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Estudante de 23 anos atua como agregador de notícias no Twitter sobre caos no Rio

Em meio à explosão da violência no Rio de Janeiro, um caso muito interessante nos convida à reflexão sobre o fazer jornalístico na era das redes sociais. Um caso que diz muito também sobre como o ecossistema da informação se organiza ( ou se desorganiza) diante da participação do cidadão em grandes fatos que exigem apuração, produção e distribuição rápidas da informação.

Na madrugada de terça-feira para quarta, quando o combate ao tráfico do Rio crescia assustadoramente, um  perfil Twitter denominado @caosrj começou a postar mensagens sobre o assunto. Os tweets abordavam de informações sobre carros incendiados a dicas para escapar de pontos de tiroteio no Rio de Janeiro e também em Niterói.

Conforme a temperatura dos ataques subia, o perfil ampliou seu escopo e passou a retuitar jornais, rádios e TVs.

Agregador de notícias

Como a onda de boatos e informações desencontradas é grande em situações como essa, o usuário começou a separar o joio do trigo, ou seja, tentar identificar o que é boato daquilo que real, dentro do que é possível fazer num momento como esse e correndo todos os riscos possíveis. Quando errava ou constatava um dado impreciso, um novo tweet corrigia o post anterior.

Assim, o perfil @caosrj transformou-se sem querer  num eficiente agregador de notícias sobre a crise da violência no Rio.

caosrj-twitter

O responsável pela iniciativa é um estudante de jornalismo chamado Pablo Tavares  que, diante da preocupação com o problema e a curiosidade própria de quem quer ser jornalista, resolveu ocupar suas horas vagas tuitando sobre o assunto. Aos 23 anos, Pablo está no quarto período do curso de jornalismo ( o equivalente ao segundo ano). Não trabalha na área ainda.

O momento em que entramos na história

Quando Cristina De Luca, diretora de redação da rede Now Digital, controladora do IDG Now!, viu os tweets de @caosrj, tentou contato com o usuário – sem saber de quem se tratava inicialmente.  Ao analisar a sequência de tweets, ela percebeu que ali poderia ser um canal de reunião de informações em tempo real sobre a crise no Rio, um meio para manter-se atualizada com rapidez. Por isso procurou se certificar da procedência das informações e de quem as postava. A cada passo, comentava comigo e outros colegas da redação o desenrolar da história. Eu também passei a seguir perfil.

Ela mandou uma mensagem aberta perguntando quem era o responsável por perfil. O usuário respondeu, e partir de então iniciou-se uma conversa por DM (mensagem direta privada). Nesse canal fechado, Pablo se identificou e contou um pouco sobre como realizava sua cobertura.

As primeiras conversas do IDG Now! com o usuário

As primeiras conversas do IDG Now! com o usuário

Ela perguntou se Pablo toparia dar uma entrevista a nós. Foi aí então que eu, que sabia da história por meio dos relatos da Cris, entrei diretamente no circuito.

Curiosidade

Liguei e conversei com Pablo.

Ele me disse que estuda na universidade Plínio Leite, em Niterói e que a ideia do perfil no microblog surgiu quase que por acaso, motivada pela sua curiosidade.

“Eu acompanhava  as notícias na mídia, principalmente sobre Niterói, onde moro. Mas vi que os veículos estavam atrasados em relação ao Twitter, o que é natural. Afinal, há muitos boatos, os veículos precisam checar antes. Mas comecei a ver que muitas pessoas relatavam casos que elas estavam vendo, como carros sendo queimados ou locais de tiroteios. Quando via que três, quatro ou mais usuários confirmavam uma história, a probabilidade de ela ser verdadeira é grande. E o mesmo acontecia para desmentir: quando algo não está certo, os outros usuários desmentem”, diz.

“As pessoas traziam um relato emocional, mas achei que pudesse ser útil porque poderia ajudar a orientar a pessoas a fugir de situações perigosas”, disse.

Um detalhe importante nessa história toda: Pablo tomou sozinho a iniciativa de criar o perfil e fazer a seu modo a cobertura.

  • Excelente iniciativa! Seria muito interessante se cada um de nossos representantes eleitos recebessem esse tipo de acompanhamento de seus eleitores...

  • A jornalista

    Gostaria de ressaltar que o mais importante aqui não é nem o trabalho jornalístico propriamente dito, uma vez que ele apenas reproduz (de certa forma editando, é verdade, mas é o que fazemos o tempo todo na vida), nem a idéia, que é bem simples. O trabalho maior, o mais importante e que deve ser destacado é a inicitiva do rapaz, que podia simplesmente ter se omitido. Parabéns ao cidadão Pablo!

  • O menino tem um super espírito de reportagem. Não está só agregando informação... está checando! Parabéns! Orgulho, Brasil!

  • Mia

    Realmente lamentável ver comentários como os do Marcio aqui. Aproveitador? Pablo teve uma ótima iniciativa e provavelmente está ajudando muita gente através dela. Aproveitador é quem, diante dessa situação, ainda encontra um jeito de depreciar alguém.

  • Cláudia

    Concordo com o Marcio. Só no Brasil isso ainda vira notícia e o cara é entrevistado como celebridade.

  • Marcio

    Mais um aproveitador com intenção de ganhar seus 15 min de fama. Não sei quem é pior, se é esse cara que não faz nada mais do que milhões de outras pessoas estão fazendo mundo afora pelo twitter ou se a IDG por se prestar a fazer virar notícia uma coisa tão banal como essa e ainda querer entrevistar o cara. Jornalismo sério eventualmente também faz bem, ok!

  • Ser mediador de informação não é fazer coisa banal. Parece que de comunicação você não entende muito. Lamentável.

  • Vivianssmattos

    Pablo merece uma oportunidade de estágio com vocês!!!rs

  • Marcos

    Está errado o link @caosjr e sim @caosrj

  • Olá, Marcos. Obrigado e desculpe-me pelo erro. Já foi corrigido.

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