Arquivo

Arquivo de novembro, 2010

Violência no Rio: redes sociais têm mecanismos para desmentir boatos

A repercussão das notícias sobre a violência no Rio de Janeiro demontra que as redes sociais têm mecanismos eficientes para desmentir boatos. A afirmação foi feita em podcast ao IDG Now! por Sérgio Amadeu, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo e um dos principais estudiosos da cibercultura do País.

“Não temos uma pesquisa minuciosa sobre isso ainda. A gente tem hipóteses e analises feitas a partir de entrevistas com pessoas que usam muito a rede e que confirmam o seguinte: um boato pode se espalhar muito fortemente. Mas ele é rapidamente desmentido. É a primeira constação. A segunda constatação é que diferenciar boatos de campanhas temática ou política”, afirma Amadeu, que é ex-presidente do Instituto de Tecnologia da Informação, órgão ligado à Casa Civil da Presidência da República.

Ele também analisa a situação atual e o desafios para o jornalismo cidadão no Brasil hoje.

Basta clicar abaixo para ouvir o podcast.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Campanha pela paz no RJ quer engajar usuários do Twitter

A crise da violência do Rio de Janeiro é uma boa ocasião para colocar à prova a estratégia de redes sociais do governo do Estado. Iniciado há um ano, o projeto conta com uma série de canais e ações em andamento no Twitter, Facebook, YouTube e Orkut, num trabalho que foi intensificado nesta semana em razão da luta contra o tráfico.

Um exemplo prático:  o subsecretário de segurança Edval Novaes, definido no projeto como o porta-voz para mídias sociais, respondeu na tarde desta sexta-feira (17/11) perguntas de internautas via Twitcam.A conversa durou cerca de meia hora.

O objetivo foi atualizar a população sobre o desenrolar das ações de combate ao tráfico e tirar dúvidas. Ele espera, assim, evitar “boataria, informações desencontradas e aproximar cidadão e governo”, explica Risoletta Miranda, diretora-executiva da FSB Digital, empresa que coordena o projeto de mídias sociais do governo do Rio de Janeiro.

Ontem Novaes também conversou com os internautas e deve repetir a dose nos próximos dias. ‘Ele é o porta-voz do governo para as redes sociais. O foco da estratégia é dar informações, com o máximo de entrevistas possível, e assim evitar a boataria e o pânico”, diz Risoletta.

“Na ação de ontem, durante a coletiva do secretário Beltrame, houve 250 mil exposições no Twitter, com mais de 180 mil tweets com a hastag que criamos para esse fim:#beltrame”

Campanha pelo Twitter

Outro exemplo de ação surgiu hoje. O GovRJ, nome do projeto de redes sociais do governo, criou a campanha “Paz no Rio”, que tem no Twitter seu principal canal de difusão. A ação consiste em estimular os usuários para que eles insiram selos em defesa da paz no Rio de Janeiro em seus perfis de redes sociais, especialmente o Twitter e o Facebook. O serviço utilizado para isso é o Twibbon.

paznorio

Naila Oliveira, profissional da FSB Digital responsável pela coordenação do projeto de redes sociais do governo, explica que a atuação em cada canal da web respeita as características do meio, com linguagem e comunicação direcionadas.

O Facebook, por exemplo, privilegia o engajamento e discussões, especialmente por parte as classes A e B, que respondem pela maior parte do público do site.

O Orkut, muito representado pela classe C, destaca informações de interesse público. Durante as chuvas de fevereiro, por exemplo, o GovRJ usava seu perfil do Orkut para informar sobre escolas que ficariam sem aulas.

No canal do GovRJ do YouTube,vídeos com entrevistas de Novaes e também de José Mariano Beltrame, secretário de segurança, e também de Sérgio Cabral, governador, entre outros.  No Flickr, fotos de eventos e outras atividades do governo. A estratégia não contempla blog.

O Twitter funciona como canal de informação e também como ponto de convergência entre todos os canais, pois, por meio dele, os usuários são estimulados a visitar os demais canais.

Convergência, aliás, é um tema que Risoletta afirma ser uma busca constante, na rede e também com a assessoria de imprensa do governo do Rio, de responsabilidade de outra divisão da FSB. “Estamos sempre em contato com a assessoria para as ações sairem coordenadas”.

Uma observação a fazer

Percebe-se que a estratégia de redes sociais delineada levou em consideração o perfil de cada canal e fez um estudo sobre a melhor maneira de utilizá-los. Mas uma questão a ser observada é que o portal do governo não está integrado ao projeto – a FSB Digital foi contratada para criar e executar as ações de redes sociais, por isso não responde pelo portal.

Assim, o portal “não conversa” com os demais canais de redes sociais. O usuário – eu fiz essa experiência – enfrentará dificuldade básicas, como, por exemplo, achar rapidamente no portal botões que encaminhem para Twitter, Facebook e YouTube, só para citar alguns exemplos simples.  O mesmo raciocínio vale para a distribuição rápida e fácil de informações de interesse público contidas no site.

Estudante de 23 anos atua como agregador de notícias no Twitter sobre caos no Rio

Em meio à explosão da violência no Rio de Janeiro, um caso muito interessante nos convida à reflexão sobre o fazer jornalístico na era das redes sociais. Um caso que diz muito também sobre como o ecossistema da informação se organiza ( ou se desorganiza) diante da participação do cidadão em grandes fatos que exigem apuração, produção e distribuição rápidas da informação.

Na madrugada de terça-feira para quarta, quando o combate ao tráfico do Rio crescia assustadoramente, um  perfil Twitter denominado @caosrj começou a postar mensagens sobre o assunto. Os tweets abordavam de informações sobre carros incendiados a dicas para escapar de pontos de tiroteio no Rio de Janeiro e também em Niterói.

Conforme a temperatura dos ataques subia, o perfil ampliou seu escopo e passou a retuitar jornais, rádios e TVs.

Agregador de notícias

Como a onda de boatos e informações desencontradas é grande em situações como essa, o usuário começou a separar o joio do trigo, ou seja, tentar identificar o que é boato daquilo que real, dentro do que é possível fazer num momento como esse e correndo todos os riscos possíveis. Quando errava ou constatava um dado impreciso, um novo tweet corrigia o post anterior.

Assim, o perfil @caosrj transformou-se sem querer  num eficiente agregador de notícias sobre a crise da violência no Rio.

caosrj-twitter

O responsável pela iniciativa é um estudante de jornalismo chamado Pablo Tavares  que, diante da preocupação com o problema e a curiosidade própria de quem quer ser jornalista, resolveu ocupar suas horas vagas tuitando sobre o assunto. Aos 23 anos, Pablo está no quarto período do curso de jornalismo ( o equivalente ao segundo ano). Não trabalha na área ainda.

O momento em que entramos na história

Quando Cristina De Luca, diretora de redação da rede Now Digital, controladora do IDG Now!, viu os tweets de @caosrj, tentou contato com o usuário – sem saber de quem se tratava inicialmente.  Ao analisar a sequência de tweets, ela percebeu que ali poderia ser um canal de reunião de informações em tempo real sobre a crise no Rio, um meio para manter-se atualizada com rapidez. Por isso procurou se certificar da procedência das informações e de quem as postava. A cada passo, comentava comigo e outros colegas da redação o desenrolar da história. Eu também passei a seguir perfil.

Ela mandou uma mensagem aberta perguntando quem era o responsável por perfil. O usuário respondeu, e partir de então iniciou-se uma conversa por DM (mensagem direta privada). Nesse canal fechado, Pablo se identificou e contou um pouco sobre como realizava sua cobertura.

As primeiras conversas do IDG Now! com o usuário

As primeiras conversas do IDG Now! com o usuário

Ela perguntou se Pablo toparia dar uma entrevista a nós. Foi aí então que eu, que sabia da história por meio dos relatos da Cris, entrei diretamente no circuito.

Curiosidade

Liguei e conversei com Pablo.

Ele me disse que estuda na universidade Plínio Leite, em Niterói e que a ideia do perfil no microblog surgiu quase que por acaso, motivada pela sua curiosidade.

“Eu acompanhava  as notícias na mídia, principalmente sobre Niterói, onde moro. Mas vi que os veículos estavam atrasados em relação ao Twitter, o que é natural. Afinal, há muitos boatos, os veículos precisam checar antes. Mas comecei a ver que muitas pessoas relatavam casos que elas estavam vendo, como carros sendo queimados ou locais de tiroteios. Quando via que três, quatro ou mais usuários confirmavam uma história, a probabilidade de ela ser verdadeira é grande. E o mesmo acontecia para desmentir: quando algo não está certo, os outros usuários desmentem”, diz.

“As pessoas traziam um relato emocional, mas achei que pudesse ser útil porque poderia ajudar a orientar a pessoas a fugir de situações perigosas”, disse.

Um detalhe importante nessa história toda: Pablo tomou sozinho a iniciativa de criar o perfil e fazer a seu modo a cobertura.

Combate ao tráfico vira trend topics mundial, mas no Rio não

Os ataques que acometem o Rio de Janeiro desde a segunda-feira ( 221//11) alcançaram hoje o trend topics mundial, o que dizer que a violência no Estado está entre os assuntos mais comentados no mundo.

Para dar uma ideia da repercussão no microblog, das 10 hastags mais populares por volta das 16h30, cinco referiam-se ao problema do Rio de Janeiro.

As cinco hashtgs sobre o problema são: BOPE, #rio, Vila Cruzeiro, Marinha e Penha – esta saiu pouco depois.

Curiosamente, na medição referente ao Estado alvo da violência nesta semana o interesse pelo assunto no Twitter é menor. Apenas duas hastags sobre o assunto figuram entre as dez: #mafiadocabral e Tijuca.

A liderança está com #shackFriday,assim como no mundial (é um tweet promocional, publicitário).

Em São Paulo só uma hastag: Datena. Cabea observação que, no caso do apresentador da Band, boa parte das citações refere-se ao combate ao tráfico no Rio, embora haja tweets não relacionados ao tema.

Luan Santana e Fluzão está na lista do Rio

Se #mafiadocabral era a terceira mais popular no horário entre os usuários do Rio, causa estranhamento o baixo número de hastags sobre a violência.  Entre as dez, aparecem como referência ao tema #diadomusico (em segundo lugar), #GravaçãoDVDLuanSantana e Fluzão.

Mais informações a seguir

As empresas estão nas redes sociais, mas os CEOs…

Ouvimos aos borbotões notícias de empresas que ingressam nas redes sociais. Mas, quando é o CEO, a história é diferente.

Um estudo da agência internacional de relações públicas Weber Shandwick aponta que 64% dos comandantes das maiores companhias do mundo não têm perfis nas redes sociais.

A informação está na pesquisa “Socialize seu CEO: De (anti)social a social”. O trabalho procurou identificar as atividades de comunicação publicamente visíveis, como entrevistas a jornais e revistas e atuação na internet.

Segundo o estudo, nove entre dez CEOs das 50 maiores empresas do mundo se comunicam por canais convencionais: 93% são citados em reportagens da imprensa internacional e em veículos de negócios.

A comunicação online, por sua vez, não é comum  no cotidiano desses executivos. O principal canal de exposição são perfis sobre eles na Wikipédia. No mais, a atuação é modesta: 36% participam de alguma maneira dos sites de suas companhias ou redes sociais. Nestes casos, os exemplos são os compartilhados pela maioria dos internautas, como Twitter, Facebook, LinkedIn ou blogs corporativos, entre outros.

A pesquisa procurou identificar também quem é o CEO ativo nas redes sociais. Veja alguns de seus traços característicos:

* CEOs que participam atividamente de redes sociais geralmente comandam organizações muito conhecidas.

*  Os “CEOs sociais” participam de mais de uma rede: 72% deles utilizam 1,8 canais na intenet.

* Os CEOs americanos são os mais participativos.

* Quanto maior o tempo no cargo, maior a atuação nas redes. Segundo a pesquisa, os CEOs com até 3 anos no cargo participam menos que aqueles que têm mandatos médios ( 3 a 5 anos) ou mais longos (acima de 5 anos). As porcentagens, respectivamente, são  30%, 38% e 43%.

E por que então os CEOs participam tão pouco das redes sociais?

Segundo a Weber Shandwick, uma das razões é que prevalece a ideia nesse público de que o tempo é melhor empregado no relacionamento com clientes e funcionários. Isso sem falar no fato de que o departamento jurídico costuma recomendar cautela na web 2,0, avalia Weber Shandwick.

O Big Brother na internet está mais perto do que você pensa

Procuram-se mães internautas que tenham entre 30 e 40 anos, morem no bairro paulistano de Perdizes, tenham iPhone 3GS e gostem de esportes.

Imagine, amigo leitor, que um determinado anunciante esteja em busca de um público exatamente com esse perfil, hipotético, acima descrito. Trata-se de um detalhamento sofisticado e indica a tentativa de alcançar um grau elevado de personalização.

As ferramentas disponíveis hoje no mercado permitem a qualquer anunciante bem assessorado fazer avaliações precisas sobre o perfil de internautas sem que se saiba o nome da pessoa. Bom, pelo menos é isso que se espera: que o anunciante não saiba o nome da pessoa.

Individualização

A companhia Empório de Mídia, de São Paulo, reformulou sua estratégia de mercado para entregar a comunicação personalizada. A expansão nos negócios já se faz notar: de sete funcionários que mantinha no ano passado, passou agora para 38. A meta da empresa é registrar faturamento de R$ 6 milhões em 2010, o dobro do alcançado em 2009.

E, no que se refere à a privacidade, a Empório de Mídia assegura que não tem acesso à identidade dos internautas.

Depois de investir seis meses no desenvolvimento de softwares de monitoramento de internet, a empresa diz que é capaz de alcançar “audiências online hiper-segmentadas”. Um exemplo que cabe nessa definição é o que foi citado no começo desta matéria.

Uma divulgação feita pela empresa para alguns jornalistas nesta semana, no entanto, identifica o destinatário, com entrega de um CD de uma banda que a pessoa gosta. A alegação da companhia é de que o gosto musical pôde ser conhecido com base em monitoramento público de redes sociais. Mas o nível de conhecimento demonstrado na ação pode acender o sinal de alerta sobre a possibilidade de uso tecnologia que a oferece. Isso não quer dizer que, além da identificação do perfil, mas também da identidade do usuário da rede social, tenha sido ou deva ser usada.

Em resumo, o modelo utilizado pela Empório de Mídia para obter esse detalhamento é a convergência de Business Intelligence ( sistema baseado em análises de bancos de dados para tomada de decisão) e behavioral targeting (técnica para entregar mensagens contextualizadas a um usuário durante sua navegação na web). A empresa também se vale de profissionais para rastrear blogs, portais, sites e redes sociais.

“Utilizamos o behavioral targeting 2.0, a hiper-segmentação. Assim, entregamos a mensagem que interessa ao internauta”, afirma Gabriel Menegatti, presidente da Empório de Mídia.

“Em tese o sistema tem a informação (sobre a identidade da pessoa). Mas, para nós, a identificação é somente por códigos numéricos, ou seja, não sabemos o nome dos usuários”, afirma.

“Na web, hoje, todo mundo está sendo monitorado. E isso passa pelo Google Analytics, pelos sistemas de adserver, por exemplo. A questão é o que você faz com os dados. No nosso caso, estabelecemos como princípio o fato de que os dados dos usuários são sigilosos”.

Dados

A base de dados da Empório de Mídia é enriquecida por uma rede de sites conveniados de diversos segmentos. A partir do opt-in concedido pelos internautas desses sites, as informações sobre gostos e preferências são utilizadas em ações de comunicação.

A tendência aqui e lá fora é o avanço da comunicação personalizada. É simples entender a razão: os resultados obtidos com campanhas desse tipo são maiores que as tradicionais, argumenta Menegatti. Uma ação feita pela companhia para Smirnoff, por exemplo, obteve taxa de clique de 0,59%, enquanto a média no mercado varia entre “0,15% a 0,25%”, diz

Bon Jovi terá show transmitido pelo YouTube. Uma nova tendência?

Você gosta de Bon Jovi?

Hummm…Bom, mesmo que eu não possa compartilhar dessa preferência musical, fica a dica: às 23h desta quarta-feira (10/11), a banda americana terá show transmitido ao vivo pelo YouTube. A apresentação será em Nova York.

Set list de apresentação da banda foi feito a partir de pedidos enviados pelo YouTube

Set list de apresentação da banda foi feito a partir de pedidos enviados pelo YouTube

Será possível cantarolar os hits do grupo (ou cornetar, se você não curti-los) por meio do canal do Bon Jovi no portal de vídeos.

Independentemente de apreciar ou não as canções “bon jovianas”, é preciso destacar a sacada de que o set list do show foi escolhido pelos fãs por meio de votação no YouTube. Interatividade com entretenimento. Os pedidos foram feitos até o dia 8 deste mês.

Clique aqui para ir ao canal do Bon Jovi.

Tendência?

Fico com a dúvida de se essa pode se tornar uma tendência ou não daqui para frente. U2 e Arcard Fire também já fizeram o mesmo este ano.

Não tenho detalhes de como foi são os acordos firmados. Mas é evidente o potencial de exposição e marketing para músicos, portal e marcas.

Agora eu quero saber o seguinte: quem serão os próximos?

Deixo aqui minha torcida para que tenhamos as seguintes bandas ao vivo pelo YouTube:

• AC/DC
• Rolling Stones
• Metallica
• Pearl Jam
• The Strokes
• Rage Against the Machine

Cofundadores do YouTube e MySpace procuram startups no Brasil

O auditório da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, esteve apinhado de gente na tarde desta terça-feira. Na plateia, inúmeros empreendedores ou candidatos a empreendedores, entre outros convidados. Era fácil perceber que a imensa maioria era composta por jovens.

Eles estavam lá por uma razão muito simples: queriam ouvir o que investidores do Vale do Silício – a meca da tecnologia mundial – tinham a dizer aos brasileiros na Semana do Vale do Silício, evento realizado de hoje até o dia 12 e que também passará pelo Rio de Janeiro.

Para a plateia e para diversos profissionais do setor digital, é importante saber se esses rapazes – que ter os seus trintas e poucos anos -, responsáveis pela chave de cofres de investidores internacionais, estão dispostos a destinar recursos a projetos de tecnologia desenvolvidos no Brasil.

Afinal, enquanto as economias americana e europeia estão cambaleantes, a brasileira vai bem e o País se destaca entre os emergentes. Logo, despontamos como alvos preferenciais para investimentos de diversos setores, incluindo o de tecnologia.

Pesquisa in loco

A resposta é quase a mesma entre os visitantes ilustres – e destaque-se a palavra “ilustres”. Estamos falando, entre outros, de cofunfadores de empresas como YouTube, MySpace.

“Sim, estamos estudando investir em startups no Brasil. “E minha primeira vez no País, um mercado que se mostra muito bom para investimentos”, emenda de bate pronto Jawed Karim, cofundador do YouTube e sócio fundador do fundo de investimento de risco Youniversity Ventures, criado em parceria com investidores do PayPal.

“Claro, estamos explorando o mercado para identificar as melhores oportunidades”, diz Aber Whitcomb, ex-CTO e cofundador do MySpace.

Ele e Karim desligaram-se respectivamente de MySpace e YouTube há algum tempo e hoje buscam identificar oportunidades de investimentos em novas startups mundo afora.

Embora afirmem a disposição em investir, ambos tergiversam ao falar sobre os perfis dos projetos.

Whitcomb foi encarregado da engenharia e operações técnicas daquela que já foi a maior rede social do mundo. Ele se notabilizou como um especialista em redes, armazenamento e computação em grande escala.

Formado em Ciência da Computação, Karim, por sua vez, tem buscado até o momento oportunidades entre ex-alunos e alunos da Universidades de Stanford e Illinois.

Desafios

Outro que reforçou o discurso de exaltação ao mercado brasileiro de tecnologia é Paul Bragel, confundador da americana I/O Ventures, que investe em startups.

Também se dizendo em busca de oportunidades de negócios no País, Bragel destaca a possibilidade de parceria local. Um dos desafios para o mercado nacional, no entanto, é ampliar a massa de profissionais qualificados para o setor de tecnologia.

“Há engenheiros muitso bons aqui, mas geralmente eles são contratados por grandes bancos e outras companhias de porte. É preciso ampliar a capacidade de recursos humanos no País”, disse.

“Os negócios no Brasil estão animados, hás boas expectativas. O importante é fazer o que estamos fazendo: vir ao País, pesquisar o mercado, compartilhar experiências”, afirmou Bragel, que disse ter conhecido mais do mercado digital brasileiro depois da venda milionária do Buscapé para o Naspers.

Como eles vieram parar aqui

Os investidores estão no Brasil graças ao empenho de três brasileiros: o professor José Augusto Corrêa, da FGV; Rodrigo Veloso, CEO da O.N.E, que tem sede em Los Angeles; e Reinaldo Normand, fundador do Zeebo, startup criada originalmente como um console de videogame e hoje posicionado como uma “plataforma de entretenimento e educação adquirida pela Qualcomm.

Eles são sócios na BricChamber , empresa definida como uma “Câmara de negócios Brasil, Rússia, Índia e China – a referência ao Bric está no nome.

O maior objetivo da companhia é estimular o empreendedorismo em países emergentes. Para isso, propõe-se a promover intercâmbios de negócios e compartilhamento de experiências entre empreendedores dos mercados em desenvolvimento.

Sua atuação se dará em diversos setores da economia, como energia e bens de consumo. A área de tecnologia foi escolhida para dar a largada em função do bom trânsito que Normand tem entre as cabeças pensantes do Vale do Silício.

Racismo no Twitter: SaferNet denuncia ao MP mais de mil perfis de usuários

A SaferNet, ong que combate crimes e violações dos Direitos Humanos na internet, denunciou ao Ministério Público Federal, em São Paulo, 1037 perfis do Twitter que postaram mensagens contra os nordestinos. No total, a ong recebeu por meio de seu site mais de 10 mil denúncias, disse ao IDG Now! o presidente da SaferNet, Thiago Tavares.

“Esse número de 10 mil refere-se ao total recebido. Eliminando-se a duplicidade de mensagens, chegamos ao número de 1037″, diz.

“Só referem à garota Mayara foram de mais de 800 denúncias, ou seja, o tweet dela contra os nordestinos nos foi enviado mais de 800 vezes”.

“Agora, o Ministério Público vai analisar o caso e decidir se arquiva ou se aprofunda as investigações”, afirma.

Como tudo começou

As mensagens contra os nordestinos se disseminaram no Twitter depois do anúncio da vitória de Dilma Rousseff, no domingo. Alguns usuários do Twitter começaram a criticar os nordestinos, responsabilizando-os pela vitória da candidata do PT.

Nesta semana, a OAB-PE entrou com uma notícia-crime no Ministério Público Federal em São Paulo contra uma usuária por ela ter postado o seguinte tweet: “‘Nordestisto’ não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”, escrito desta forma, com erro de português.

“Isso não significa que não possamos, no transcorrer do processo, oferecer notícia-crime às outras pessoas que também postaram mensagens preconceituosas”, afirmou ao IDG Now! na ocasião Henrique Mariano, presidente da OAB-PE.

“A entrega da notícia-crime ao MP foi protocolada na quarta-feira (dia 3/11). Agora, estamos aguardando uma resposta do ministério sobre o caso”, disse hoje Mariano.

Sexo, drogas e redes sociais no cinema: a história por trás do Facebook

Em Desejo de Status, o filósofo Alain de Botton analisa, como o título de sua obra sugere, as raízes do desejo de status na sociedade contemporânea.

Tenta identificar as motivações para o homem moderno buscar a todo custo um valor, o reconhecimento, a aceitação pelos olhos dos outros. Por que essa angústia? Como ela se manifesta? O que indica a respeito de nossa natureza?

O ator Jesse Eisenberg interpreta o papel de Mark Zuckerberg em filme

O ator Jesse Eisenberg interpreta Mark Zuckerberg em filme

A lembrança desse livro – de leitura deliciosa e reveladora – me veio à mente enquanto assistia na quinta-feira à noite (4/11) ao filme A Rede Social (The Social Network), que retrata a história da criação do Facebook.

Com lançamento marcado para 3/12 no Brasil, o longa-metragem dirigido por David Fincher ( Seven e Clube da Luta) e roteirizado por Aaron Sorkin(The West Wing) teve a honra de ser exibido do encerramento da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A projeção foi feita ao ar livre, no imenso gramado da parte dos fundos da Cinemateca, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.

Sede de sexo
Fiel à essência do livro que o inspirou (Bilionários por acaso, de Ben Mezrich, Editora Intrínseca), o filme mostra que Mark Zuckerberg, avançando a partir da ideia de um projeto que estava sendo desenvolvido pelos irmãos Winklevoss – que o contrataram para a empreitada-, programou sorrateiramente uma rede social em Harvard que tinha como objetivo maior, no final das contas, somente uma coisa: arranjar mulher. Ou em português bem claro: descolar umas moçoilas para boas noitadas de sexo.

Jesse Eisenberg convence no papel de um enigmático e genial programador chamado Mark Zuckerberg

Jesse Eisenberg convence no papel de um enigmático e genial programador chamado Mark Zuckerberg

A sacada do “nerd de cabelo enroladinho”, como diz Mezrich no livro, foi inserir funcionalidades em seu site que permitiam detalhar interesses e gostos. “Eis a genialidade daquilo, a novidade que iria fazer toda a diferença. Qual é seu estado civil? Quais são seus interesses? Eram os itens do currículo que constituíam o coração da experiência universitária”, escreve Mezrich.

“O que moveria essa rede social (Facebook) seria a mesma coisa que move a vida social na universidade – sexo. Mesmo em Harvard, a escola mais exclusiva do mundo, tudo girava em torno de sexo”, escreve.

Castas universitárias, cocaína e garotas

E, em Harvard, quem era aceito nos mais prestigiados clubes da universidade – para poucos e seletos, numa espécie das castas universitárias – ficava com as garotas mais gatas.

Zuckerberg e Eduardo Saverin, o brasileiro que financiou o Facebook no começo do projeto e depois foi passado para trás – não participavam de clube nenhum. Isso quer dizer que não pegavam mulher nenhuma.

Sobre isso, vale um parêntesis. À certa altura no filme, há uma festa de comemoração pelo sucesso do Facebook promovida por Sean Parker, fundador do Napster e que depois se incorporou à empresa. A comemoração contou com funcionários do site, entre as quais estagiárias menores de idade – Zuckerberg não estava presente.

Justin Timberlake (à direita) faz Sean Parker, um dos criadores do Napster e que se aproxima de Zuckerberg (Eisenberg)

Justin Timberlake (à direita) faz Sean Parker, um dos criadores do Napster e que se aproxima de Zuckerberg (Eisenberg)

A cocaína rola solta até que a polícia baixa por lá. De um modo peculiar, o Facebook passou a se constituir um clube em si, a ter o seu próprio mundo.

Anseios reais, mundo virtual

Fincher retrata de modo eficiente como esse clima – o desejo de ser aceito pelos clubes e, assim, pegar mulher – está na origem do Facebook. E demonstra também como, em sua escalada para fazer o site vingar, Zuckerberg passa por cima de tudo – inclusive daquele que era seu único amigo próximo em Harvard, o brasileiro Saverin.

E aqui vem outro ponto positivo para Fincher: embora toda a divulgação em torno do filme trate Zuckerberg como vilão ( algo que de fato se nota no longa), o diretor foge do estereótipo de apresentá-lo como um vilão de face única, aquele que é só malvado, só inescrupuloso.

Personagem amoral e ambíguo

Antes, criou um personagem complexo e ambíguo, cujas motivações e sentimentos se escondem por trás da carapaça do nerd de poucas palavras. Quem ele é de fato, o que sente na intimidade, o que pensa?

Ao problematizá-lo, Fincher sugere, a meu ver, que estamos diante de um personagem que tem no temor de ser rejeitado a motivação para suas atitudes – a principal delas a criação do Facebook.

A atriz Rooney Mara faz Erica Albright, a namorada que dá o fora de Zuckerberg

A atriz Rooney Mara faz Erica Albright, a namorada que dá o fora em Zuckerberg

Um sujeito que busca o status ( e aqui está a relação com Botton e seu Desejo de Status) porque quer ser amado; alguém que emprega seu talento de hacker para não ficar solitário, para ser notado, para ser desejado.

O final do filme (que é ótimo e obviamente não vou contar) deixa isso muito claro.

Mas, e faço questão de ressaltar esse ponto, não vejo no filme a tentativa de absolver Zuckerberg de possíveis trapaças ( e nem eu o estou fazendo aqui). Pelo contrário: o fundador do Facebook não sai bem na foto.

O personagem é polêmico e complexo, e assim é retratado no filme. Fincher prefere antes lançar o olhar para as motivações do ser humano, para os anseios mais secretos.

É assim que o livro de Mezrich também trata Mark Zuckerberg, o jovem que reescreveu a história das redes sociais no mundo.

E nós?

E, antes do ponto final no post, uma questão para refletir: o que nos leva – digo em última instância, vejam bem – às redes sociais, a compartilhar o que fazemos e pensamos em sites como o Facebook e o Twitter, entre outros?

Não seria também, no íntimo, o desejo de que sejamos amados?

Projeto NeoFluxo mapeia conteúdo sobre eleição presidencial na internet

O Grupo de Pesquisa Comunicação, Tecnologia e Cultura da Rede do Programa de Mestrado da Cásper Líbero (Teccred) realizou um projeto para mapear o conteúdo relacionado à eleição presidencial na internet.

Chamado de NeoFluxo, o projeto foi planejado para coletar informações e dados de fontes oficiais dos principais candidatos (Facebook, YouTube, Flickr, Twitter e site oficial) e menções específicas no Twitter. Foram analisados dados de Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva.

Divulgado há alguns minutos, o programa, que contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), armazenou mais de 20 milhões menções aos candidatos e palavras- chave definidas pelos pesquisadores.

O Neofluxo é coordenado por Walter Lima, pós-doutor em Tecnologia e Comunicação, professor do Programa de Pós-graduação da Cásper Líbero e colunista do IDG Now!

Campanha

O objetivo foi fornecer dados e permitir análises que contribuam “de maneira efetiva para a compreensão dos novos fluxos informativos na Web, cujo papel foi extremamente debatido durante a campanha”, dizem os organizadores por meio de comunicado.

O material está livre para consulta e cruzamento de dados e pesquisas, inclusive com a possibilidade da construção de APIs.

Horário eleitoral

O Teccred usou como metodologia para a coleta de dados palavras-chave escolhidas pelos pesquisadores com base no horário eleitoral dos candidatos na TV.

“Para identificar o fluxo informativo e verificar quais mensagens e orientações dos candidatos influenciaram discussões, o NeoFluxo tomou como base o Twitter – rede que alcançou 8,9 milhões de visitantes em agosto de 2010, segundo a comScore”, diz o comunicado sobre o projeto.

O NeoFluxo coletou as atualizações dos canais oficiais (Twitter, Facebook, YouTube, Flickr e site) de Dilma e Serra entre 11/09 a 03/10 e, durante o segundo turno, de 08/10 a 29/10.

No mesmo intervalo foram armazenados dados no Twitter. As atualizações da candidata Marina Silva também foram coletadas de 23/09 a 03/10.

O resultado da coleta traz mais de 20,2 milhões de citações aos termos inseridos pelos pesquisadores: “Dilma”, “Serra” e “Marina”. A candidata eleita contabiliza mais de 1,6 milhão de citações diretas; enquanto José Serra alcança 1,3 milhão.

Estamos acompanhando o assunto. Voltaremos ao tema em outros posts, com análises sobre o conteúdo coletado.

Quer ver o filme sobre o Facebook hoje? Ainda dá tempo

Se você quiser ver o filme a história do Facebook antes do lançamento oficial no Brasil, então corra hoje à Cinemateca Brasileira, em São Paulo, e reze para encontrar ingresso.

Zuckerberg é interpretado por Jesse Eisenberg (à esquerda)

Zuckerberg é interpretado por Jesse Eisenberg (à esquerda)

O longa-metragem A Rede Social (The Social Netowrk) será exibido hoje às 21h, como parte da Mostra Internacional de Cinema. Como a cota vendida pela internet já esgotou, resta a esperança de comprar o ingresso diretamente na Cinemateca. A bilheteria abrirá às 19h.

O filme é um dos mais aguardados no ano. Dirigido por David Fincher, a obra foi chamada pela ABC News de um épico sobre as pessoas por trás do site e um filme sobre a busca pelo poder.

Serviço:
Quando: hoje (4/11)
Horário: 21h
Onde: Cinemateca ( rua Largo Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino)
Quanto: R$ 14 (inteira) e R$ 7 a meia entrada

Em reação ao racismo, internautas preparam Dia do Nordeste no Facebook

O onda de tweets racistas que proliferou nas redes sociais – especialmente no Twitter – depois dos resultados das eleições presidenciais estimulou a criação do Dia do Nordeste do Facebook.

diadonordeste

A iniciativa é tratada como um evento da rede social – por meio de um recurso do Facebook, pessoas são convidadas a participar por meio de comentários e conversas.

O Dia do Nordeste está programado para ser realizado entre a zero de sábado (dia 6/11) e zero do domingo (7/11).

A definição de uma data tem o efeito simbólico e funciona para mobilizar as pessoas para aquele dia específico. Afinal, hoje mesmo já é possível entrar e se manifestar.

Cultura nordestina

O objetivo é postar mensagens positivas (vídeos, comentários tc) relacionadas ao Nordeste e que destaquem questões culturais, por exemplo, conforme me explicou Mira Caetano, uma das organizadoras do Dia do Facebook no Nordeste.

“Essa ideia surgiu de um sentimento de indignação muito grande que senti com os posts no Twitter. Não sou nordestina, sou paulista, mas vivi na Paraíba durante quatro anos e me senti profundamente atingida. Então pensei que poderíamos dar uma resposta criativa a essa ‘xenofobia’ reacionária ao Nordeste”, disse Mira, que é cientista social formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Por volta das 12h30 de hoje, a página contava com a confirmação de mais de 850 pessoas.

Leia posts sobre assuntos relacionados:

_ Usuários que postaram conteúdo racista no Twitter podem ser processados, diz OAB

_ Apagar comentário racista não livra internautas de processo, diz advogado

_Destaque das eleições 2010, Twitter foi usado para influenciar mídia tradicional

Apagar comentário racista não livra internautas de processo, diz advogado

Com a imensa repercussão negativa do episódio de racismo no Twitter, há usuários que apagaram de seus perfis na internet mensagens que atacam os nordestinos. Há casos até de vários perfis que foram retirados da web.

Preconceito2_ilustra435

É possível constatar isso com uma rápida olhada nos perfis listados na página Xenofonia não! O canal traz a reprodução de uma série de tweets com conteúdo pejorativo em relação aos nordestinos.

Ao clicar em muitos deles, nota-se que vários perfis que continham mensagens racistas não existem mais.

Efeito judicial

Se a intenção for ficar livre de possíveis processos, como o que sofrerá uma usuária de São Paulo, alvo de notícia-crime feita pela OAB-PE, o efeito pode ser nulo.

Isso porque, se houver alguma prova do crime – um print screen da tela com a mensagem, entre outras provas, desde que com a veracidade provada pela perícia -, o internauta é passível de processo do mesmo modo, afirma o advogado Rony Vainzof, sócio do escritório Opice Blum Advogados e professor de Direito Eletrônico no Mackenzie e da Escola Paulista de Direito.

“Se houver a materialidade do ato criminoso, ele pode ser processado mesmo que tenha retirado da internet de seu perfil de rede social”, afirma Vainzof.

O que acontece se a pessoa pedir desculpas?

Uma das dúvidas que surgiram no caso das ofensas aos nordestinos no Twitter diz respeito à possibilidade de retratação: a pessoa que tiver feito um comentário ofensivo pode ficar livre de processo se pedir desculpas publicamente?

“Se for uma acusação de calúnia ou difamação, é possível haver exclusão da pena, não da indenização por danos morais. Mas se o crime for enquadrado como racismo não cabe retratação. O episódio envolvendo mensagens contra os nordestinos no Twitter, por exemplo, pode ser tipificado como racismo”, afirma.

“É importante dizer que essas penalidades sobre as quais estamos falando servem não só para os casos de racismo na rede contra nordestinos, mas também aos ferem outros grupos, como judeus, negros etc”, reforça Vainzof.

Leia posts sobre assuntos relacionados:

_ Usuários que postaram conteúdo racista no Twitter podem ser processados, diz OAB

_ Em reação ao racismo, internautas preparam Dia do Nordeste no Facebook

_Destaque das eleições 2010, Twitter foi usado para influenciar mídia tradicional

Usuários que postaram conteúdo racista no Twitter podem ser processados, diz OAB

A repercussão gerada pelos tweets preconceituosos em relação aos nordestinos, responsabilizando-os pela vitória de Dilma Rousseff – considerando o resultado da eleição como algo pejorativo -, foi parar na Justiça e pode não ficar restrita à internauta que postou a mensagem que estimulou a celeuma.

Tweet de garota ajudou a iniciar avalanche de mensagens contra nordestinos, mas ela não foi única

Tweet de garota ajudou a iniciar avalanche de mensagens contra nordestinos, mas ela não foi única

A OAB-PE vai entrar com uma notícia-crime no Ministério Público Federal em São Paulo contra a usuária por ela ter postado, no domingo à noite, depois da divulgação da vitória da candidata do PT, o seguinte tweet: “‘Nordestisto’ não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”, escrito desta forma, com erro de português.

O conteúdo ofensivo foi postado também no Facebook, cujo perfil também foi apagado.

mayara-21

“A notícia-crime é contra Mayara Petruso porque, pelas informações que temos e por uma matéria publicada no Diário de Pernambuco, foi ela quem começou com as mensagens preconceituosas no Twitter entre a noite de domingo e madrugada de segunda-feira”, afirmou ao IDG Now! Henrique Mariano.

“Isso não significa que não possamos, no transcorrer do processo, oferecer notícia-crime às outras pessoas que também postaram mensagens preconceituosas”, afirma.

“Estou concluindo hoje a peça. Pretendemos apresentá-la no Ministério Público Federal, que é quem tem a competência para analisar o caso, amanhã mesmo”, reforça Mariano.

Segundo Mariano, a internauta, que “está devidamente identificada com nome e foto”, será alvo de duas ações: uma por racismo e outra por “incitação pública ao ato delituoso”. A primeira estipula pena de 2 a 5 anos de detenção, e a segunda, de 3 a 6 meses de reclusão ou multa.

“Entendemos porque ela incitou publicamente um crime por ter escrito e publicado ‘mate um nordestino afogado’”, diz.

Com toda a polêmica, o perfil de garota no Twitter (@mayarapetruso) foi apagado.

“É inadmissível”, diz OAB-PE

O racismo por si só não pode ser tolerado, continua Mariano. Mas a situação é ainda mais grave, afirma, por se tratar de “estudante de Direito”.

“É inadmissível que uma futura profissional do Direito, que terá por obrigação defender os direitos humanos, faça uma coisa dessas. Por isso vamos oficiar a OAB de São Paulo para saber se a moça está inscrita como estagiária no órgão”, diz.

“Se estiver, vamos pedir a instauração de procedimento no tribunal de ética da OAB”.

A reação

Se as mensagens racistas são um ponto vergonhoso, a boa notícia é que muitos internautas se levantaram contra e condenaram com veemência o preconceito.

Demonstração disso é que foi criada, depois do surgimento dos tweets racistas, a página Xenofobia Não!.

O espaço denuncia os tweets racistas e pretende discutir a questão.

“De início, o surgimento deste Tumblr tem a ver com a exposição clara do preconceito contra os nordestinos após as eleições. As acusações foram das mais variadas: ignorantes, vagabundos, atrasados, filhos da puta, etc. Devido à grande repercussão do caso Mayara Petruso, resolvemos coletar os tweets”, consta no canal.

Leia posts sobre assuntos relacionados:

_ Em reação ao racismo, internautas preparam Dia do Nordeste no Facebook

_Apagar comentário racista não livra internautas de processo, diz advogado

_Destaque das eleições 2010, Twitter foi usado para influenciar mídia tradicional

Destaque das eleições 2010, Twitter foi usado para influenciar mídia tradicional

Os blogs e outros espaços interativos mantidos por internautas exerceram uma função mais importante que os canais oficiais dos candidatos nas eleições de 2010. E, nesse contexto, chama à atenção o papel de protagonista das redes sociais, especialmente o Twitter. O microblog foi usado pelos candidatos não para necessariamente para conquistar votos, mas para pautar a mídia tradicional.

Essa é a avaliação feita por Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador de redes sociais e do uso da internet em eleições, em podcast a este blog do IDG Now!

“Este foi  o ano da institucionalização da internet pelas campanhas oficiais”, afirma Coutinho, também diretor de inteligência de mercado do Terra.

A twitcam de Plínio

Um dos destaques no uso do Twitter foi o candidato a presidente Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, diz Coutinho.

Clique no player abaixo para ouvir o podcast.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.