o alto crescimento da população nos países emergentes, o ritmo acelerado de urbanização e a globalização.
Podemos incluir na lista o fato de que os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) mostram-se fortes economicamente, com mercado consumidor interno pujante e em busca de esticar os braços para além de suas fronteiras.
A Orange Business Services credita, por exemplo, parte de sua expansão na América Latina ao atendimento de multinacionais brasileiras que avançam no exterior.
Para dar uma idéia, a população global deve crescer 30% entre 2010 e 2050, segundo a Forrester. Mas a expansão de apenas 3% nos países desenvolvidos contrasta com o crescimento de 96% na população dos países em desenvolvimento.
A projeção é de que a população urbana cresça de 3,4 bilhões de pessoas para 6,3 bilhões em 2050, com a explosão de “megacidades” – de apenas em 1975 para 29 em 2025. Em 2030, 75% da classe média global estará nos países emergentes, estima a Forrester.
Desafios globais
Se é responsável por imensas possibilidades de negócios e de inovação, esse panorama também acende o sinal de alerta para questões delicadas hoje já conhecidas e que devem se acentuar daqui por diante, a saber: a escassez de energia e de água e problemas de transporte e segurança pública.

TI pode se beneficiar do desenvolvimento de cidades inteligentes
Diante dessa conjuntura, a TI pode ser uma aliada dos governos para encontrar soluções sustentáveis e de baixo impacto nessas áreas, assim como em educação, saúde, construção civil e serviços públicos.
“As ‘cidades inteligentes’ e os ‘governos inteligentes’ vão buscar novas soluções de tecnologia. Assim, novos negócios e inovação na área devem surgir”, analisou Jennifer Bélissent, da Forrester Research.
* O jornalista viajou a Paris a convite da Orange Business Services



Jornalista, é Editor de Opinião e Redes Sociais do Now!Digital, que edita o IDG Now! Formou-se pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, já trabalhou em redações de TV, jornal e foi colaborador de diferentes revistas. 


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