Presidente do iG avalia que mercado de portais passará por fusões e aquisições
No hall de entrada da sede do iG, na badalada rua Amaury, no bairro paulistano do Itaim, as pessoas olham e querem acariciá-los. As moças dizem “como são bonitinhos”, “que gracinhas”. Eles abanam o rabo e seguem adiante.

Coelho: distribuição terá apoio da Oi
Algum tempo depois, já no andar onde dá expediente e que hoje serviu para receber os jornalistas, Fábio Coelho, presidente do iG, vê os dois cachorrinhos brancos, amestrados, rolarem pelo chão, fingirem que estão dormindo e mandarem tchauzinho com as patas.
“Um deles vai desfilar no Pet Fashion Week”, diz Coelho, referindo-se a um cobiçado evento para cachorros. A assessora diz que o “modelo” que desfilará é o Alê – seu parceiro canino, presente ao encontro desta sexta-feira no iG, se chama Charlie. “Tem até seguranças para um deles aqui”, afirma Coelho, apontando para homens de preto postados ao fundo da sala.
Volta ao jogo
Os cãezinhos estavam ali porque eles são as estrelas da nova campanha publicitária do iG, que estreará no próximo final de semana na TV – aberta e fechada -, jornais, revistas e internet. Criada pela agência de publicidade Lew,Lara/TBWA, a ação recupera o figura do cachorrinho como ícone do portal, utilizada no início da operação do iG, há dez anos.
Resgatar um símbolo dos tempos áureos do iG, que chegou ao mercado no auge da bolha com a novidade do conceito de internet grátis no Brasil, é uma maneira de causar barulho para aquilo que o portal chama de uma nova etapa. A ambição da empreitada pode ser percebida pelo tamanho da campanha.
O investimento em mídia não é revelado, mas certamente não será baixo, tendo em vista a abrangência da estratégia de comunicação e o fato de a campanha ficar no ar o ano inteiro, com uma breve pausa durante a Copa do Mundo. A estreia do filme publicitário será no intervalo do Fantástico, um dos espaços mais caros da TV brasileira.
Investimentos de gente grande
A campanha vai destacar a reformulação editorial, visual e tecnológica do iG.
“A mudança é muito maior do que aquilo que a campanha vai mostrar. Houve altos investimentos em conteúdo, com reforço de equipe, e de infraestrutura para levar uma melhor experiência de navegação para o usuário”, diz Coelho, sem revelar valores.
Sob o comando do jornalista Eduardo Oinegue, publisher do portal há seis meses, a equipe de jornalistas passou de 120 para cerca de 210. Ex-editor executivo da Veja, Oinegue trabalhou mais de 20 anos da Editora Abril.
“Não houve um processo de troca de profissionais. O que fizemos foi trazer mais jornalistas”, afirma Oinegue. “O desafio é ter um conteúdo importante e interessante. Não dá para buscar audiência sem qualidade. Dessa forma, o iG volta ao jogo”, reforça.
Portais na berlinda?
A nova investida do iG também se dá num momento em que o mercado de portais no Brasil vive uma época de extrema competição e de adequação a uma nova fase da internet. No primeiro caso, é bom citar o lançamento, em setembro de 2009, do R7, portal da Rede Record.
No segundo, existe a tentativa de melhor se adequar à explosão de audiência das redes sociais, que coloca novos desafios aos portais, até então os grandes responsáveis pela entrada do internauta na web: com as mídias sociais, os portais não teriam reduzida sua influência como aglutinador de audiência, uma vez que os canais de acesso à informação estão mais pulverizados e distribuídos hoje?
“Essa é uma meia verdade, porque há muito mais gente entrando por meio das redes sociais. Elas ajudam a trazer tráfego para nós”, afirma.
Sobre o setor, Coelho também enxerga uma grande competição, mas com espaço para os principais competidores crescerem. No médio prazo, no entanto, o cenário mudará.
“Há espaço para os portais que hoje estão no mercado pelos próximos três ou cinco anos. Depois desse período, no entanto, acredito que o setor passará por um processo de fusões e aquisições, porque não haverá espaço sete, oito portais”, afirmou ao IDG Now!.
A estratégia multimídia da Oi
O reforço na operação do iG deve ser observado no contexto da convergência de mídias e da disputa no mercado de telecomunicações. A operadora deu passos importantes nos últimos anos na área de comunicação.
Um dos principais foi a aquisição da Way TV, operadora mineira de TV paga. A companhia, adquirida em 2008, se transformou na Oi TV, disponível em Poços de Caldas, Barbacena e Uberlândia, em Minas Gerais.
Paralelamente, a operadora mantém emissoras de FM com sinal disponível em São Paulo, Campinas, Fortaleza, Recife.
Somando-se a isso o poder de fogo agora conferido ao iG, têm-se os ingredientes básicos para um cardápio multimídia apetitoso: a operadora terá à disposição os instrumentos para distribuir conteúdo em múltiplos canais, cercando o consumidor por todos os lados – telefonia e conteúdo –e fortalecendo sua operação diante da possível liberação para as teles ingressarem no mercado de TV paga, o que pode ser viabilizado por meio do PL 29 (projeto de lei que está em tramitação na Câmara dos Deputados).
Nesse contexto, o iG poderá ser um fornecedor de conteúdo para as as praças onde a Oi mantém operação de TV.






Jornalista, é Editor de Opinião e Redes Sociais do Now!Digital, que edita o IDG Now! Formou-se pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, já trabalhou em redações de TV, jornal e foi colaborador de diferentes revistas. 


Comentários recentes