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O Big Brother na internet está mais perto do que você pensa

Procuram-se mães internautas que tenham entre 30 e 40 anos, morem no bairro paulistano de Perdizes, tenham iPhone 3GS e gostem de esportes.

Imagine, amigo leitor, que um determinado anunciante esteja em busca de um público exatamente com esse perfil, hipotético, acima descrito. Trata-se de um detalhamento sofisticado e indica a tentativa de alcançar um grau elevado de personalização.

As ferramentas disponíveis hoje no mercado permitem a qualquer anunciante bem assessorado fazer avaliações precisas sobre o perfil de internautas sem que se saiba o nome da pessoa. Bom, pelo menos é isso que se espera: que o anunciante não saiba o nome da pessoa.

Individualização

A companhia Empório de Mídia, de São Paulo, reformulou sua estratégia de mercado para entregar a comunicação personalizada. A expansão nos negócios já se faz notar: de sete funcionários que mantinha no ano passado, passou agora para 38. A meta da empresa é registrar faturamento de R$ 6 milhões em 2010, o dobro do alcançado em 2009.

E, no que se refere à a privacidade, a Empório de Mídia assegura que não tem acesso à identidade dos internautas.

Depois de investir seis meses no desenvolvimento de softwares de monitoramento de internet, a empresa diz que é capaz de alcançar “audiências online hiper-segmentadas”. Um exemplo que cabe nessa definição é o que foi citado no começo desta matéria.

Uma divulgação feita pela empresa para alguns jornalistas nesta semana, no entanto, identifica o destinatário, com entrega de um CD de uma banda que a pessoa gosta. A alegação da companhia é de que o gosto musical pôde ser conhecido com base em monitoramento público de redes sociais. Mas o nível de conhecimento demonstrado na ação pode acender o sinal de alerta sobre a possibilidade de uso tecnologia que a oferece. Isso não quer dizer que, além da identificação do perfil, mas também da identidade do usuário da rede social, tenha sido ou deva ser usada.

Em resumo, o modelo utilizado pela Empório de Mídia para obter esse detalhamento é a convergência de Business Intelligence ( sistema baseado em análises de bancos de dados para tomada de decisão) e behavioral targeting (técnica para entregar mensagens contextualizadas a um usuário durante sua navegação na web). A empresa também se vale de profissionais para rastrear blogs, portais, sites e redes sociais.

“Utilizamos o behavioral targeting 2.0, a hiper-segmentação. Assim, entregamos a mensagem que interessa ao internauta”, afirma Gabriel Menegatti, presidente da Empório de Mídia.

“Em tese o sistema tem a informação (sobre a identidade da pessoa). Mas, para nós, a identificação é somente por códigos numéricos, ou seja, não sabemos o nome dos usuários”, afirma.

“Na web, hoje, todo mundo está sendo monitorado. E isso passa pelo Google Analytics, pelos sistemas de adserver, por exemplo. A questão é o que você faz com os dados. No nosso caso, estabelecemos como princípio o fato de que os dados dos usuários são sigilosos”.

Dados

A base de dados da Empório de Mídia é enriquecida por uma rede de sites conveniados de diversos segmentos. A partir do opt-in concedido pelos internautas desses sites, as informações sobre gostos e preferências são utilizadas em ações de comunicação.

A tendência aqui e lá fora é o avanço da comunicação personalizada. É simples entender a razão: os resultados obtidos com campanhas desse tipo são maiores que as tradicionais, argumenta Menegatti. Uma ação feita pela companhia para Smirnoff, por exemplo, obteve taxa de clique de 0,59%, enquanto a média no mercado varia entre “0,15% a 0,25%”, diz

  • A situação é muito delicada, particularmente creio que existirão sempre empresas íntegras, que preservarão a identidade, respeitarão o opt-in, e outras que não agirão com ética.

    "Convergência de Business Intelligence e behavioral targeting"... Muito interessante tudo isto... Este é o planeta Terra 2.0.

    Valeu, Clayton.

  • Gabriel Menegatti

    Olá Clayton, como está?

    Parabéns pela matéria e forma com que descreve as possibilidades de segmentação. Como citei em nossa conversa, as possibilidades realmente são infinitas, porém, sempre usadas para o bem (do usuário e anunciante)!

    Se me permite, gostaria de fazer um comentário sobre o que você chamou de "Big Brother", pois para mim, ao ler a notícia, gerou-se um sentimento de que a Empório e outras empresas que também fazem segmentação (como Microsoft, Google, etc..), estão fazendo coisas "erradas", isso é, monitorando o usuário de forma "indevida".

    É importante ressaltar que todo e qualquer usuário pode "sair", isso é, pedir sua exclusão, da "rede" ou do monitoramento, apenas acessando nosso site e solicitando o seu "opt-out".

    Dessa maneira, o usuário não fará mais parte das possibilidades de segmentação, porém, ao mesmo tempo, deixará de receber os benefícios que isso trás, por exemplo:
    - Promoções exclusivas de anunciantes, destinadas a um determinado público; (que hoje não são realizadas, pois os grandes e tradicionais veículos, não conseguem fazer essas segmentações)
    - Maior relevância da propaganda ao que o usuário está buscando na internet e, não mais, banners ou e-mails de "super descontos" de enxoval, exibidos para um garoto de 18 anos!

    Em fim, penso que quanto mais o mercado publicitário brasileiro aprender, entender e usar as soluções ou ferramentas de hiper-segmentação, mais perto estaremos de do “verdadeiro” engajamento entre o usuário e a marca, principalmente através da personalização.

    Mais uma vez, parabéns por “abrir” os olhos dos usuários, anunciantes e planejadores de mídia das agências de publicidade!

    Forte abraço,
    Gabriel Menegatti.
    Empório de Mídia.

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