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Arquivo da Categoria ‘Jornalismo digital’

Brasil terá seu 1º jornal só para tablets em 2011. Só para tablets?

Um veículo jornalístico que seria exclusivo para tablets, como o iPad e o Samsung Galaxy Tab, deve estrear no Brasil em 2011, provavelmente entre março ou abril. Este blogueiro apurou com duas fontes diferentes que os responsáveis pelo projeto já estão à procura de jornalistas para montar a redação. Além da equipe própria, o canal também buscaria acordos com agências de notícias.

Na explicação dada a pelo menos um jornalista que foi convidado a participar da redação, o empreendimento é descrito como um veículo jornalístico que poderá ser acessado gratuitamente pelos usuários de tablets – não seria só iPad, mas também outros, como o Samsung Galaxy Tab. O modelo de negócios seria a venda de publicidade.

No começo

O comando do projeto está com os jornalistas Joaquim Castanheira e Leonardo Attuch – o primeiro é diretor de redação da IstoéDinheiro, e o segundo, redator-chefe da mesma publicação da Editora Três. Ambos tem longa trajetória na área de jornalismo econômico. O novo empreendimento contaria com o apoio de um banco de investimento cujo nome ainda não é conhecido.

Ainda há poucas informações disponíveis sobre o projeto. Por isso, algumas dúvidas pairam no ar:

* Trata-se de fato de um projeto exclusivamente para tablet ou o tablet é apenas uma das plataformas principais?
* Será para tablets em geral ou só para iPad?
* Ele terá site?
* Poderá ser baixado da Apple Store?
* Terá formatos publicitários e de conteúdo exclusivos para tablets, diferentes dos já disponíveis na web?

Segundo o Portal Imprensa, uma das inspirações da nova empreitada é o Daily, plataforma desenvolvida pelo grupo de Rubert Murdoch em parceria com a Apple.

Violência no Rio: redes sociais têm mecanismos para desmentir boatos

A repercussão das notícias sobre a violência no Rio de Janeiro demontra que as redes sociais têm mecanismos eficientes para desmentir boatos. A afirmação foi feita em podcast ao IDG Now! por Sérgio Amadeu, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo e um dos principais estudiosos da cibercultura do País.

“Não temos uma pesquisa minuciosa sobre isso ainda. A gente tem hipóteses e analises feitas a partir de entrevistas com pessoas que usam muito a rede e que confirmam o seguinte: um boato pode se espalhar muito fortemente. Mas ele é rapidamente desmentido. É a primeira constação. A segunda constatação é que diferenciar boatos de campanhas temática ou política”, afirma Amadeu, que é ex-presidente do Instituto de Tecnologia da Informação, órgão ligado à Casa Civil da Presidência da República.

Ele também analisa a situação atual e o desafios para o jornalismo cidadão no Brasil hoje.

Basta clicar abaixo para ouvir o podcast.

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Campanha pela paz no RJ quer engajar usuários do Twitter

A crise da violência do Rio de Janeiro é uma boa ocasião para colocar à prova a estratégia de redes sociais do governo do Estado. Iniciado há um ano, o projeto conta com uma série de canais e ações em andamento no Twitter, Facebook, YouTube e Orkut, num trabalho que foi intensificado nesta semana em razão da luta contra o tráfico.

Um exemplo prático:  o subsecretário de segurança Edval Novaes, definido no projeto como o porta-voz para mídias sociais, respondeu na tarde desta sexta-feira (17/11) perguntas de internautas via Twitcam.A conversa durou cerca de meia hora.

O objetivo foi atualizar a população sobre o desenrolar das ações de combate ao tráfico e tirar dúvidas. Ele espera, assim, evitar “boataria, informações desencontradas e aproximar cidadão e governo”, explica Risoletta Miranda, diretora-executiva da FSB Digital, empresa que coordena o projeto de mídias sociais do governo do Rio de Janeiro.

Ontem Novaes também conversou com os internautas e deve repetir a dose nos próximos dias. ‘Ele é o porta-voz do governo para as redes sociais. O foco da estratégia é dar informações, com o máximo de entrevistas possível, e assim evitar a boataria e o pânico”, diz Risoletta.

“Na ação de ontem, durante a coletiva do secretário Beltrame, houve 250 mil exposições no Twitter, com mais de 180 mil tweets com a hastag que criamos para esse fim:#beltrame”

Campanha pelo Twitter

Outro exemplo de ação surgiu hoje. O GovRJ, nome do projeto de redes sociais do governo, criou a campanha “Paz no Rio”, que tem no Twitter seu principal canal de difusão. A ação consiste em estimular os usuários para que eles insiram selos em defesa da paz no Rio de Janeiro em seus perfis de redes sociais, especialmente o Twitter e o Facebook. O serviço utilizado para isso é o Twibbon.

paznorio

Naila Oliveira, profissional da FSB Digital responsável pela coordenação do projeto de redes sociais do governo, explica que a atuação em cada canal da web respeita as características do meio, com linguagem e comunicação direcionadas.

O Facebook, por exemplo, privilegia o engajamento e discussões, especialmente por parte as classes A e B, que respondem pela maior parte do público do site.

O Orkut, muito representado pela classe C, destaca informações de interesse público. Durante as chuvas de fevereiro, por exemplo, o GovRJ usava seu perfil do Orkut para informar sobre escolas que ficariam sem aulas.

No canal do GovRJ do YouTube,vídeos com entrevistas de Novaes e também de José Mariano Beltrame, secretário de segurança, e também de Sérgio Cabral, governador, entre outros.  No Flickr, fotos de eventos e outras atividades do governo. A estratégia não contempla blog.

O Twitter funciona como canal de informação e também como ponto de convergência entre todos os canais, pois, por meio dele, os usuários são estimulados a visitar os demais canais.

Convergência, aliás, é um tema que Risoletta afirma ser uma busca constante, na rede e também com a assessoria de imprensa do governo do Rio, de responsabilidade de outra divisão da FSB. “Estamos sempre em contato com a assessoria para as ações sairem coordenadas”.

Uma observação a fazer

Percebe-se que a estratégia de redes sociais delineada levou em consideração o perfil de cada canal e fez um estudo sobre a melhor maneira de utilizá-los. Mas uma questão a ser observada é que o portal do governo não está integrado ao projeto – a FSB Digital foi contratada para criar e executar as ações de redes sociais, por isso não responde pelo portal.

Assim, o portal “não conversa” com os demais canais de redes sociais. O usuário – eu fiz essa experiência – enfrentará dificuldade básicas, como, por exemplo, achar rapidamente no portal botões que encaminhem para Twitter, Facebook e YouTube, só para citar alguns exemplos simples.  O mesmo raciocínio vale para a distribuição rápida e fácil de informações de interesse público contidas no site.

Estudante de 23 anos atua como agregador de notícias no Twitter sobre caos no Rio

Em meio à explosão da violência no Rio de Janeiro, um caso muito interessante nos convida à reflexão sobre o fazer jornalístico na era das redes sociais. Um caso que diz muito também sobre como o ecossistema da informação se organiza ( ou se desorganiza) diante da participação do cidadão em grandes fatos que exigem apuração, produção e distribuição rápidas da informação.

Na madrugada de terça-feira para quarta, quando o combate ao tráfico do Rio crescia assustadoramente, um  perfil Twitter denominado @caosrj começou a postar mensagens sobre o assunto. Os tweets abordavam de informações sobre carros incendiados a dicas para escapar de pontos de tiroteio no Rio de Janeiro e também em Niterói.

Conforme a temperatura dos ataques subia, o perfil ampliou seu escopo e passou a retuitar jornais, rádios e TVs.

Agregador de notícias

Como a onda de boatos e informações desencontradas é grande em situações como essa, o usuário começou a separar o joio do trigo, ou seja, tentar identificar o que é boato daquilo que real, dentro do que é possível fazer num momento como esse e correndo todos os riscos possíveis. Quando errava ou constatava um dado impreciso, um novo tweet corrigia o post anterior.

Assim, o perfil @caosrj transformou-se sem querer  num eficiente agregador de notícias sobre a crise da violência no Rio.

caosrj-twitter

O responsável pela iniciativa é um estudante de jornalismo chamado Pablo Tavares  que, diante da preocupação com o problema e a curiosidade própria de quem quer ser jornalista, resolveu ocupar suas horas vagas tuitando sobre o assunto. Aos 23 anos, Pablo está no quarto período do curso de jornalismo ( o equivalente ao segundo ano). Não trabalha na área ainda.

O momento em que entramos na história

Quando Cristina De Luca, diretora de redação da rede Now Digital, controladora do IDG Now!, viu os tweets de @caosrj, tentou contato com o usuário – sem saber de quem se tratava inicialmente.  Ao analisar a sequência de tweets, ela percebeu que ali poderia ser um canal de reunião de informações em tempo real sobre a crise no Rio, um meio para manter-se atualizada com rapidez. Por isso procurou se certificar da procedência das informações e de quem as postava. A cada passo, comentava comigo e outros colegas da redação o desenrolar da história. Eu também passei a seguir perfil.

Ela mandou uma mensagem aberta perguntando quem era o responsável por perfil. O usuário respondeu, e partir de então iniciou-se uma conversa por DM (mensagem direta privada). Nesse canal fechado, Pablo se identificou e contou um pouco sobre como realizava sua cobertura.

As primeiras conversas do IDG Now! com o usuário

As primeiras conversas do IDG Now! com o usuário

Ela perguntou se Pablo toparia dar uma entrevista a nós. Foi aí então que eu, que sabia da história por meio dos relatos da Cris, entrei diretamente no circuito.

Curiosidade

Liguei e conversei com Pablo.

Ele me disse que estuda na universidade Plínio Leite, em Niterói e que a ideia do perfil no microblog surgiu quase que por acaso, motivada pela sua curiosidade.

“Eu acompanhava  as notícias na mídia, principalmente sobre Niterói, onde moro. Mas vi que os veículos estavam atrasados em relação ao Twitter, o que é natural. Afinal, há muitos boatos, os veículos precisam checar antes. Mas comecei a ver que muitas pessoas relatavam casos que elas estavam vendo, como carros sendo queimados ou locais de tiroteios. Quando via que três, quatro ou mais usuários confirmavam uma história, a probabilidade de ela ser verdadeira é grande. E o mesmo acontecia para desmentir: quando algo não está certo, os outros usuários desmentem”, diz.

“As pessoas traziam um relato emocional, mas achei que pudesse ser útil porque poderia ajudar a orientar a pessoas a fugir de situações perigosas”, disse.

Um detalhe importante nessa história toda: Pablo tomou sozinho a iniciativa de criar o perfil e fazer a seu modo a cobertura.