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Projeto NeoFluxo mapeia conteúdo sobre eleição presidencial na internet

O Grupo de Pesquisa Comunicação, Tecnologia e Cultura da Rede do Programa de Mestrado da Cásper Líbero (Teccred) realizou um projeto para mapear o conteúdo relacionado à eleição presidencial na internet.

Chamado de NeoFluxo, o projeto foi planejado para coletar informações e dados de fontes oficiais dos principais candidatos (Facebook, YouTube, Flickr, Twitter e site oficial) e menções específicas no Twitter. Foram analisados dados de Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva.

Divulgado há alguns minutos, o programa, que contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), armazenou mais de 20 milhões menções aos candidatos e palavras- chave definidas pelos pesquisadores.

O Neofluxo é coordenado por Walter Lima, pós-doutor em Tecnologia e Comunicação, professor do Programa de Pós-graduação da Cásper Líbero e colunista do IDG Now!

Campanha

O objetivo foi fornecer dados e permitir análises que contribuam “de maneira efetiva para a compreensão dos novos fluxos informativos na Web, cujo papel foi extremamente debatido durante a campanha”, dizem os organizadores por meio de comunicado.

O material está livre para consulta e cruzamento de dados e pesquisas, inclusive com a possibilidade da construção de APIs.

Horário eleitoral

O Teccred usou como metodologia para a coleta de dados palavras-chave escolhidas pelos pesquisadores com base no horário eleitoral dos candidatos na TV.

“Para identificar o fluxo informativo e verificar quais mensagens e orientações dos candidatos influenciaram discussões, o NeoFluxo tomou como base o Twitter – rede que alcançou 8,9 milhões de visitantes em agosto de 2010, segundo a comScore”, diz o comunicado sobre o projeto.

O NeoFluxo coletou as atualizações dos canais oficiais (Twitter, Facebook, YouTube, Flickr e site) de Dilma e Serra entre 11/09 a 03/10 e, durante o segundo turno, de 08/10 a 29/10.

No mesmo intervalo foram armazenados dados no Twitter. As atualizações da candidata Marina Silva também foram coletadas de 23/09 a 03/10.

O resultado da coleta traz mais de 20,2 milhões de citações aos termos inseridos pelos pesquisadores: “Dilma”, “Serra” e “Marina”. A candidata eleita contabiliza mais de 1,6 milhão de citações diretas; enquanto José Serra alcança 1,3 milhão.

Estamos acompanhando o assunto. Voltaremos ao tema em outros posts, com análises sobre o conteúdo coletado.

Debate da Globo gera quase meio milhão de tweets

A E-life, empresa especializada em monitoramento de redes sociais, divulgou levantamento sobre a repercussão no Twitter do debate com os candidatos a presidente promovido pela Rede Globo, ontem à noite.

Do período das 21h do dia 30/9 às 5h de hoje ( 1/10), foram computados 413.131 tweets relacionados ao debate. Desse total, Dilma Roussef (PT) foi responsável por 37,9% das citações.

Marina Silva (PV) ficou com 23,4%, enquanto José Serra (PSDB) recebeu 19,9% e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), 18,9%.

O pico de mensagens relacionadas ao debate aconteceu por volta das 23h, com cerca de 60 mil tweets.

Termos mais associados
Os termos mais relacionados à candidata do PT foram “Dilma” (162.599), seguidos por “Serra” (31402), “Marina” (25881) e “Lula” (18065).
Pelo monitoramento, constata-se a forte associação entre os termos Lula e Dilma – muitas vezes ambos são citados em conjunto, segundo a E-Life.

No caso de Marina Silva, os termos mais relacionados são “Marina” (90866), “Dilma ( 34006) e “Serra” (27483).

Com José Serra, lidera a palavra “Serra” (84611), seguida por “Dilma” (31605) e Marina (22581).

As citações ao candidato do Psol também se deram principalmente pelo seu nome próprio nome (55529), com “Dilma” logo em seguida (25584) e “Serra” 20334).

As relações entre o nome de um candidato com os demais remetem a interação com os concorrentes, comparações ou críticas.

Mais informações a seguir.

6 dicas de sites que ajudam você a escolher seus candidatos

As eleições serão no próximo (3/10). E aí, já escolheu seus candidatos? Se ainda não tiver definido, temos umas boas dicas de sites para buscar informações sobre os postulantes a cargos públicos.

Sites auxiliam com informações sobre biografia, situação perante a Justiça e projetos defendidos

Sites auxiliam com informações sobre biografia, situação perante a Justiça e projetos defendidos

Se já tiver escolhido, convido você da mesma forma para dar uma espiada na lista abaixo – isso pode fazer você repensar o seu voto ou ir mais seguro para as urnas.

A listagem abaixo foi feita a partir de sugestões publicadas pela Agência Câmara. São boas ferramentas de apoio, que municiam o eleitor com informação de vários tipos, como a biografia, vida pregressa e afinidade políticas, determinadas a partir do que o candidato pensa ou defende sobre diversas questões.

1. Divulgação de Registro de Candidaturas

Disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral ( TSE), o serviço traz informações sobre todos os candidatos desta eleição no País inteiro. É possível acessar por Estado, escolhendo a situação e o cargo.

2.Ficha Limpa
Site do movimento Ficha Limpa, lei que impede que políticos com condenação na Justiça concorram às eleições. Em vez de destacar os “fichas sujas”, o canal aponta aqueles que estão com a ficha limpa. Por isso, abre espaço para candidatos cadastrarem no site suas candidaturas, que passam por verificação dos responsáveis pelo site – eles analisam se o postulante está mesmo com a ficha limpa (sem condenações na Justiça).

Aqueles que estivem “limpos”, constam na relação do site para consulta dos eleitores. Isso significa que, além de colocarem à favor da lei Ficha Limpa, os candidatos se comprometem com a transparência por meio da prestação de contas de sua campanha eleitoral, informando semanalmente a origem dos recursos obtidos e os gastos efetivados.

3.Extrato Parlamentar
Este site calcula a afinidade política entre as ideias dos candidatos a deputado federal e o que você pensa. O cálculo é feito a partir de modelos matemáticos baseados na posição do parlamentar sobre os temas listados, que leva em consideração o banco de dados legislativo do Cebrap, um dos responsáveis pelo site – o Extrato Parlamentar também tem como parceiro o Movimento Voto Aberto, entre outras instituições.

4. Repolítica
Aqui o objetivo também é apontar afinidades com as ideias de candidatos. A diferença em relação ao Extrato Parlamentar, no entanto, é que ele inclui também candidaturas à presidência, governo, senado e deputado estadual. Os apontamentos do Repolítica são feitos a partir do “cruzamento da opinião da comunidade, que avalia ética, ideologia e prioridades do político, com dados da Transparência Brasil e do TSE, que exibem questões como ficha criminal e projetos apresentados.”

5. Projeto Excelências
Mantido pela ong Transparência Brasil, o site divulga informações sobre os parlamentares em exercício em todas as esferas políticas – federal e estadual e vereadores, num total de 2368 políticos. Os dados são obtidos de fontes públicas ( Casas legislativas, TSE, tribunais estaduais e superiores, tribunais de contas e outras) e de outros projetos mantidos pela Transparência Brasil, como o “Às claras”, sobre financiamento de campanhas, e o “Deu no jornal”, com notícias sobre corrupção.

6.Câmara dos Deputados
O site da Câmara informa é útil para conhecer melhor os candidatos que postulam a reeleição. O canal traz a biografia dos deputados em exercício, discursos, votações em plenários, presença em plenário e em comissões e projetos que apresentou.

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Abilio Diniz no Twitter: culpa por anúncio que fala em derrota do Brasil é da Folha

O presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, Abilio Diniz, usou seu perfil no Twitter para pedir desculpas, “em meu nome e do Grupo, aos brasileiros e, principalmente, aos jogadores da seleção” pela publicação equivocada do anúncio publicitário do Extra na Folha de S.Paulo.

Na edição de hoje do jornal, uma peça publicitária da rede de supermercados do Grupo dizia: “Valeu, Brasil. Nos vemos em 2014.”

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Empresário diz que “irá responsabilizar os culpados”

No título do anúncio consta a seguinte mensagem:

“A Iqembu le sizwe sai do mundial. Não do coração da gente”, explicando em seguida que o trecho em zulu quer dizer “seleção”.

“Ontem o Brasil fez seu melhor jogo na #Copa. Infelizmente, a Folha de SP cometeu um grave erro com o anúncio do Extra, o que é inadmissível”, escreveu Diniz.

“Estou ao lado dos que se indignaram com o anúncio publicado erroneamente pelo jornal.”

“Não compartilhamos com a impunidade e tomaremos as providências, que não eliminarão o erro, mas irá responsabilizar os culpados.”(sic)

O Extra é um dos patrocinadores oficiais da seleção brasileira.

A posição da Folha

A Folha de S.Paulo acaba de divulgar um comunicado em que afirma que publicará uma errata na edição desta terça-feira (30/6).

“A Folha de S.Paulo esclarece que no dia 29/6/2010, no Caderno Copa 2010, pág D11, foi publicado equivocadamente um anúncio do Hipermercado Extra, devido a problema ocorrido na área de inserção de anúncios. Lamentamos o erro.”

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Erros e acertos das previsões sobre o futuro da tecnologia

O sonho de futuro move o homem há séculos. A partir da Revolução Industrial, no entanto, as conquistas proporcionadas pela tecnologia – vide a máquina a vapor, telégrafo, telefone, a energia elétrica e o cinema, entre outras – colocaram a humanidade num outro estágio e fizeram a imaginação humana ir ainda mais longe.

Assim, durante o século XX brincamos de criar o futuro pelo cinema e, mais tarde, pela televisão. As empresas não ficaram atrás e também fizeram seus filminhos sobre o que a tecnologia nos reservaria no futuro.

Pensando nisso, eu e o William Marchiori, também do Now!Digital, buscamos alguns exemplos desses exercícios de futurologia.

E encontramos o clipe abaixo, que é parte do filme “1999 A.D.”. Ele mostra um dos primeiros conceitos do que chamamos de comércio eletrônico. Os autores acertaram em cheio na ideia, embora essa atividade tenha ido muito além do que eles poderiam ter imaginado, sem contar a evolução no hardware do computador.

A Intel também fez suas previsões. Uma delas foi a famosa “Casa do Futuro”. O vídeo, lançado na década passada, projeta como as casas serão num futuro não muito distante: o ano de 2010.

Em linhas gerais, eles acertaram: todas as tecnologias citadas no vídeo existem, como o tablet. O que a empresa não pensou é que as interfaces dos dispositivos seriam infinitamente mais bonitas do que as telas estáticas apresentadas, com diversos efeitos como transição.
E deixou escapar a mobilidade: não vemos nenhum smartphone no vídeo. A prévia de câmera digital também fracassou, já que hoje temos dispositivos muito mais evoluídos.

As apostas para o futuro

Algumas tecnologias tornaram-se realidade exatamente como o previsto, enquanto outras tomaram um rumo diferente e foram além do que, no passado, seria possível imaginar. Mas as previsões nunca param, tanto que já temos uma série de conceitos sobre como a tecnologia nos reserva nas próximas décadas.

Uma das sugestões que parecem estar no caminho certo é a chamada Casa Automatizada, ou E-Home. O conceito deste ambiente é simples: tudo é conectado. É possível controlar cada função da residência, como abrir ou fechar as cortinas, com qualquer controle remoto, como o do Xbox360.

Já a Microsoft acredita na interação com os computadores em cada canto da casa. Por meio de telas especiais e projetores, todas as informações são exibidas diretamente em mesas ou paredes e tudo é controlado por voz ou reconhecimento de objetos e pessoas.

E, por fim, não poderíamos deixar de citar as previsões para as tecnologias móveis. A campanha “You Will”, da AT&T, sugere um compartilhamento de informações em tempo real avançado. Já conhecemos parte dessa tecnologia, mas ela ainda é um pouco cara e são poucos os que têm acesso a ela.

E você, leitor, o que diz? Quais são suas apostas para o futuro?

O que é cyberbullying e por que esse assunto é importante

Bullying é o termo usado para definir comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, sem uma razão aparente e que ocorrem entre adolescentes e crianças. São aquelas zombarias perversas que prejudicam a vida de determinados alunos – situações que muitas vezes descambam para a violência, física ou emocional.

Cyberbullying

Cyberbullying tenta amedrontar a vítima

O cyberbullying é a variação desse problema no ambiente digital. Pela velocidade da expansão da web, fixa e móvel, o tema despertou a atenção de pesquisadores e especialistas.

A diferença principal entre o bullying e o cyberbullying é que, no virtual, o anonimato acoberta o agressor – isso apenas num primeiro momento, pois uma investigação judicial permite a identificação posterior.

Ataques pela internet

A versão virtual do problema se manifesta por meio de redes sociais, torpedos, blogs e comunicadores instantâneos, entre outros canais. Por meio de perfis falsos ou anônimos, o agressor espalha boatos maldosos com o objetivo explícito de prejudicar alguém.

Trata-se de um assunto que merece a atenção de pais, educadores e, claro, das crianças e adolescentes. Segundo a pedagoga Cleo Fante, pesquisadora do assunto, é preciso ter em mente que o bullying e o cyberbullying são problemas que ocorrem apenas entre adolescentes e crianças. No caso de adultos, ele é tratado como assédio moral – ou virtual, se for na internet.

“Antes o perigo estava na rua, na escola. Agora, está também na web”, afirma Cleo.

Seja na versão tradicional, seja na digital, os objetivos são parecidos:  amedrontar, perseguir, tiranizar, difamar, abusar ou chantagear.

A intenção de Cleo, que debateu o tema em encontro organizado nesta quarta-feira (3/3)  pela empresa de segurança McAfee, não é instaurar o pânico em relação à internet,  mas apenas alertar para o fato de que, com a disseminação das redes sociais e da web móvel, a ocorrência do cyberbullying ficou mais fácil, o que exige novos cuidados.

Cyberbullying 2

Redes sociais facilitam disseminação

Para auxiliar pais, educadores e os próprios adolescentes e crianças que navegam na rede, Cleo preparou algumas dicas para lidar com o cyberbullying.

Doutoranda em Ciências da Educação, Cleo Fante pesquisa o bullying escolar desde o ano 2000. É coautora, com José Augusto Pedra, do livro “Bullying Escolar – perguntas e respostas” (Editora Artmed).

Veja as dicas:

  • · Acompanhar a relação de seu filho com a internet é uma medida necessária. Procure saber por que sites ele navega e com quem se relaciona nas redes sociais.
  • · Estabeleça limites. Faça um acordo com ele e defina a quantidade de horas livres para usar a web.
  • · Em vez de instalar o computador no quarto, deixe-o em uma “área pública” da casa, como a sala. Nesses locais, é mais fácil saber por onde ele navega.
  • · Demonstre interesse sobre o universo digital. Converse com ele sobre redes sociais, internet, abra esse tipo de diálogo.
  • · Oriente-o sobre os riscos que existem no ambiente digital, como o contato com pessoas estranhas que podem estar mal intencionadas.
  • · Alerte-o para os cuidados que devem ser tomados com a privacidade. Converse sobre os perigos de postar fotos, dados pessoais ou lugares frequentados.
  • · Todo o cuidado é pouco com a webcam. Muitos adolescentes se expõem em demasia na frente da câmera do computador, colocando-se em poses sensuais ou até mesmo nuas. O detalhe é que essas imagens podem ser remontadas de modo a atacar a reputação da pessoa.
  • A vítima de cyberbullying deve reunir todas as provas possíveis dos ataques sofridos, como cópias de e-mails, mensagens SMS, de telas de blogs ou perfis de redes sociais. É importante salvar e imprimir o conteúdo, inclusive bate-papos em comunicadores instantâneos. Para ter validade jurídica, as provas devem ser registradas em cartório e deve-se fazer uma declaração de fé pública, para provar que o crime foi cometido. O passo seguinte é procurar uma delegacia comum ou especializada em crimes cibernéticos e fazer uma queixa-crime.
  • Outra medida importante é notificar o provedor do serviço de internet para  que o conteúdo ofensivo seja removido.

Conexões bancárias via satélite no coração do Rio Solimões

Com comunicação online e operação via satélite, uma agência fluvial montada pela Rede Ponto Certo para Bradesco trafega Rio Solimões adentro e permite que comunidades ribeirinhas de Manaus  tenham acesso a serviços bancários.

O editor-assistente do IDG Now!, Robinson dos Santos, foi até lá conferir o projeto e conta a história aqui no Nave Digital. Veja abaixo a reportagem.

Por Robinson dos Santos *

Tabatinga (AM) – Tal como faz seu pai, e fazia seu avô 20 anos atrás, André Luiz de Araújo,  de 28 anos, conduz com tranquilidade seu grande barco Voyager III pelo sonolento rio Solimões até Atalaia do Norte. Como piratas de verdade, vamos abordá-lo no dia 9/2 em pleno rio, já perto de Tabatinga, uma cidade distante 1.000 km de Manaus (ou 1.600 km pelo rio) e um canto do mundo em que o Brasil encontra – de um lado do rio – o Peru e, do outro lado da rua, a cidade de Letícia, na Colômbia.

rio_solEntre uma transação e outra, a paisagem

Ao partir de Manaus recheado com 60 toneladas de mercadorias, de alimentos perecíveis a bicicletas, de geladeiras a DVD players, além de passageiros que pagam 300 reais pela viagem, ele e sua tripulação sabem que vão passar os próximos oito dias e noites no rio, abastecendo comerciantes e moradores das comunidades ribeirinhas com as últimas novidades da Zona Franca. Mas André viaja com algo que seus antecessores nem sonhavam: uma agência bancária móvel, que permanece online graças a uma conexão permanente via satélite.

Inaugurada no começo de dezembro, a novidade foi implementada pela Rede Ponto Certo para o banco Bradesco. Dentro do barco, cuja pequena loja de conveniência a bordo também funciona como correspondente bancário, a gerente Luzia Morais ajuda seus eventuais clientes a operar a tela touch screen do totem do terminal de autosserviço do Bradesco, projetado e instalado pela Rede Ponto Certo – que, além de consultas e concessão de empréstimos, também permite a abertura de contas. Os funcionários do barco foram os primeiros a abrir, e o povo das comunidades vêm aderindo à facilidade.

“Foi muito bom, temos bastante cliente”, diz Luzia, a respeito da chegada do atendimento no barco. Sua rotina é bem diferente da que se costuma esperar de um bancário de terra firme. Luzia mora em Tabatinga mas, para começar o trabalho, viaja até Fonte Boa. De lá, passa pelas comunidades ribeirinhas, como Belém do Solimões, e também por Tabatinga, até chegar a Atalaia do Norte. Só este último trecho leva oito horas para ser percorrido pelo barco (nos rios amazônicos, a distância é medida em horas, não em quilômetros).

Cruzeiro popular

O atendimento começa às 8 horas da manhã, mas “se for cinco da manhã e chegar no porto, estou aqui para atender”, conta. Como única funcionária do Bradesco no barco, ela faz de tudo, da abertura de contas à ajuda na operação do totem. “Em crédito, geralmente faço o online, que está pré-aprovado. Os outros eu preencho a proposta e mando para a agência, pois não tenho como aprovar aqui”, explica. E sua agência não tem a assepsia a que estamos acostumados nos bancos das cidades. Da janela da sua saleta, ela vê, além do totem eletrônico vermelho, dezenas de redes coloridas que, penduradas no teto da embarcação, servem de camarotes improvisados nesse cruzeiro popular.

banco_fluvial_barco

Agência bancária móvel opera por satélite

Mas uma coisa a agência fluvial do Voyager III pode dizer que tem, tal como as da capital: a comunicação online. Se você tiver um cartão de débito do Bradesco, poderá consultar seu saldo, como se estivesse na Avenida Paulista – e provavelmente utilizando de um ambiente bem mais seguro. O diretor de relações institucionais da Rede Ponto Certo, André Martins, acredita que a agência fluvial é a única do mundo a operar em trânsito – uma opinião, diz ele, ouvida de um diretor do Banco Central. “De fato, não encontramos nada parecido”, argumenta.

Esse posto móvel – que, no jargão do Bradesco, recebe a sigla PAA (posto de atendimento avançado) – é o primeiro do tipo. Mas não é o único a operar com satélite. O banco, por meio da Rede Ponto Certo, também instalou sistemas baseados em satélite em Belém do Solimões, uma comunidade remota organizada com ruas, lotes, escola, igreja e um campo de futebol, habitada por cerca de 5 mil índios da etnia ticuna e distante três horas (de “voadeira”, um barco rápido) de Tabatinga, sentido Manaus.

Correspondentes indígenas

Dois desses índios, Lucila Paganta e Juvenal Macun, que são donos de mercearias, aceitaram atuar como correspondentes bancários do Bradesco. Em dezembro, eles receberam os terminais de ponto de venda, modems e antenas de satélite com o logotipo Ponto Certo, eles oferecem diversos serviços bancários, como saques, depósitos, consultas, pagamentos e até abertura de contas – um teclado de PC ligado ao terminal permite o preenchimento do cadastro completo.

Lucila Paganta ampliou seus negócios e já constrói uma loja maior, com ajuda de um empréstimo. Ela comemora a vinda de mais clientes ao seu estabelecimento, e diz que hoje até moradores de outras comunidades a procuram, para comprar ou sacar dinheiro usando seu cartão de débito.

banco_fluvial_clienteServiço permite fazer saques

“É muito sofrido ir ate Tabatinga e receber dinheiro”, conta Lucila, que toca o pequeno empório com suas irmãs (são sete, mais quatro irmãos). “De canoa, são oito horas de viagem. Tem roubo, tem assalto, fica dificil. Aqui não, é muito mais fácil”, afirma. Desde que começou a operar como correspondente, ela já abriu 11 contas e fez 180 transações. A tarefa de operar a maquininha ficou com as irmãs, pois Lucila não estava quando o técnico veio para fornecer as instruções.

A notícia de que Lucila tinha virado “banqueira” se espalhou, e os reflexos nos negócios foram imediatos. “Graças a Deus [o movimento] aumentou. Tem pessoas que estão querendo dinheiro [para saque], mas depende da minha venda. Todas as comunidades dos igarapés estão vindo. Eles nem vão mais a Tabatinga, vêm direto para cá. Não consigo nem almoçar mais”, conta, rindo.

Mais reservado, Juvenal não é tão falante quando Lucila. Mesmo assim, o pequeno comerciante aceitou ser correspondente e já fez 100 transações. Quando o visitamos, porém, sua máquina estava travada, com uma mensagem em inglês no visor. “Alguém fez alguma coisa com a máquina. Não deixe seus filhos mexerem”, aconselhou o diretor André Martins, da Rede Ponto Certo. Para voltar a operar, será preciso a visita de um técnico.

Não que a vida tenha ficado muito mais fácil em Belém do Solimões. A mesma casa de madeira que tem uma antena de satélite e um reluzente aparelho de som Sony está há oito meses sem abastecimento de água, culpa de um defeito na bomba que ninguém ainda consertou. Como paliativo, a comunidade tem que coletar água da chuva para cozinhar.

banco_fluvial_atmPosto móvel funciona em trânsito

Não há sistema de esgoto, e o fornecimento de energia elétrica é intermitente. A principal marca da presença governamental na comunidade é uma escola estadual de ensino fundamental que, quando a visitamos, servia de dormitório a dezenas de índios que vieram participar das primeiras Olimpíadas do Ewaré, com provas como canoagem, zarabatana e arco e flecha.

Nativos digitais

E a geração dos nativos digitais também deixa sua marca na comunidade de Belém do Solimões. Enquanto  comerciantes como Lucila e Juvenal penam para operar as máquinas, paralisando diante de mensagens de erro, seus filhos e irmãos mais novos não têm medo de mexer nos terminais – consequência, talvez, do uso de computadores no ensino da única escola da comunidade, onde professores da rede pública do Amazonas lecionam acompanhados, na sala, por colegas indígenas.

A Rede Ponto Certo diz que já instalou 1.500 equipamentos para correspondentes bancários do Bradesco, em pequenas cidades e vilas dos estados do Piauí e de Minas Gerais. E já existem 300 terminais de autosserviço espalhados pelo Brasil, todos mantidos e monitorados pela empresa – 80 deles com conexão via satélite. A meta, diz André Martins, é fechar 2010 com 1.000 terminais, e o Bradesco já sinalizou o desejo de ter mais duas agências fluviais, uma no Amazonas e outra no Pará, na Ilha do Marajó.

barco_terminal_posComunidades ribeirinhas são atendidas

A chegada do banco via satélite a comunidades indígenas ribeirinhas certamente não vai resolver os problemas mais urgentes. Mas, ao dar a oportunidade para que seus moradores desenvolvam seus negócios, pode, a médio prazo, mudar a vida de mais pessoas. Inclusão bancária e inclusão digital mostram que não são parentes distantes, e que em alguns casos podem ser até irmãs. Há uma luz na beira do rio.

* O jornalista viajou a convite dos responsáveis pela agência fluvial.