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Paulo Coelho, Serra e garoto Capricho estão entre mais influentes do Twitter

Paulo Coelho (@paulocoelho) é a segunda celebridade mais influente do Twitter no mundo em 2010. O autor “Sentei na beira do rio e chorei” perde apenas para quem? Para ele: Justin Bieber. Bom, já seria demais o mago digital superar o queridinho teen mais falado do momento.

É o que consta em ranking da revista Forbes referente a 2010. Restrita ao que a publicação chama de “celebridades”, a lista leva em consideração critérios como alcance e impacto dos tweets, mensagens linkadas e repassadas, entre outros.

Enquanto Bieber tem índice 100 de influência, o parceiro de clássicos de Raul Seixas foi classificado com 96.
O mago tem a companhia verde-e-amarela na lista de Federico Devito (federicodevito), em14º e índice 87.7, colunista da Capricho, e José Serra (joseserra_), em 15º, com 87,1.

Veja a lista dos 20 primeiros da Forbes:

1. justinbieber 100
2. paulocoelho 96
3. joejonas 92
4. kanyewest 90.9
5. DalaiLama 90.6
6. nickjonas 90.1
7. ladygaga 89.6
8. ConanOBrien 89
9. iamdiddy 88.9
10. yelyahwilliams 88.8
11. BarackObama 88.5
12. KimKardashian 88.5
13. Tyrese 87.9
14. federicodevito 87.7
15. joseserra_ 87.1
16. TheEllenShow 87.04
17. AngelaSimmons 87
18. katyperry 87
19. ebertchicago 86.7
20. RickWarren 86.7

Eleito o filme do ano nos EUA, “A Rede Social” estreia no Brasil

E finalmente chegou o dia da estréia de A Rede Social (The Social Network) no Brasil.

Uma informação que reforça a curiosidade em relação ao filme é que o longa foi no dia 2 de dezembro o filme do ano pela crítica americana.

O ator Jesse Eisenberg mandou muito bem no papel do nerd amoral e genial Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook

O ator Jesse Eisenberg mandou muito bem no papel do nerd amoral e genial Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook

A Associação Nacional dos Críticos de Cinema dos Estados Unidos concedeu ao longa os prêmios de melhor filme, melhor diretor, melhor ator, roteiro adaptado, conforme relato do G1.

Dirigido por David Fincher (Seven Clube da Luta) e com roteiro de Aaron Sorkin(The West Wing), o longa traça um retrato ácido e humanizado de Mark Zuckerberg, o cofundador do site. A obra é inspirada no livro
Bilionários por acaso, de Ben Mezrich (Editora Intrínseca).

Um dos pivôs das polêmicas que cercam Zuckerberg é Eduardo Saverin, está a acusação Ele foi acusado pelo brasileiro Eduardo Saverin, seu amigo em Harward e primeiro financiador do projeto,

Além da curiosidade natural por se tratar da história da maior rede social do mundo,  a expectativa em relação ao longa-metragem que conta a história do Facebook foi trabalhada ao longo dos meses pela Sony com trailers caprichados, que enfatizavam o caráter polêmico de Zuckerberg.

Resenha do IDG Now!

Eu assisti ao filme no início de novembro e escrevi uma resenha a respeito. Clique aqui para conferir.

Eis um dos trailers do filme, com Creep, do Rardiohead, na trilha.

Violência no Rio: redes sociais têm mecanismos para desmentir boatos

A repercussão das notícias sobre a violência no Rio de Janeiro demontra que as redes sociais têm mecanismos eficientes para desmentir boatos. A afirmação foi feita em podcast ao IDG Now! por Sérgio Amadeu, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo e um dos principais estudiosos da cibercultura do País.

“Não temos uma pesquisa minuciosa sobre isso ainda. A gente tem hipóteses e analises feitas a partir de entrevistas com pessoas que usam muito a rede e que confirmam o seguinte: um boato pode se espalhar muito fortemente. Mas ele é rapidamente desmentido. É a primeira constação. A segunda constatação é que diferenciar boatos de campanhas temática ou política”, afirma Amadeu, que é ex-presidente do Instituto de Tecnologia da Informação, órgão ligado à Casa Civil da Presidência da República.

Ele também analisa a situação atual e o desafios para o jornalismo cidadão no Brasil hoje.

Basta clicar abaixo para ouvir o podcast.

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Estudante de 23 anos atua como agregador de notícias no Twitter sobre caos no Rio

Em meio à explosão da violência no Rio de Janeiro, um caso muito interessante nos convida à reflexão sobre o fazer jornalístico na era das redes sociais. Um caso que diz muito também sobre como o ecossistema da informação se organiza ( ou se desorganiza) diante da participação do cidadão em grandes fatos que exigem apuração, produção e distribuição rápidas da informação.

Na madrugada de terça-feira para quarta, quando o combate ao tráfico do Rio crescia assustadoramente, um  perfil Twitter denominado @caosrj começou a postar mensagens sobre o assunto. Os tweets abordavam de informações sobre carros incendiados a dicas para escapar de pontos de tiroteio no Rio de Janeiro e também em Niterói.

Conforme a temperatura dos ataques subia, o perfil ampliou seu escopo e passou a retuitar jornais, rádios e TVs.

Agregador de notícias

Como a onda de boatos e informações desencontradas é grande em situações como essa, o usuário começou a separar o joio do trigo, ou seja, tentar identificar o que é boato daquilo que real, dentro do que é possível fazer num momento como esse e correndo todos os riscos possíveis. Quando errava ou constatava um dado impreciso, um novo tweet corrigia o post anterior.

Assim, o perfil @caosrj transformou-se sem querer  num eficiente agregador de notícias sobre a crise da violência no Rio.

caosrj-twitter

O responsável pela iniciativa é um estudante de jornalismo chamado Pablo Tavares  que, diante da preocupação com o problema e a curiosidade própria de quem quer ser jornalista, resolveu ocupar suas horas vagas tuitando sobre o assunto. Aos 23 anos, Pablo está no quarto período do curso de jornalismo ( o equivalente ao segundo ano). Não trabalha na área ainda.

O momento em que entramos na história

Quando Cristina De Luca, diretora de redação da rede Now Digital, controladora do IDG Now!, viu os tweets de @caosrj, tentou contato com o usuário – sem saber de quem se tratava inicialmente.  Ao analisar a sequência de tweets, ela percebeu que ali poderia ser um canal de reunião de informações em tempo real sobre a crise no Rio, um meio para manter-se atualizada com rapidez. Por isso procurou se certificar da procedência das informações e de quem as postava. A cada passo, comentava comigo e outros colegas da redação o desenrolar da história. Eu também passei a seguir perfil.

Ela mandou uma mensagem aberta perguntando quem era o responsável por perfil. O usuário respondeu, e partir de então iniciou-se uma conversa por DM (mensagem direta privada). Nesse canal fechado, Pablo se identificou e contou um pouco sobre como realizava sua cobertura.

As primeiras conversas do IDG Now! com o usuário

As primeiras conversas do IDG Now! com o usuário

Ela perguntou se Pablo toparia dar uma entrevista a nós. Foi aí então que eu, que sabia da história por meio dos relatos da Cris, entrei diretamente no circuito.

Curiosidade

Liguei e conversei com Pablo.

Ele me disse que estuda na universidade Plínio Leite, em Niterói e que a ideia do perfil no microblog surgiu quase que por acaso, motivada pela sua curiosidade.

“Eu acompanhava  as notícias na mídia, principalmente sobre Niterói, onde moro. Mas vi que os veículos estavam atrasados em relação ao Twitter, o que é natural. Afinal, há muitos boatos, os veículos precisam checar antes. Mas comecei a ver que muitas pessoas relatavam casos que elas estavam vendo, como carros sendo queimados ou locais de tiroteios. Quando via que três, quatro ou mais usuários confirmavam uma história, a probabilidade de ela ser verdadeira é grande. E o mesmo acontecia para desmentir: quando algo não está certo, os outros usuários desmentem”, diz.

“As pessoas traziam um relato emocional, mas achei que pudesse ser útil porque poderia ajudar a orientar a pessoas a fugir de situações perigosas”, disse.

Um detalhe importante nessa história toda: Pablo tomou sozinho a iniciativa de criar o perfil e fazer a seu modo a cobertura.

Racismo no Twitter: SaferNet denuncia ao MP mais de mil perfis de usuários

A SaferNet, ong que combate crimes e violações dos Direitos Humanos na internet, denunciou ao Ministério Público Federal, em São Paulo, 1037 perfis do Twitter que postaram mensagens contra os nordestinos. No total, a ong recebeu por meio de seu site mais de 10 mil denúncias, disse ao IDG Now! o presidente da SaferNet, Thiago Tavares.

“Esse número de 10 mil refere-se ao total recebido. Eliminando-se a duplicidade de mensagens, chegamos ao número de 1037″, diz.

“Só referem à garota Mayara foram de mais de 800 denúncias, ou seja, o tweet dela contra os nordestinos nos foi enviado mais de 800 vezes”.

“Agora, o Ministério Público vai analisar o caso e decidir se arquiva ou se aprofunda as investigações”, afirma.

Como tudo começou

As mensagens contra os nordestinos se disseminaram no Twitter depois do anúncio da vitória de Dilma Rousseff, no domingo. Alguns usuários do Twitter começaram a criticar os nordestinos, responsabilizando-os pela vitória da candidata do PT.

Nesta semana, a OAB-PE entrou com uma notícia-crime no Ministério Público Federal em São Paulo contra uma usuária por ela ter postado o seguinte tweet: “‘Nordestisto’ não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”, escrito desta forma, com erro de português.

“Isso não significa que não possamos, no transcorrer do processo, oferecer notícia-crime às outras pessoas que também postaram mensagens preconceituosas”, afirmou ao IDG Now! na ocasião Henrique Mariano, presidente da OAB-PE.

“A entrega da notícia-crime ao MP foi protocolada na quarta-feira (dia 3/11). Agora, estamos aguardando uma resposta do ministério sobre o caso”, disse hoje Mariano.

Quer ver o filme sobre o Facebook hoje? Ainda dá tempo

Se você quiser ver o filme a história do Facebook antes do lançamento oficial no Brasil, então corra hoje à Cinemateca Brasileira, em São Paulo, e reze para encontrar ingresso.

Zuckerberg é interpretado por Jesse Eisenberg (à esquerda)

Zuckerberg é interpretado por Jesse Eisenberg (à esquerda)

O longa-metragem A Rede Social (The Social Netowrk) será exibido hoje às 21h, como parte da Mostra Internacional de Cinema. Como a cota vendida pela internet já esgotou, resta a esperança de comprar o ingresso diretamente na Cinemateca. A bilheteria abrirá às 19h.

O filme é um dos mais aguardados no ano. Dirigido por David Fincher, a obra foi chamada pela ABC News de um épico sobre as pessoas por trás do site e um filme sobre a busca pelo poder.

Serviço:
Quando: hoje (4/11)
Horário: 21h
Onde: Cinemateca ( rua Largo Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino)
Quanto: R$ 14 (inteira) e R$ 7 a meia entrada

Apagar comentário racista não livra internautas de processo, diz advogado

Com a imensa repercussão negativa do episódio de racismo no Twitter, há usuários que apagaram de seus perfis na internet mensagens que atacam os nordestinos. Há casos até de vários perfis que foram retirados da web.

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É possível constatar isso com uma rápida olhada nos perfis listados na página Xenofonia não! O canal traz a reprodução de uma série de tweets com conteúdo pejorativo em relação aos nordestinos.

Ao clicar em muitos deles, nota-se que vários perfis que continham mensagens racistas não existem mais.

Efeito judicial

Se a intenção for ficar livre de possíveis processos, como o que sofrerá uma usuária de São Paulo, alvo de notícia-crime feita pela OAB-PE, o efeito pode ser nulo.

Isso porque, se houver alguma prova do crime – um print screen da tela com a mensagem, entre outras provas, desde que com a veracidade provada pela perícia -, o internauta é passível de processo do mesmo modo, afirma o advogado Rony Vainzof, sócio do escritório Opice Blum Advogados e professor de Direito Eletrônico no Mackenzie e da Escola Paulista de Direito.

“Se houver a materialidade do ato criminoso, ele pode ser processado mesmo que tenha retirado da internet de seu perfil de rede social”, afirma Vainzof.

O que acontece se a pessoa pedir desculpas?

Uma das dúvidas que surgiram no caso das ofensas aos nordestinos no Twitter diz respeito à possibilidade de retratação: a pessoa que tiver feito um comentário ofensivo pode ficar livre de processo se pedir desculpas publicamente?

“Se for uma acusação de calúnia ou difamação, é possível haver exclusão da pena, não da indenização por danos morais. Mas se o crime for enquadrado como racismo não cabe retratação. O episódio envolvendo mensagens contra os nordestinos no Twitter, por exemplo, pode ser tipificado como racismo”, afirma.

“É importante dizer que essas penalidades sobre as quais estamos falando servem não só para os casos de racismo na rede contra nordestinos, mas também aos ferem outros grupos, como judeus, negros etc”, reforça Vainzof.

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Usuários que postaram conteúdo racista no Twitter podem ser processados, diz OAB

A repercussão gerada pelos tweets preconceituosos em relação aos nordestinos, responsabilizando-os pela vitória de Dilma Rousseff – considerando o resultado da eleição como algo pejorativo -, foi parar na Justiça e pode não ficar restrita à internauta que postou a mensagem que estimulou a celeuma.

Tweet de garota ajudou a iniciar avalanche de mensagens contra nordestinos, mas ela não foi única

Tweet de garota ajudou a iniciar avalanche de mensagens contra nordestinos, mas ela não foi única

A OAB-PE vai entrar com uma notícia-crime no Ministério Público Federal em São Paulo contra a usuária por ela ter postado, no domingo à noite, depois da divulgação da vitória da candidata do PT, o seguinte tweet: “‘Nordestisto’ não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”, escrito desta forma, com erro de português.

O conteúdo ofensivo foi postado também no Facebook, cujo perfil também foi apagado.

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“A notícia-crime é contra Mayara Petruso porque, pelas informações que temos e por uma matéria publicada no Diário de Pernambuco, foi ela quem começou com as mensagens preconceituosas no Twitter entre a noite de domingo e madrugada de segunda-feira”, afirmou ao IDG Now! Henrique Mariano.

“Isso não significa que não possamos, no transcorrer do processo, oferecer notícia-crime às outras pessoas que também postaram mensagens preconceituosas”, afirma.

“Estou concluindo hoje a peça. Pretendemos apresentá-la no Ministério Público Federal, que é quem tem a competência para analisar o caso, amanhã mesmo”, reforça Mariano.

Segundo Mariano, a internauta, que “está devidamente identificada com nome e foto”, será alvo de duas ações: uma por racismo e outra por “incitação pública ao ato delituoso”. A primeira estipula pena de 2 a 5 anos de detenção, e a segunda, de 3 a 6 meses de reclusão ou multa.

“Entendemos porque ela incitou publicamente um crime por ter escrito e publicado ‘mate um nordestino afogado’”, diz.

Com toda a polêmica, o perfil de garota no Twitter (@mayarapetruso) foi apagado.

“É inadmissível”, diz OAB-PE

O racismo por si só não pode ser tolerado, continua Mariano. Mas a situação é ainda mais grave, afirma, por se tratar de “estudante de Direito”.

“É inadmissível que uma futura profissional do Direito, que terá por obrigação defender os direitos humanos, faça uma coisa dessas. Por isso vamos oficiar a OAB de São Paulo para saber se a moça está inscrita como estagiária no órgão”, diz.

“Se estiver, vamos pedir a instauração de procedimento no tribunal de ética da OAB”.

A reação

Se as mensagens racistas são um ponto vergonhoso, a boa notícia é que muitos internautas se levantaram contra e condenaram com veemência o preconceito.

Demonstração disso é que foi criada, depois do surgimento dos tweets racistas, a página Xenofobia Não!.

O espaço denuncia os tweets racistas e pretende discutir a questão.

“De início, o surgimento deste Tumblr tem a ver com a exposição clara do preconceito contra os nordestinos após as eleições. As acusações foram das mais variadas: ignorantes, vagabundos, atrasados, filhos da puta, etc. Devido à grande repercussão do caso Mayara Petruso, resolvemos coletar os tweets”, consta no canal.

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A tecnologia pode contribuir para um planeta sustentável?

Sustentabilidade, consumo responsável, defesa do meio ambiente: quantas vezes não ouvimos e lemos essas palavras em nosso dia-a-dia? Entende-se a razão: o planeta se encontra no limite da exaustão, com um modelo de sociedade que está em ritmo acelerado de degradação.

Uso de recursos tecnológicos é mais uma frente de debate nas questões ligadas à sustentabilidade

Uso de recursos tecnológicos é mais uma frente de debate nas questões ligadas à sustentabilidade

Buscam-se soluções, mas os discursos meramente mercadológicos por vezes se revestem de verde e empobrecem a discussão.

Diante desse cenário, uma reflexão: de que maneira a tecnologia pode contribuir para uma sociedade sustentável, se é que isso é possível? É viável o casamento entre o digital e o sustentável? Essa junção pode provocar mudanças substanciais nas relações econômicas e apontar novos horizontes para o planeta?

Um dos debates de hoje do MaxiMídia – moderado por Pyr Marcondes, do Grupo Meio & Mensagem -, tratou exatamente desse tema. E ficou o claro o embate de duas visões sobre o tema, embora haja pontos de concordância entre elas .

O otimista

Fred Gelli, sócio-diretor de criação da Tátil Design de Ideias, é do grupo que acredita e defende uma “revisão profunda” das relações econômicas, de modo a reduzir a produção de resíduos, poluentes e por aí vai. E diz que a tecnologia pode ajudar muito nesse processo. Ele vê essa mudança em curso e crê que as novas gerações serão a força propulsora da transformação.

Gelli é um otimista.

“A tecnologia traz ideias que podem se adequar perfeitamente aos novos anseios das pessoas por um mundo sustentável, com reflexos diretos na economia”, afirma Gelli, que é formado design industrial e desenvolve projetos de design e marcas.

Um dos pilares disso, afirma, é a “substituição dos átomos por bits”, num processo descrito por ele como a “desmaterialização” da economia, com ascensão de novos produtos e linhas de negócios digitais, que teriam impacto ambiental bem menor. Exemplo simples e prático: a crescente tendência de substituição de CDs (mídia física) por arquivos digitais.

Se no que se refere ao consumo de informação – entendida aqui num contexto mais amplo – a desmaterialização é mais fácil e até viável, o que dizer se setores como vestuário ou linha branca, entre tantos outros? A impossibilidade nesses casos não derrubaria a tese? “Há setores em que de fato isso é mais difícil. Mas o uso da tecnologia para redução de consumo de energia é perfeitamente possível”, defende.

O cético

O outro debatedor do painel do MaxiMídia, Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM, é mais ácido. A conversa sobre o tema pode ser até depressiva, diz ele.

Gandour é um cético.

“Não acredito nessa história de casamento entre high tech e high green”, disse em sua apresentação , referindo-se ao tema do painel, na tarde de hoje, no WTC, em São Paulo. “O meu ceticismo em relação a isso deve-se ao modismo que permeia o assunto”.

Para ele, o blábláblá marqueteiro é um risco e esconde o xis da questão: a necessidade de revisão de nosso estilo de vida, a forma como vivemos.

“Adoto, na minha vida pessoal há muitos anos, uma atitude economicamente responsável. E vejo como isso é difícil… Agir de modo ecologicamente responsável é uma necessidade, mas falar em ‘green’ é moda”.

Se a situação continuar no ritmo atual, recurso naturais não serão suficientes

Se a situação continuar no ritmo atual, recurso naturais não serão suficientes

O ponto nevrálgico, para Gandour, passa pela sociedade de hiperconsumo. Temos todos vários pares de sapatos, e não o mandamos mais para os sapateiros (alguém lembra dessa figura?) quando ficam velhos. Temos vários ternos, bugigangas de toda a ordem e não abrimos mão dos carros.

Quem o ouve falar dessa maneira deve achar que de fato Gandour não crê no apoio da tecnologia para um modelo de sociedade sustentável, o que soa ainda mais estranho tratando-se de alguém é de tecnologia.

Mas Gandour acredita, sim, nos benefícios que a tecnologia pode proporcionar ao planeta, como ficou claro na conversa que mantive com ele depois do painel. O que ele faz é relativizar esse poder.
Sua intenção ao realçar o discurso do ceticismo é marcar o contraponto com os excessos do marketing e levar a discussão para outro patamar.

Ele vê como uma contribuição efetiva por parte da tecnologia a “desmaterialização da economia” e a “substituição dos átomos pelos bits”, por exemplo.

A questão principal, no entanto, é a necessidade de uma reeducação da sociedade, no sentido de que as pessoas aprendam a discriminar atitudes ecologicamente saudáveis e frear consumo exacerbado.

Nesse ponto, Gelli também está plenamente de acordo. “É preciso uma revisão profunda de nosso modelo de sociedade”.

DM9 levará universitário para conhecer o mundo e contar em blog o que viu

A DM9DDB vai escolher um universitário de 21 anos, de qualquer área, para viajar por 9 grandes cidades do mundo em 99 dias e manter um blog com relatos de sua experiência.

Chamado de 99 Novas e lançado nesta segunda-feira, em São Paulo, o projeto faz parte das comemorações pelo aniversário de 21 anos da agência. As inscrições para o projeto já podem ser feitas por meio do site da iniciativa.

Os pré-requisitos são ter ou completar 21 anos até o dia do embarque (9 de janeiro de 2011), estar cursando alguma instituição de ensino superior, desde que reconhecido pelo Ministério da Educação (recém-formados também são aceitos), ser fluente em inglês, ser brasileiro e morar no País.

No roteiro da viagem constam Nova York, Paris, Barcelona, Bangcoc, Xangai, Tóquio, Londres, Milão e Mumbai.

Como é o processo seletivo
O processo de seleção é dividido em três fases. Na primeira, os participantes terão de responder a um teste online com 99 perguntas
sobre conhecimentos gerais. Os 99 candidatos que acertarem mais questões no menor prazo passarão para a segunda etapa.

Na fase seguinte, será necessário gravar um vídeo de 90 segundos em inglês sobre um tema que será anunciado posteriormente, além de uma entrevista online também na língua inglesa. Apenas nove postulantes serão selecionados.

Na etapa final, esses nove passarão por uma prova mais específica: terão de montar um blog – o objetivo é ver como a pessoa se sai com a ferramenta em si, se domina minimamente e tecnologia para saber se virar quando estiver na viagem. Também haverá uma entrevista presencial, que selará a sorte do felizardo.

Tendências mundo afora
O objetivo da agência é que o estudante escolhido descubra tendências, mostre comportamentos e histórias de culturas diferentes.

“Quero que o blog seja um lugar para indicar tendências. Não é um projeto de emprego, mas de conhecimento”, diz Sérgio Valente, presidente da DM9DDB.

E não pense você que o objetivo é endeusar o último hype.

“Nossa intenção não é que o escolhido indique a moda mais recente. É para a massa também. Quero saber quem é o Luan Santana de Nova York, Xangai”, afirma Valente. Ele se refere ao novo ídolo do chamado “sertanejo universitário”.

A proposta não é dar emprego, mas a agência não descarta a possibilidade de convidar o universitário a trabalhar na DM9DDB ao retornar da viagem.

Qual a importância de um link?

Para que serve um link?

A resposta que vem de supetão é mais ou menos a seguinte: para levar de uma página a outra da web. Para complementar a questão, podemos dizer que serve para apontar correlações entre conteúdos e, assim, enriquecer a experiência do internauta.

O ato de inserir links provocou mais mudanças na sociedade do que se pode imaginar à primeira vista

O ato de inserir links provocou mais mudanças na sociedade do que se pode imaginar à primeira vista

Não há dúvidas de que isso esclarece, num nível bem imediato, à dúvida de que para que servem os links.

Mas que tal aprofundarmos um pouco mais o olhar e pensarmos a que outras razões servem um link? Que tal refletirmos sobre a maneira como ele modifica nossa relação com a informação, segurança, qual seu impacto na economia, comunicação, marketing – se é que ele interfere de alguma forma nesses campos?

Será uma boa pedida também avançar mais, agora para um plano mais abstrato: o link já não teria se tornado um elemento cultural de nossos dias, já não estaríamos “pensando por links”, tamanhas as conexões possíveis em nossos dias? No plano da linguagem, o que mudou?

O link induz à especialização

Comecemos pela leitura de negócios.

“O link muda tudo”, escreve Jeff Jarvis em ‘O que faria a Google?” (Editora Manole).

Para empresas e profissionais de toda a ordem, especialmente os que atuam na área de serviços, um efeito direto é o aumento da especialização. “A ideia de fornecer um produto de tamanho único que faz tudo para todas as pessoas é vestígio de uma era de isolamento”, escreve Jarvis, eleito pelo Fórum Econômico Mundial um dos 100 maiores líderes de mídia do mundo.

“E a especialização cria uma demanda por qualidade – se você quiser se concentrar em um mercado ou serviço, é melhor ser o melhor para que as pessoas coloquem links para você, de modo que você suba nos resultados do Google e as pessoas possam encontrá-lo e clicar em seu site”.

“No varejo, na mídia, na educação, no governo e na saúde – em tudo -, o link fomenta a especialização, a qualidade e a colaboração, além de alterar os antigos papéis e criar outros. O link muda a arquitetura fundamental das sociedades e das indústrias, assim como as vigas e os trilhos de aço mudaram o modo como as cidades e nações são construídas e seu funcionamento”, diz.

Para completar o raciocínio de Jarvis, o maior número de conexões eleva o valor e estimula relações e conhecimento.

Um componente da linguagem

Agora, deixemos de lado o plano concreto onde se situam a economia e a sociedade e olhemos por outro prisma.

Um autor que também se debruçou sobre os efeitos dos links é Steven Johnson. Há um capítulo sobre o tema em seu “Cultura da interface”. Se Jarvis analisa o link a partir do contexto das transformações provocadas pelo Google, Johnson prefere a perspectiva da linguagem.

“O link é a primeira nova forma significante de pontuação a emergir em séculos, mas é só um sinal do que está por vir”, redigiu em seu livro, em 1997. “O hipertexto, de fato, sugere toda uma nova gramática de possibilidades, uma nova maneira de escrever e narrar”, argumenta Johnson, que é formado em semiótica e literatura.

Um dos pontos centrais do argumento dele é que, ao contrário do que muito se apregoa, os links não são desagregadores, os culpados pela suposta dispersão dos internautas num labirinto digital, um convite à superficialidade.

São antes “um recurso sintético, uma ferramenta que une múltiplos elementos num mesmo tipo de unidade ordenada.”

Isso demonstra que, para Johnson, o link é um componente lingüístico presente na interface web, o que confere à palavra um papel relevante no ambiente digital.

Construção do conhecimento

Para entender a ideia, pense no percurso que se tem a partir de links associados a um tema central – uma matéria sobre o uso das redes sociais pelas empresas, por exemplo. Se bem escolhidos, os links seguramente proporcionarão um entendimento muito maior, formado a partir de múltiplas vozes, olhares e recortes.

A meu ver, pegando a deixa de Johnson, não poderíamos dizer que é como se tudo acabasse fazendo parte de uma grande narrativa – aliás, uma forma diferente de narrativa – , que começa pelo texto principal, prossegue pelo conteúdo  sugerido pelos links e só ao final desse processo é reelaborada pelo internauta?

É uma nova maneira de processar conhecimento.

Como aproveitar melhor essa nova possibilidade? Eis um exercício que está diante de nós todos os dias, a cada novo clique.

Se o PC já mudou a maneira como você escreve, o que dizer do Twitter?

Caros leitores, estou cá com minhas teclas a pensar umas coisas esquisitas: o processador de textos transformou nosso modo de escrever? Redigir reportagens, teses, cartas para a namorada ou bilhetes infames direto no computador alterou nosso estilo da escrita? Indo além, mudou a maneira como argumentamos por meio de palavras escritas?

As interfaces interferem na maneira como organizamos nossa comunicação

As interfaces influenciam no modo como organizamos nossa comunicação

O fato de não precisarmos mais – como quando fazíamos na época em que redigíamos textos longos no papel ou à máquina – preparar mentalmente as frases antes de dar forma a elas teve algum efeito colateral?

Reflitam comigo.

Hoje funcionamos quase no automático. Sentamo-nos diante do PC ou notebook – agora iPad e demais tablets -  e mandamos brasa. É mais ou menos assim: a tela em branco não perdura em seu estado imaculado nem um minuto, e lá vai o tec tec tec. Depois damos uma olhadela. Não, está ruim. Apaga. Começa de novo. Piorou, refaz. Tec tec tec. Bom, melhorou. Uma hora engrena. Vai, mano! E assim caminha a humanidade.

O tec tec tec e o cheiro de celulose

Agora voltemos no tempo (quer dizer, voltemos, nós, que vivemos a era jurássico-celulósica em sua plenitude; quem já cresceu com a tela do PC, tente imaginar como era o processo).

Na Era jurássico-celulósica, estruturávamos mentalmente as frases antes de passá-las ao papel. Afinal, ninguém queria refazer o que havia redigido à máquina

Na Era jurássico-celulósica, estruturávamos mentalmente as frases antes de passá-las ao papel. Afinal, ninguém queria perder tempo refazendo o que havia redigido à máquina

Para escrever à máquina ou na folha de papel, o exercício natural era estruturar minimamente que fosse as primeiras frases mentalmente, para que, quando as escrevêssemos, o texto estivesse encaminhado. Era uma maneira de reduzir o retrabalho. Afinal, não dava para deletar (eis uma palavra filhote do que veio a seguir) folhas datilografadas ou enfeitadas com letras forjadas em cadernos de caligrafia.

Bom, mas você pode perguntar: e daí?

Para explicar, chamo agora o Steven Johnson, o “culpado” por este texto. Foi a leitura do livro dele, “Cultura da Interface” (Zahar), que me fez matutar sobre o assunto. Na verdade, essa questão já me intrigava, pois tentei tempos atrás rascunhar crônicas à mão – algo que fiz durante anos com naturalidade – e me senti um completo incapaz. Não fluiu. O jeito foi ir para o notebook…

O design das ideias

Formado em semiótica pela Brown University e em literatura inglesa pela Columbia University, Johnson investiga como o design de interface – pense no computador, por exemplo – transforma nossa maneira de criar e comunicar.

Diz ele:

“A coisa realmente interessante aqui é que o uso do processador de textos muda nossa maneira de escrever – não só porque estamos nos valendo de novas ferramentas para dar cabo da tarefa, mas também porque o computador transforma fundamentalmente o modo como concebemos as frases, o processo de pensamento que se desenrola paralelamente ao processo de escrever”, escreve Johnson.

Ele continua:

“Podemos ver essas transformações operando em vários níveis. O mais básico diz respeito a simples volume: a velocidade da composição digital – para não mencionar os comandos de voltar o verificador ortográfico – tornam muito mais fácil aviar dez páginas num tempo em que teríamos de rabiscar cinco com caneta e papel. A efemeridade de certos formatos digitais – sendo o e-mail o exemplo mais óbvio – também criou um estilo de escrita mais descontraído, mais coloquial, uma fusão de certa escrita com conversa por telefone.”

“Mas, para mim”, continua Johnson, “ o efeito colateral mais intrigante do processador de textos reside na relação alterada entre uma frase em sua forma conceptual e sua tradução física na página ou na tela. Nos anos em que ainda escrevia com caneta e papel, ou usando a máquina de escrever, quase invariavelmente elaborava cada frase na minha cabeça antes de começar a transcrevê-la para a página. Havia um claro antes e depois no processo: eu planejava de antemão o sujeito e o verbo, os advérbios e as orações subordinadas; ficava ajeitando o arranjo por um ou dois minutos, e quando a mistura parecia correta, voltava para o bloco pautado amarelo.”

“Tudo mudou depois que o canto da sereia da interface Mac me induziu a escrever diretamente no computador(…) o processador de textos eliminava o sacrifício que as revisões normalmente impunham.”

“Ao cabo de alguns meses, percebi uma modificação no modo como eu trabalhava com frases: processos de pensamento e digitação começaram a coincidir. Uma expressão vinha à minha mente – um fragmento de frase, uma frase de abertura, uma observação parentética – e antes que tivesse tempo de ruminá-la, as palavras já estavam na tela”, diz o autor.

Ainda é difícil saber como a lógica dos fragmentada dos microblogs vai agir em nós e nas próximas gerações

Ainda é difícil saber como a lógica fragmentada e instantânea dos microblogs vai agir em nós e nas próximas gerações

E vejam vocês: Johnson escreveu isso em 1997, ou seja, nos primórdios na web, quando um troço chamado Twitter nem de longe passaria pela cabeça do mais visionário dos seres que habitam o Vale do Silício.

O que pensar então das transformações na forma como escrevemos provocadas pela emergência dos 140 caracteres? E pelas mensagens enviadas por meio de smartphones, iPhones, iPads?