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Arquivo de outubro, 2010

A Futurecom em tweets

É um corre-corre danado na Futurecom. Sai de um painel, vai para outro, entra na sala de imprensa. Senta, escreve e publica. Grava vídeo. Tuita. Coloca no Facebook. 

Isso no meu caso e no de  outros que trabalham em sites e usam as redes sociais para divulgação de informações. Para os de jornais, é o inadiável fechamento ( quer dizer, às vezes atrasa, eu sei como é que é…). 

Depois um café ou suco entre os colegas jornalistas – gente da vários Estados do Brasil e de outros países. Muitos argentinos - e argentinas!  

E conversas sobre tudo: o tablet novo, o debate acalorado sobre banda larga, mas também a rodada do Brasilerão, a morte do Polvo Paul, eleições e o show da Maria Rita.  E lá vamos rodar entre os estantes das empresas, conversar com as fontes, descobrir pautas.

Visões em 140 caracteres

Bom, isso é in loco. Mas há um ambiente que faz uma síntese bem peculiar do que ocorre na Futerecom. Melhor ainda: um local que, de uma outra, reflete o ritmo, o clima do evento, com a saudável riqueza de agregar olhares de todos os tipos, não especificamente de jornalistas:  o Twitter.

São visões e ideias de pessoas diversas que ajudam a entender melhor o que se passa por aqui durante os três desse que é um dos principais eventos de tecnologia do Brasil.

Selecionei a lista de tweets com base, na maioria dos casos, naqueles que tuitaram com a hastah #futurecom, a mais utilizada.  

 

Igor Kardush kardush  Já sei qual a escola do Falco. Otávio Azevedo da AG está alfinetando todo mundo sobre o PNBL na #Futurecom

Leandro Rodrigues lecarv  A palestra de Banda Larga na #futurecom esta pegando fogo. Muito bom isso.

Clayton clayton_melo  Otávio M.Azevedo(Andrade Gutierrez): “Não existe um plano de banda larga” #futurecom http://yfrog.com/n8axskj

Clayton clayton_melo E Jarbas Valente(Anatel) rebate Otávio Azevedo: “Brasil tem, sim, um Plano Nacional de Banda Larga” #futurecom

Computerworld - Br ComputerworldBR  Telebrás garante cronograma do plano de banda larga para 2010 http://bit.ly/9ntieV

IDG Now! IDGNow  PM paulista vai lançar 190 via SMS para surdos http://bit.ly/dvPLHi

Bruna Souza brunasc07  Painel sobre os desafios para disseminação da Tv digital no Brasil r América latina #futurecom

Cristina De Luca DeLuCa RT @portalipnews: #Futurecom Tam realiza primeiro vôo com chamadas de voz e tráfego de dados a bordo http://bit.ly/a1EdvT

Fabio Monfrin fabiomonfrin  Pesquisa aponta que 70% dos brasileiros usuários de internet gostariam de acessar pelo celular. #futurecom #CBN about 20 hours ago via Mobile Web

Leandro Bravo lebravo  #futurecom Vou ver a palestra do Steven Dubner http://stevendubner.com.br e ao mesmo tempo tem painel com @marcelotas e a @garotasemfio :/

Erika Mioshi erikamioshi Hoje na #Futurecom tem @marcelotas falando sobre a influência da Geração Y no mundo dos negócios.

Paulo Gratão ✔ paulogratao E uma jornalista gringa aparece no #futurecom, escreve que o Brasil respira política (?) e que o evento foi marcado pela ausência do PT. Oi?

Rafael Rigues rafarigues 14 Reais por um sanduiche prensado e uma coca. Vou largar o jornalismo e abrir uma lanchonete em feiras de telecom, rende mais #Futurecom

Monica Notton MoniNotton Pô, maridão que nem liga para tecnologia vai à Futurecom.Bem q ele poderia ter dado convite de niver de casamento que é HOJE! \o/ #futurecom

Cauê Fabiano Cauefabiano  Galaxy Tab, tablet da Samsung na #Futurecom http://vqv.me/wSj Esse dispositivo de 7″ pode ser usado como celular (!!) (via @pcworldbrasil)

DanieleZ DanieleZ  estamos ferrados: RT @lebravo: #futurecom “Os 4 pilares de desenvolvimento do pais: energia, saneamento, transporte e banda larga” – Cisco.

 Vinicius Rocha VRSS  Assine petição global à favor do PROTOCOLO da BIODIVERSIDADE > http://bit.ly/9cE1TB > via @AVAAZ que mobilizou BR p/ #fichalimpa #futurecom

 Rodrigo Braga rcbraga Vivo acaba de divulgar que o seu serviço de estudo de inglês por celular possui 600 mil assinantes. #Futurecom #PainelVAS

 Thiago Moreira tggmoreira Fiamma: A importancia da mudanca do modelo da banda larga movel de flat fee para pay per use, o modelo atual nao e sustentavel #Futurecom

 Sergio Barros SergioBF  Presidente da Oi, Eduardo Falco, critica Anatel por privilegiar operadoras novas no leilião da banda H. #Futurecom

Clayton clayton_melo  Dep.Julio Semeguini da entrevista a CW, p/ Edileuza Soares (Will Marchiori na câmera). Mais tarde no ar #futurecom http://yfrog.com/71bnnjj

Jean Souza jeanprs Hoje na #futurecom tem show da Maria Rita…

Elisa Santos elisantoss  #Futurecom show de bola! Aproveitando tudo o que eh possivel!!! Hoje a noite, show da Maria Rita!

fufa fufa Apenas uma coisa me preocupa: a bateria do telefone ta acabando #futurecom

Facebook vai para cima do Orkut e lança aplicativo para compartilhar informações

O Facebook  lançou na sexta-feira passada ( 23/10) mundialmente um aplicativo que permite que os usuários  compartilhem automaticamente informações com seus amigos do Orkut. O recurso facilitará também localizar amigos nas duas redes sociais.

Aplicativo oferece bem mais que localização de amigos; permite vincular perfis

Por enquanto, o aplicativo não aparece para todos os usuários, mas o Facebook afirmou nesta segunda-feira (25/10) que é questão de tempo para que isso ocorra.

A ferramenta vai aparecer na página inicial do perfil dos usuários do Facebook.

Se o usuário quiser vincular seu perfil ao do Orkut, suas atualizações de status, posts, vídeos e fotos aparecerão no Orkut ( no caso das fotos, um link indicará onde buscar o material) – segundo a assessoria de imprensa do Facebook, o inverso também ocorrerá, ou seja, usuários do Orkut poderão vincular seus perfis com o do Facebook.

Briga de gente grande

O aplicativo é uma cartada ousada do Facebook – a maior rede social do mundo, com mais de 500 milhões de usuários – para crescer sua audiência a partir dos usuários do Orkut. E os endereços da estratégia são claros: Índia e, principalmente, o Brasil, os dois países onde a rede do Google tem grande presença.

Só para dar uma ideia, o Brasil representa 50,60% dos usuários do Orkut no mundo, o maior percentual disparado. Em segundo vem a Índia, com 20,44%, seguido dos EUA (17,78%).  Os dados são da própria empresa.

Rei das redes sociais no País, o Orkut tem o triplo do tamanho da rede de Mark Zuckerberg no Brasil. O xis da questão é que o Facebook cresce rapidamente e demonstra maior vigor.

Facebook avança no Brasil

Dados da comScore mostram que a rede do Google registrou, em agosto, 29,4 milhões de visitantes únicos (internautas acima de 15 anos), ante cerca de 9 milhões do Facebook, que ainda está em 3º lugar no Brasil, atrás do Windows Live Profile (12,5 milhões).

A expansão do Facebook, no entanto, é acelerada no Brasil: agosto de 2009, tinha 1,5 milhão de visitantes, número que saltou para, no mesmo mês deste ano, 8,9 milhões. No período, o tráfego do Orkut aumentou 30%.

1º capítulo em português de livro sobre Facebook está disponível para download

Com lançamento no Brasil marcado para a semana que vem – dia 22/10 -, o livro “Bilionários por acaso: a criação do Facebook, uma história de sexo, dinheiro, genialidade e traição” (Editora Intrínseca) já está em pré-venda nos principais sites de comércio eletrônico.

Capa do livro de Mezrich, que narra os bastidores da criação do Facebook

Capa do livro de Mezrich, que narra os bastidores da criação do Facebook

O preço promocional é de R$ 23,90 – o valor original é R$ 29,90. O livro inspirou o longa-metragem “A rede social”, cuja estreia no Brasil está programada para 3/12.

Quem quiser dar uma espiada na obra de Ben Mezrich antes do lançamento, pode fazer o download do primeiro capítulo da versão em português no site da Livraria Cultura.

Ponto para a livraria.

Assim, será possível ler nas páginas iniciais de “Bilionários” a ocasião em que o brasileiro Eduardo Saverin, que ajudou Mark Zuckerberg a criar o Facebook, está numa festa para veteranos de Harvard.

Os primeiros trechos
Saverin é retratado como um rapaz inseguro e que em busca de aceitação social. Da mesma forma que um “garoto de cabelo enroladinho” (Zuckerberg), tímido e desajeitado, que jamais se destacaria numa festa como aquela, para caras descolados e cheios de si.

“Harvard tem inúmeros nichos para garotos desse tipo; laboratórios de computação, clubes de xadrez, dúzias de organizações underground e provedores de hobbies para qualquer tipo de interesse social imaginável”, escreve Mezrich.

“Certamente, ele (Saverin) não tinha como saber, nem antes nem então, que aquele garoto com o cabelo enroladinho viraria do avesso todo o conceito de rede de relacionamentos sociais – que um dia aquele garoto com o cabelo enroladinho que tentava entrar nas primeiras festas da faculdade mudaria mais a vida de Eduardo que qualquer Clube Final”, consta no livro. Clube Final é o último estágio na formação de um graduando de Harvard.

A tecnologia pode contribuir para um planeta sustentável?

Sustentabilidade, consumo responsável, defesa do meio ambiente: quantas vezes não ouvimos e lemos essas palavras em nosso dia-a-dia? Entende-se a razão: o planeta se encontra no limite da exaustão, com um modelo de sociedade que está em ritmo acelerado de degradação.

Uso de recursos tecnológicos é mais uma frente de debate nas questões ligadas à sustentabilidade

Uso de recursos tecnológicos é mais uma frente de debate nas questões ligadas à sustentabilidade

Buscam-se soluções, mas os discursos meramente mercadológicos por vezes se revestem de verde e empobrecem a discussão.

Diante desse cenário, uma reflexão: de que maneira a tecnologia pode contribuir para uma sociedade sustentável, se é que isso é possível? É viável o casamento entre o digital e o sustentável? Essa junção pode provocar mudanças substanciais nas relações econômicas e apontar novos horizontes para o planeta?

Um dos debates de hoje do MaxiMídia – moderado por Pyr Marcondes, do Grupo Meio & Mensagem -, tratou exatamente desse tema. E ficou o claro o embate de duas visões sobre o tema, embora haja pontos de concordância entre elas .

O otimista

Fred Gelli, sócio-diretor de criação da Tátil Design de Ideias, é do grupo que acredita e defende uma “revisão profunda” das relações econômicas, de modo a reduzir a produção de resíduos, poluentes e por aí vai. E diz que a tecnologia pode ajudar muito nesse processo. Ele vê essa mudança em curso e crê que as novas gerações serão a força propulsora da transformação.

Gelli é um otimista.

“A tecnologia traz ideias que podem se adequar perfeitamente aos novos anseios das pessoas por um mundo sustentável, com reflexos diretos na economia”, afirma Gelli, que é formado design industrial e desenvolve projetos de design e marcas.

Um dos pilares disso, afirma, é a “substituição dos átomos por bits”, num processo descrito por ele como a “desmaterialização” da economia, com ascensão de novos produtos e linhas de negócios digitais, que teriam impacto ambiental bem menor. Exemplo simples e prático: a crescente tendência de substituição de CDs (mídia física) por arquivos digitais.

Se no que se refere ao consumo de informação – entendida aqui num contexto mais amplo – a desmaterialização é mais fácil e até viável, o que dizer se setores como vestuário ou linha branca, entre tantos outros? A impossibilidade nesses casos não derrubaria a tese? “Há setores em que de fato isso é mais difícil. Mas o uso da tecnologia para redução de consumo de energia é perfeitamente possível”, defende.

O cético

O outro debatedor do painel do MaxiMídia, Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM, é mais ácido. A conversa sobre o tema pode ser até depressiva, diz ele.

Gandour é um cético.

“Não acredito nessa história de casamento entre high tech e high green”, disse em sua apresentação , referindo-se ao tema do painel, na tarde de hoje, no WTC, em São Paulo. “O meu ceticismo em relação a isso deve-se ao modismo que permeia o assunto”.

Para ele, o blábláblá marqueteiro é um risco e esconde o xis da questão: a necessidade de revisão de nosso estilo de vida, a forma como vivemos.

“Adoto, na minha vida pessoal há muitos anos, uma atitude economicamente responsável. E vejo como isso é difícil… Agir de modo ecologicamente responsável é uma necessidade, mas falar em ‘green’ é moda”.

Se a situação continuar no ritmo atual, recurso naturais não serão suficientes

Se a situação continuar no ritmo atual, recurso naturais não serão suficientes

O ponto nevrálgico, para Gandour, passa pela sociedade de hiperconsumo. Temos todos vários pares de sapatos, e não o mandamos mais para os sapateiros (alguém lembra dessa figura?) quando ficam velhos. Temos vários ternos, bugigangas de toda a ordem e não abrimos mão dos carros.

Quem o ouve falar dessa maneira deve achar que de fato Gandour não crê no apoio da tecnologia para um modelo de sociedade sustentável, o que soa ainda mais estranho tratando-se de alguém é de tecnologia.

Mas Gandour acredita, sim, nos benefícios que a tecnologia pode proporcionar ao planeta, como ficou claro na conversa que mantive com ele depois do painel. O que ele faz é relativizar esse poder.
Sua intenção ao realçar o discurso do ceticismo é marcar o contraponto com os excessos do marketing e levar a discussão para outro patamar.

Ele vê como uma contribuição efetiva por parte da tecnologia a “desmaterialização da economia” e a “substituição dos átomos pelos bits”, por exemplo.

A questão principal, no entanto, é a necessidade de uma reeducação da sociedade, no sentido de que as pessoas aprendam a discriminar atitudes ecologicamente saudáveis e frear consumo exacerbado.

Nesse ponto, Gelli também está plenamente de acordo. “É preciso uma revisão profunda de nosso modelo de sociedade”.

Metade da bancada de tecnologia da Câmara não se reelege

O resultado das urnas aponta uma boa renovação entre os parlamentares ligados à tecnologia e informação, levando-se consideração os membros que na atual legislatura pertencem à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI).

Dos 40 membros da comissão, 21 se reelegeram deputados e três foram eleitos senadores – Eunício Oliveira (PMDB/CE), Walter Pinheiro (PT/BA) e Rodrigo Rollemberg (PSB/DF).

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Ex-ministro das Comunicações do governo Lula, entre 2004 e 2005, Eunício é o presidente da CCTCI, cargo que Pinheiro já ocupou – o parlamentar baiano também participou das discussões sobre o Fundo da Universalização das Telecomunicações (Fust). Rollemberg, por sua vez, foi Secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Perfil do mandato
Entre os parlamentares reeleitos mais ativos na área estão Julio Semeguini (PSDB/SP), Jorge Bittar (PT/RJ), Paulo Teixeira (PT/SP), Miro Teixeira (PDT/RJ) e Luiza Erundina (PB/SP).

Além de ser relator de projeto contra crimes na web, Semeguini participou de debates sobre lan houses e Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Paulo Teixeira também participou das discussões sobre as lan houses e a Lei Azeredo .

Miro Teixeira, Bittar e Erundina são parlamentares mais próximos de temas ligados à comunicação, como radiofusão e telecomunicações.

Barrados no baile

Pelos menos dois nomes ilustres no noticiário ficarão de fora do parlamento a partir de 2011: o ex-presidente do Senado Jader Barbalho ( PMDB/PA) e Gustavo Fruet (PSDB/PR) – ambos tentaram vaga no Senado.

O deputado paranaense ficou em terceiro na disputa, com 2.502.805 de votos, um pouco atrás de Roberto Requião (2.691.557), que ficou com a segunda vaga do Paraná.

O caso de Barbalho não teve a ver com as urnas. A candidatura dele foi impugnada em razão da Lei da Ficha Limpa.

Dos novos postulantes, um candidato não eleito chama à atenção: Aleksandar Mandic, que concorreu pelo Democratas de São Paulo. Pioneiro na web brasileira – é criador do primeiro provedor do País -, ele conseguiu 10.981 votos.

Debate da Globo gera quase meio milhão de tweets

A E-life, empresa especializada em monitoramento de redes sociais, divulgou levantamento sobre a repercussão no Twitter do debate com os candidatos a presidente promovido pela Rede Globo, ontem à noite.

Do período das 21h do dia 30/9 às 5h de hoje ( 1/10), foram computados 413.131 tweets relacionados ao debate. Desse total, Dilma Roussef (PT) foi responsável por 37,9% das citações.

Marina Silva (PV) ficou com 23,4%, enquanto José Serra (PSDB) recebeu 19,9% e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), 18,9%.

O pico de mensagens relacionadas ao debate aconteceu por volta das 23h, com cerca de 60 mil tweets.

Termos mais associados
Os termos mais relacionados à candidata do PT foram “Dilma” (162.599), seguidos por “Serra” (31402), “Marina” (25881) e “Lula” (18065).
Pelo monitoramento, constata-se a forte associação entre os termos Lula e Dilma – muitas vezes ambos são citados em conjunto, segundo a E-Life.

No caso de Marina Silva, os termos mais relacionados são “Marina” (90866), “Dilma ( 34006) e “Serra” (27483).

Com José Serra, lidera a palavra “Serra” (84611), seguida por “Dilma” (31605) e Marina (22581).

As citações ao candidato do Psol também se deram principalmente pelo seu nome próprio nome (55529), com “Dilma” logo em seguida (25584) e “Serra” 20334).

As relações entre o nome de um candidato com os demais remetem a interação com os concorrentes, comparações ou críticas.

Mais informações a seguir.

Conceito de link se estende à cultura, e o cinema serve de exemplo

Em post publicado nesta Nave recentemente, abordei os reflexos provocados pelos links em diferentes aspectos da sociedade, como a economia, o marketing e a linguagem.

Como o tema despertou o interesse em alguns leitores – houve pelo menos um que pediu para que o assunto voltasse a ser abordado -, trato aqui de um aspecto deixado de fora na outra ocasião: as relações com a área cultural. E, nesse contexto, escolhi falar de cinema, arte pela qual sou apaixonado.

Recorro novamente a Steven Johnson para uma introdução necessária.
Johnson afirma que a mais convincente analogia entre os links e a cultura está no célebre escritor Charles Dickens, autor do século XIX.

Argumenta o autor de “Cultura da interface” que a expressão “elos (links) de associação” era a favorita de Dickens e que essa ideia representa papel importante na “narrativa de ‘Grandes esperanças” – que pode ser considerado seu livro de trama mais intricada”.
“Para Dickens, o elo, ou link, assumia em geral a forma de uma semelhança fugaz, apenas entrevista e logo esquecida”.

Johnson continua:

“Consideremos as ruminações de Pip sobre sua misteriosa companheira de brincadeiras e objeto de seu interesse amoroso, Estella: ‘Que foi que me passou pela cabeça quando ela me parou e me olhou com atenção?…Que foi?…Quando meus olhos seguiram sua mão branca, de novo a mesma impressão vaga que não pude agarrar passou por mim’”.

“Estas epifanias parciais”, escreve Johnson, “são mais que mera ornamentação estilística – atuam como força propulsora sob o suspense dos romances de Dickens. Solucionar a semi-semelhança, conectar os elos, dar um nome à face – essas ações dão invariavelmente ao romance seu sentido de conclusão”.

“O que torna esses elos tão impressionantes – pelo menos para o leitor do século XX – é o fato de unirem grupos sociais radicalmente diferentes”, analisa Jonhson.

Sequência de links com Robert Altman

Pois agora, meus amigos, façamos um link mental e pensemos no cinema. Quais seriam as analogias possíveis? Algumas me vêm à cabeça.

Uma delas é com o filme “O Jogador”, de Robert Altman. O longa começa com um plano-sequência belíssimo, seja pela forma, seja pela síntese feita do que é a alma que move um estúdio de cinema de Hollywood.

São oito minutos sem cortes, em que a câmera passeia por conversas e situações vividas por diferentes personagens, conectados uns aos outros por fragmentos de diálogos ou elementos inseridos na cena que servem como elos (um carro que passa, um homem de bicicleta que é atropelado, uma fotografia lançada ao chão que depois reaparece na mesa do produtor, vivido por Tim Robbins). Reparem no vídeo que o universo, uma espécie peculiar de labirinto, é formado todo em volta da indústria do cinema.

Para fazer a analogia com a internet, é como nossos olhos fossem a câmera (ou mãos ao mouse), que seguem personagens e tramas de alguma maneira relacionados – no caso do filme, o cinema; na web, os links – e, assim, proporcionasse um recorte ampliado de determinado universo.

Na web, nossa experiência parte do mesmo princípio. Embora também possamos navegar aleatoriamente e sem nexos aparentes (apenas aparentes, pois de alguma forma eles existem), muitas vezes nossas buscas partem de um tema central (um filme ou diretor de cinema, como Robert Altman, por exemplo) e avançam por desdobramentos a ele ligados (resenhas a respeito dele, seu perfil na Wikipédia, os filmes à venda nos sites de comércio eletrônico, análises em blogs etc).

A Arca Russa digital
Há outro exemplo pertinente, mas numa escala de complexidade muito maior. Se o plano-sequência de Altman teve 8 minutos e conectou o micro-universo de um estúdio de cinema, a Arca Russa, de Aleksandr Sokurov, é todinho feito em um só plano-sequência que conecta 300 anos de História. São 97 minutos de um take único, com o passeio pela História russa interligado basicamente por dois personagens (de um dos quais só se ouve a voz).

Eles perambulam pelas 35 salas do Museu L´Hermitage, em São Petersburgo, um monumento à cultura russa e, por extensão, mundial.

A cada sala adentrada, períodos e personagens da História se manifestam: Pedro, o Grande; Catarina, a Grande; Catarina II; Nicolau e Alexandra; a última ceia dos Romanov ou o baile que fecha o longa, tido como metáfora para os suspiros derradeiros do império russo pela revolução soviética. Lançado em 2001 e rodado num único dia, a “Arca Russa” foi idealizada 15 anos antes do lançamento e sua preparação efetiva consumiu sete meses e dois mil figurantes e personagens.

Num exercício de abstração, a associação com a internet é facilita pela fala final do personagem-narrador do filme de Sokúrov.“Estamos condenados a navegar sempre.”

Como disse o crítico Cleber Eduardo (ex-editor de cultura da revista Época) na revista virtual Contracampo, a “Arca russa abre portas em vez de fechá-las”, é um “navegar sem bússola como parâmetro.”

Não é uma metáfora perfeita para nossa navegação na web, recheada de links e conexões, mundos desconhecidos que se abrem a cada clique?