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Violência no Rio: redes sociais têm mecanismos para desmentir boatos

A repercussão das notícias sobre a violência no Rio de Janeiro demontra que as redes sociais têm mecanismos eficientes para desmentir boatos. A afirmação foi feita em podcast ao IDG Now! por Sérgio Amadeu, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo e um dos principais estudiosos da cibercultura do País.

“Não temos uma pesquisa minuciosa sobre isso ainda. A gente tem hipóteses e analises feitas a partir de entrevistas com pessoas que usam muito a rede e que confirmam o seguinte: um boato pode se espalhar muito fortemente. Mas ele é rapidamente desmentido. É a primeira constação. A segunda constatação é que diferenciar boatos de campanhas temática ou política”, afirma Amadeu, que é ex-presidente do Instituto de Tecnologia da Informação, órgão ligado à Casa Civil da Presidência da República.

Ele também analisa a situação atual e o desafios para o jornalismo cidadão no Brasil hoje.

Basta clicar abaixo para ouvir o podcast.

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Campanha pela paz no RJ quer engajar usuários do Twitter

A crise da violência do Rio de Janeiro é uma boa ocasião para colocar à prova a estratégia de redes sociais do governo do Estado. Iniciado há um ano, o projeto conta com uma série de canais e ações em andamento no Twitter, Facebook, YouTube e Orkut, num trabalho que foi intensificado nesta semana em razão da luta contra o tráfico.

Um exemplo prático:  o subsecretário de segurança Edval Novaes, definido no projeto como o porta-voz para mídias sociais, respondeu na tarde desta sexta-feira (17/11) perguntas de internautas via Twitcam.A conversa durou cerca de meia hora.

O objetivo foi atualizar a população sobre o desenrolar das ações de combate ao tráfico e tirar dúvidas. Ele espera, assim, evitar “boataria, informações desencontradas e aproximar cidadão e governo”, explica Risoletta Miranda, diretora-executiva da FSB Digital, empresa que coordena o projeto de mídias sociais do governo do Rio de Janeiro.

Ontem Novaes também conversou com os internautas e deve repetir a dose nos próximos dias. ‘Ele é o porta-voz do governo para as redes sociais. O foco da estratégia é dar informações, com o máximo de entrevistas possível, e assim evitar a boataria e o pânico”, diz Risoletta.

“Na ação de ontem, durante a coletiva do secretário Beltrame, houve 250 mil exposições no Twitter, com mais de 180 mil tweets com a hastag que criamos para esse fim:#beltrame”

Campanha pelo Twitter

Outro exemplo de ação surgiu hoje. O GovRJ, nome do projeto de redes sociais do governo, criou a campanha “Paz no Rio”, que tem no Twitter seu principal canal de difusão. A ação consiste em estimular os usuários para que eles insiram selos em defesa da paz no Rio de Janeiro em seus perfis de redes sociais, especialmente o Twitter e o Facebook. O serviço utilizado para isso é o Twibbon.

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Naila Oliveira, profissional da FSB Digital responsável pela coordenação do projeto de redes sociais do governo, explica que a atuação em cada canal da web respeita as características do meio, com linguagem e comunicação direcionadas.

O Facebook, por exemplo, privilegia o engajamento e discussões, especialmente por parte as classes A e B, que respondem pela maior parte do público do site.

O Orkut, muito representado pela classe C, destaca informações de interesse público. Durante as chuvas de fevereiro, por exemplo, o GovRJ usava seu perfil do Orkut para informar sobre escolas que ficariam sem aulas.

No canal do GovRJ do YouTube,vídeos com entrevistas de Novaes e também de José Mariano Beltrame, secretário de segurança, e também de Sérgio Cabral, governador, entre outros.  No Flickr, fotos de eventos e outras atividades do governo. A estratégia não contempla blog.

O Twitter funciona como canal de informação e também como ponto de convergência entre todos os canais, pois, por meio dele, os usuários são estimulados a visitar os demais canais.

Convergência, aliás, é um tema que Risoletta afirma ser uma busca constante, na rede e também com a assessoria de imprensa do governo do Rio, de responsabilidade de outra divisão da FSB. “Estamos sempre em contato com a assessoria para as ações sairem coordenadas”.

Uma observação a fazer

Percebe-se que a estratégia de redes sociais delineada levou em consideração o perfil de cada canal e fez um estudo sobre a melhor maneira de utilizá-los. Mas uma questão a ser observada é que o portal do governo não está integrado ao projeto – a FSB Digital foi contratada para criar e executar as ações de redes sociais, por isso não responde pelo portal.

Assim, o portal “não conversa” com os demais canais de redes sociais. O usuário – eu fiz essa experiência – enfrentará dificuldade básicas, como, por exemplo, achar rapidamente no portal botões que encaminhem para Twitter, Facebook e YouTube, só para citar alguns exemplos simples.  O mesmo raciocínio vale para a distribuição rápida e fácil de informações de interesse público contidas no site.

Em reação ao racismo, internautas preparam Dia do Nordeste no Facebook

O onda de tweets racistas que proliferou nas redes sociais – especialmente no Twitter – depois dos resultados das eleições presidenciais estimulou a criação do Dia do Nordeste do Facebook.

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A iniciativa é tratada como um evento da rede social – por meio de um recurso do Facebook, pessoas são convidadas a participar por meio de comentários e conversas.

O Dia do Nordeste está programado para ser realizado entre a zero de sábado (dia 6/11) e zero do domingo (7/11).

A definição de uma data tem o efeito simbólico e funciona para mobilizar as pessoas para aquele dia específico. Afinal, hoje mesmo já é possível entrar e se manifestar.

Cultura nordestina

O objetivo é postar mensagens positivas (vídeos, comentários tc) relacionadas ao Nordeste e que destaquem questões culturais, por exemplo, conforme me explicou Mira Caetano, uma das organizadoras do Dia do Facebook no Nordeste.

“Essa ideia surgiu de um sentimento de indignação muito grande que senti com os posts no Twitter. Não sou nordestina, sou paulista, mas vivi na Paraíba durante quatro anos e me senti profundamente atingida. Então pensei que poderíamos dar uma resposta criativa a essa ‘xenofobia’ reacionária ao Nordeste”, disse Mira, que é cientista social formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Por volta das 12h30 de hoje, a página contava com a confirmação de mais de 850 pessoas.

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Apagar comentário racista não livra internautas de processo, diz advogado

Com a imensa repercussão negativa do episódio de racismo no Twitter, há usuários que apagaram de seus perfis na internet mensagens que atacam os nordestinos. Há casos até de vários perfis que foram retirados da web.

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É possível constatar isso com uma rápida olhada nos perfis listados na página Xenofonia não! O canal traz a reprodução de uma série de tweets com conteúdo pejorativo em relação aos nordestinos.

Ao clicar em muitos deles, nota-se que vários perfis que continham mensagens racistas não existem mais.

Efeito judicial

Se a intenção for ficar livre de possíveis processos, como o que sofrerá uma usuária de São Paulo, alvo de notícia-crime feita pela OAB-PE, o efeito pode ser nulo.

Isso porque, se houver alguma prova do crime – um print screen da tela com a mensagem, entre outras provas, desde que com a veracidade provada pela perícia -, o internauta é passível de processo do mesmo modo, afirma o advogado Rony Vainzof, sócio do escritório Opice Blum Advogados e professor de Direito Eletrônico no Mackenzie e da Escola Paulista de Direito.

“Se houver a materialidade do ato criminoso, ele pode ser processado mesmo que tenha retirado da internet de seu perfil de rede social”, afirma Vainzof.

O que acontece se a pessoa pedir desculpas?

Uma das dúvidas que surgiram no caso das ofensas aos nordestinos no Twitter diz respeito à possibilidade de retratação: a pessoa que tiver feito um comentário ofensivo pode ficar livre de processo se pedir desculpas publicamente?

“Se for uma acusação de calúnia ou difamação, é possível haver exclusão da pena, não da indenização por danos morais. Mas se o crime for enquadrado como racismo não cabe retratação. O episódio envolvendo mensagens contra os nordestinos no Twitter, por exemplo, pode ser tipificado como racismo”, afirma.

“É importante dizer que essas penalidades sobre as quais estamos falando servem não só para os casos de racismo na rede contra nordestinos, mas também aos ferem outros grupos, como judeus, negros etc”, reforça Vainzof.

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Os blogs e outros espaços interativos mantidos por internautas exerceram uma função mais importante que os canais oficiais dos candidatos nas eleições de 2010. E, nesse contexto, chama à atenção o papel de protagonista das redes sociais, especialmente o Twitter. O microblog foi usado pelos candidatos não para necessariamente para conquistar votos, mas para pautar a mídia tradicional.

Essa é a avaliação feita por Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador de redes sociais e do uso da internet em eleições, em podcast a este blog do IDG Now!

“Este foi  o ano da institucionalização da internet pelas campanhas oficiais”, afirma Coutinho, também diretor de inteligência de mercado do Terra.

A twitcam de Plínio

Um dos destaques no uso do Twitter foi o candidato a presidente Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, diz Coutinho.

Clique no player abaixo para ouvir o podcast.

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A tecnologia pode contribuir para um planeta sustentável?

Sustentabilidade, consumo responsável, defesa do meio ambiente: quantas vezes não ouvimos e lemos essas palavras em nosso dia-a-dia? Entende-se a razão: o planeta se encontra no limite da exaustão, com um modelo de sociedade que está em ritmo acelerado de degradação.

Uso de recursos tecnológicos é mais uma frente de debate nas questões ligadas à sustentabilidade

Uso de recursos tecnológicos é mais uma frente de debate nas questões ligadas à sustentabilidade

Buscam-se soluções, mas os discursos meramente mercadológicos por vezes se revestem de verde e empobrecem a discussão.

Diante desse cenário, uma reflexão: de que maneira a tecnologia pode contribuir para uma sociedade sustentável, se é que isso é possível? É viável o casamento entre o digital e o sustentável? Essa junção pode provocar mudanças substanciais nas relações econômicas e apontar novos horizontes para o planeta?

Um dos debates de hoje do MaxiMídia – moderado por Pyr Marcondes, do Grupo Meio & Mensagem -, tratou exatamente desse tema. E ficou o claro o embate de duas visões sobre o tema, embora haja pontos de concordância entre elas .

O otimista

Fred Gelli, sócio-diretor de criação da Tátil Design de Ideias, é do grupo que acredita e defende uma “revisão profunda” das relações econômicas, de modo a reduzir a produção de resíduos, poluentes e por aí vai. E diz que a tecnologia pode ajudar muito nesse processo. Ele vê essa mudança em curso e crê que as novas gerações serão a força propulsora da transformação.

Gelli é um otimista.

“A tecnologia traz ideias que podem se adequar perfeitamente aos novos anseios das pessoas por um mundo sustentável, com reflexos diretos na economia”, afirma Gelli, que é formado design industrial e desenvolve projetos de design e marcas.

Um dos pilares disso, afirma, é a “substituição dos átomos por bits”, num processo descrito por ele como a “desmaterialização” da economia, com ascensão de novos produtos e linhas de negócios digitais, que teriam impacto ambiental bem menor. Exemplo simples e prático: a crescente tendência de substituição de CDs (mídia física) por arquivos digitais.

Se no que se refere ao consumo de informação – entendida aqui num contexto mais amplo – a desmaterialização é mais fácil e até viável, o que dizer se setores como vestuário ou linha branca, entre tantos outros? A impossibilidade nesses casos não derrubaria a tese? “Há setores em que de fato isso é mais difícil. Mas o uso da tecnologia para redução de consumo de energia é perfeitamente possível”, defende.

O cético

O outro debatedor do painel do MaxiMídia, Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM, é mais ácido. A conversa sobre o tema pode ser até depressiva, diz ele.

Gandour é um cético.

“Não acredito nessa história de casamento entre high tech e high green”, disse em sua apresentação , referindo-se ao tema do painel, na tarde de hoje, no WTC, em São Paulo. “O meu ceticismo em relação a isso deve-se ao modismo que permeia o assunto”.

Para ele, o blábláblá marqueteiro é um risco e esconde o xis da questão: a necessidade de revisão de nosso estilo de vida, a forma como vivemos.

“Adoto, na minha vida pessoal há muitos anos, uma atitude economicamente responsável. E vejo como isso é difícil… Agir de modo ecologicamente responsável é uma necessidade, mas falar em ‘green’ é moda”.

Se a situação continuar no ritmo atual, recurso naturais não serão suficientes

Se a situação continuar no ritmo atual, recurso naturais não serão suficientes

O ponto nevrálgico, para Gandour, passa pela sociedade de hiperconsumo. Temos todos vários pares de sapatos, e não o mandamos mais para os sapateiros (alguém lembra dessa figura?) quando ficam velhos. Temos vários ternos, bugigangas de toda a ordem e não abrimos mão dos carros.

Quem o ouve falar dessa maneira deve achar que de fato Gandour não crê no apoio da tecnologia para um modelo de sociedade sustentável, o que soa ainda mais estranho tratando-se de alguém é de tecnologia.

Mas Gandour acredita, sim, nos benefícios que a tecnologia pode proporcionar ao planeta, como ficou claro na conversa que mantive com ele depois do painel. O que ele faz é relativizar esse poder.
Sua intenção ao realçar o discurso do ceticismo é marcar o contraponto com os excessos do marketing e levar a discussão para outro patamar.

Ele vê como uma contribuição efetiva por parte da tecnologia a “desmaterialização da economia” e a “substituição dos átomos pelos bits”, por exemplo.

A questão principal, no entanto, é a necessidade de uma reeducação da sociedade, no sentido de que as pessoas aprendam a discriminar atitudes ecologicamente saudáveis e frear consumo exacerbado.

Nesse ponto, Gelli também está plenamente de acordo. “É preciso uma revisão profunda de nosso modelo de sociedade”.

Metade da bancada de tecnologia da Câmara não se reelege

O resultado das urnas aponta uma boa renovação entre os parlamentares ligados à tecnologia e informação, levando-se consideração os membros que na atual legislatura pertencem à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI).

Dos 40 membros da comissão, 21 se reelegeram deputados e três foram eleitos senadores – Eunício Oliveira (PMDB/CE), Walter Pinheiro (PT/BA) e Rodrigo Rollemberg (PSB/DF).

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Ex-ministro das Comunicações do governo Lula, entre 2004 e 2005, Eunício é o presidente da CCTCI, cargo que Pinheiro já ocupou – o parlamentar baiano também participou das discussões sobre o Fundo da Universalização das Telecomunicações (Fust). Rollemberg, por sua vez, foi Secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Perfil do mandato
Entre os parlamentares reeleitos mais ativos na área estão Julio Semeguini (PSDB/SP), Jorge Bittar (PT/RJ), Paulo Teixeira (PT/SP), Miro Teixeira (PDT/RJ) e Luiza Erundina (PB/SP).

Além de ser relator de projeto contra crimes na web, Semeguini participou de debates sobre lan houses e Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Paulo Teixeira também participou das discussões sobre as lan houses e a Lei Azeredo .

Miro Teixeira, Bittar e Erundina são parlamentares mais próximos de temas ligados à comunicação, como radiofusão e telecomunicações.

Barrados no baile

Pelos menos dois nomes ilustres no noticiário ficarão de fora do parlamento a partir de 2011: o ex-presidente do Senado Jader Barbalho ( PMDB/PA) e Gustavo Fruet (PSDB/PR) – ambos tentaram vaga no Senado.

O deputado paranaense ficou em terceiro na disputa, com 2.502.805 de votos, um pouco atrás de Roberto Requião (2.691.557), que ficou com a segunda vaga do Paraná.

O caso de Barbalho não teve a ver com as urnas. A candidatura dele foi impugnada em razão da Lei da Ficha Limpa.

Dos novos postulantes, um candidato não eleito chama à atenção: Aleksandar Mandic, que concorreu pelo Democratas de São Paulo. Pioneiro na web brasileira – é criador do primeiro provedor do País -, ele conseguiu 10.981 votos.

Demitida da Casa Civil, Erenice Guerra vira trend topics Brasil e mundial

Foi rápido como um foguete – e de alcance mundial: Erenice Guerra, destituída hoje do cargo de ministra da Casa Civil em razão de denúncias de que seu filho supostamente operaria lobby a favor de empresas dentro da Casa Civil, se tornou trend topics Brasil e mundial.

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O cargo será ocupado interinamente pelo atual secretário-executivo da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves Lima. A notícia da demissão da ministra começou a circular na internet por volta das 12h.

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Por volta das 15h50, o termo “Erenice Guerra” deixou de figurar como o trend topics mundial, mas ainda permanecia entre na liderança Brasil.

Alguém lembra do “Cala boca Galvao”?

O novo episódio mais uma vez demonstra que a força do Brasil no Twitter, a exemplo do estardalhaço provocado pelo “Cala boca Galvao”, que se tornou trend topics mundial durante a Copa do Mundo. Como desdobramento das “homenagens” ao locutor global, na época o “Cala boca Tadeu Schimidt” também figurou como campeão mundial de citações no Twitter.

O que FHC pensa da tecnologia e da revolução digital

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não escreve mais à mão. Artigos, estudos, mensagens – tudo ganha vida pelas teclas no computador. “Acho que nem sei mais escrever à mão”, disse durante palestra proferida na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, nesta quarta-feira (24/3). Mas isso não quer dizer que o sociólogo seja um prodígio da tecnologia. Pelo contrário: não raras vezes os bites e bytes lhe pregam peças do arco da velha.

FHC grande

Dias atrás, por exemplo, ele perdeu um texto que escrevia. O documento simplesmente escafedeu-se da tela do computador. “Pedi ajuda ao seu marido”, disse, da mesa de onde palestrava, para Mônica Serra, esposa do governador de São Paulo, José Serra.

“Ele tentou me ajudar e não resolveu nada. Pedi para meu filho, que também não conseguiu resolver. O jeito foi chamar meu neto para dar uma solução”, afirmou, arrancando boas gargalhadas da platéia.

A história começou como piada, mas foi a forma de FHC dizer que – segundo palavras dele – a “grande revolução do momento é a da comunicação”, fenômeno propiciado pela tecnologia da informação. E que esse movimento será liderado pela juventude. “A revolução da tecnologia da comunicação é para gente nova. A pedagogia moderna é isso”.

Google e o Kindle, “essa maquininha aí”

Ao falar assim, a intenção do ex-presidente é destacar o papel de liderança das novas gerações no mundo contemporâneo, e não diminuir a importância dos mais velhos no processo de digitalização.

Para ele, pensar o País daqui para frente significa estar inserido na lógica da inovação científica, o que repercute em todos os setores da economia. “Só temos a Embraer competindo no exterior porque temos o ITA”, disse, referindo-se ao Instituto Tecnológico da Aeronáutica.

“Agora temos essa maquininha aí que permite ler livros”, afirmou, numa referência aos leitores digitais como Kindle. “Também existe a Wikipédia. Eles escrevem muitas bobagens sobre mim lá, mas é um ponto de partida para a pessoa avançar e descobrir mais sobre um assunto”, brincou. “E também temos o Google, o maior sabido do mundo hoje”.

E o que deve um país fazer diante de um cenário como esse? Ou, para ficar no tema de sua palestra (“Ensino superior como área crítica estratégica”), qual o lugar da universidade diante da revolução digital? “A questão é ser ou não ser um analfabeto na web. O importante não é a tecnologia, mas a pessoa. É a formação dos professores para que lidem com as tecnologias da informação”.

Sobrou até para o Lula

Esse contexto também permite analisar, segundo FHC, a aplicação da tecnologia como instrumento de desenvolvimento. Como exemplo, cita o caso do Chile, que, para ele, fez um bom trabalho de valorização de seus produtos e sua imagem como país. “Os chilenos inventaram um negócio que é vender ostra para a França. Parece coisa simples, mas é complicado. Envolve logística, tecnologia”, afirmou.

Outro exemplo é o vinho, que, de algumas décadas para cá, alcançou status internacional graças a um bom trabalho de marca, pela avaliação de FHC. Foi o que bastou para dar uma alfinetadinha em seu grande rival político.

“O Brasil tem uma grande produção de fruta, à la Lula, ‘a maior do mundo’, mas ninguém conhece. O mundo do futuro é do design, da moda, da tecnologia. É o que chamam de economia criativa”.

Castells e os soviéticos

Ao refletir sobre o desenvolvimento tecnológico, FHC citou até o sociólogo espanhol Manuel Castells, autor de a “Galáxia da Internet”, com quem afirmou “ter sólida amizade”.

Conforme relembrou o ex-presidente, um dos estudos de Castells, feito há algumas décadas, mostra que um dos motivos de o império soviético ter ruído se deve ao fato de a URSS ter perdido o bonde da evolução tecnológica, embora o país tivesse, durante bom tempo, despontado como potência científica. O descompasso se deu a partir do momento em que os EUA começaram a viver “a revolução tecnológica, a digitalização, a concepção binária”, disse FHC.

“Só depois o comando soviético percebeu que os americanos olhavam para o pequeno, o micro, enquanto eles continuaram no macro. E a evolução caminhou para a miniaturização, foi do complexo para simples”, analisou.

O resumo da ópera, seguindo o raciocínio de FHC, são as profundas transformações sociais, políticas e econômicas provocadas pela tecnologia. “A revolução tecnológica tem um efeito maior do que a revolução industrial teve em sua época”.