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Arquivo de março, 2010

“Perfume digital”, a arma da Ariadna para seduzir internautas e anunciantes

O desenvolvimento da internet rápida permitiu ao internauta ter acesso a conteúdos de vídeo e áudio de excelente qualidade. A tecnologia touch screen, que permite a navegação por toque na tela, ampliou o uso das mãos na web. Agora, é a vez do olfato – não, você não leu errado: é olfato mesmo.

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Pinzon e Cristiane: tecnologia e criação

Quem promete essa proeza é a agência digital colombiana Ariadna. Com sede em Miami e escritórios em vários países da América Latina – entre eles México, Argentina, Colômbia e, há poucos meses, Brasil – a companhia vai lançar em breve um software que permite experimentação de odores.

O sistema funciona da seguinte forma: dentro de um dispositivo, como um pen drive (que deve estar acoplado ao PC ou notebook), são inseridas diferentes fragrâncias. Essas substâncias são acionadas assim que o internauta clica ou passeia sobre uma determinada área de um site.

Segundo a agência, a invenção será útil para ações de comunicação de toda a ordem. Poderia interessar a marcas de perfume que buscam divulgar seus produtos ou empresas de outras áreas que desejam fugir do comum em suas estratégias digitais.

“Esse software levou cerca de um ano para ficar pronto. Ele foi concebido em nosso Centro de Desenvolvimento e Inovação (CDI), na Colômbia, e produzido na China”, afirma o colombiano Juan David Pinzon, sócio-fundador da Ariadna.

Sensações olfativas

Segundo ele, a equipe que desenvolveu o software é multidisciplinar, composta por engenheiros químicos e eletrônicos contratados especificamente com essa finalidade. “Trata-se da primeira vez que, por meio de um computador, será possível experimentar sensações olfativas”, afirma.

O software deve estar disponível no mercado brasileiro entre maio e junho, estima Cristiane Bussab, CEO da agência no Brasil e nos demais mercados da América do Sul. “O produto nem chegou ainda às outras unidades no exterior”, afirma. Não será necessária uma configuração especial do computador para experimentar a novidade.

Para Pinzon, o software do aroma digital exemplifica bem o que a Ariadna busca como agência de marketing digital. Fundada em 1998 em Bogotá, capital colombiana, a empresa tenta aliar tecnologia de ponta a um forte pendor criativo, algo nem sempre fácil de ser alcançado.

O viés tecnológico começa por Pinzon, que é engenheiro eletrônico. O grande respaldo nessa área vem do CDI, cuja operação é independente da agência.

“Optamos por criar um centro de inovação porque seria muito difícil desenvolver inovação tecnológica dentro da agência. No dia-a-dia, é complicado, tudo é para ontem, os projetos têm urgência. Com uma estrutura à parte para a inovação, é possível criar tecnologia, que depois permitirá desenvolver ações inovadoras”, afirma Pinzon. Só para dar outro exemplo, além do software de aroma digital, lá também são desenvolvidos aplicativos e peças publicitárias sustentadas por realidade aumentada.

Chocolate, vinho e café

Na fase de testes do novo produto, foram desenvolvidos softwares nos aromas de chocolate, café e vinho, respectivamente a pedidos de Cristiane, Pinzon e Pedro Vilarrub, CEO da operação mexicana da agência. “Cada um pediu um aroma daquilo de que mais gosta”, brinca Vilarrub.

A Ariadna quer levar o CDI para suas outras operações. Em 2010, está planejada a abertura de centros como esse no México e no Brasil, mais especificamente em São Paulo, que terá um forte viés criativo.

Para dar uma dimensão da importância que a Ariadna confere a esse projeto, o centro de desenvolvimento na Colômbia possui cerca de 100 funcionários, quase o mesmo número de colaboradoras da agência (105) – reunindo todas as operações.

Para Pinzon, o CDI – de onde nasceu o software de aroma digital – demonstra bem o perfil da empresa. “Somos uma agência muito técnica, especialista em tracking, busca, tecnologia, mas sem descuidar da parte criativa. Por isso temos equipes multidisciplinares, composta por criativos, pessoas de mídia e busca, entre outros”, afirma.

Depois de um início de operação silencioso no mercado brasileiro, onde aportou no primeiro semestre de 2009, a Ariadna quer aproveitar o lançamento do software de aroma digital para mostrar que está farejando bons negócios em terras brasileiras. “Agora que estamos com as equipes dos diferentes países integradas e temos trabalhos para apresentar, vamos nos mostrar de um modo mais efetivo no mercado”, diz Cristiane.

O que FHC pensa da tecnologia e da revolução digital

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não escreve mais à mão. Artigos, estudos, mensagens – tudo ganha vida pelas teclas no computador. “Acho que nem sei mais escrever à mão”, disse durante palestra proferida na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, nesta quarta-feira (24/3). Mas isso não quer dizer que o sociólogo seja um prodígio da tecnologia. Pelo contrário: não raras vezes os bites e bytes lhe pregam peças do arco da velha.

FHC grande

Dias atrás, por exemplo, ele perdeu um texto que escrevia. O documento simplesmente escafedeu-se da tela do computador. “Pedi ajuda ao seu marido”, disse, da mesa de onde palestrava, para Mônica Serra, esposa do governador de São Paulo, José Serra.

“Ele tentou me ajudar e não resolveu nada. Pedi para meu filho, que também não conseguiu resolver. O jeito foi chamar meu neto para dar uma solução”, afirmou, arrancando boas gargalhadas da platéia.

A história começou como piada, mas foi a forma de FHC dizer que – segundo palavras dele – a “grande revolução do momento é a da comunicação”, fenômeno propiciado pela tecnologia da informação. E que esse movimento será liderado pela juventude. “A revolução da tecnologia da comunicação é para gente nova. A pedagogia moderna é isso”.

Google e o Kindle, “essa maquininha aí”

Ao falar assim, a intenção do ex-presidente é destacar o papel de liderança das novas gerações no mundo contemporâneo, e não diminuir a importância dos mais velhos no processo de digitalização.

Para ele, pensar o País daqui para frente significa estar inserido na lógica da inovação científica, o que repercute em todos os setores da economia. “Só temos a Embraer competindo no exterior porque temos o ITA”, disse, referindo-se ao Instituto Tecnológico da Aeronáutica.

“Agora temos essa maquininha aí que permite ler livros”, afirmou, numa referência aos leitores digitais como Kindle. “Também existe a Wikipédia. Eles escrevem muitas bobagens sobre mim lá, mas é um ponto de partida para a pessoa avançar e descobrir mais sobre um assunto”, brincou. “E também temos o Google, o maior sabido do mundo hoje”.

E o que deve um país fazer diante de um cenário como esse? Ou, para ficar no tema de sua palestra (“Ensino superior como área crítica estratégica”), qual o lugar da universidade diante da revolução digital? “A questão é ser ou não ser um analfabeto na web. O importante não é a tecnologia, mas a pessoa. É a formação dos professores para que lidem com as tecnologias da informação”.

Sobrou até para o Lula

Esse contexto também permite analisar, segundo FHC, a aplicação da tecnologia como instrumento de desenvolvimento. Como exemplo, cita o caso do Chile, que, para ele, fez um bom trabalho de valorização de seus produtos e sua imagem como país. “Os chilenos inventaram um negócio que é vender ostra para a França. Parece coisa simples, mas é complicado. Envolve logística, tecnologia”, afirmou.

Outro exemplo é o vinho, que, de algumas décadas para cá, alcançou status internacional graças a um bom trabalho de marca, pela avaliação de FHC. Foi o que bastou para dar uma alfinetadinha em seu grande rival político.

“O Brasil tem uma grande produção de fruta, à la Lula, ‘a maior do mundo’, mas ninguém conhece. O mundo do futuro é do design, da moda, da tecnologia. É o que chamam de economia criativa”.

Castells e os soviéticos

Ao refletir sobre o desenvolvimento tecnológico, FHC citou até o sociólogo espanhol Manuel Castells, autor de a “Galáxia da Internet”, com quem afirmou “ter sólida amizade”.

Conforme relembrou o ex-presidente, um dos estudos de Castells, feito há algumas décadas, mostra que um dos motivos de o império soviético ter ruído se deve ao fato de a URSS ter perdido o bonde da evolução tecnológica, embora o país tivesse, durante bom tempo, despontado como potência científica. O descompasso se deu a partir do momento em que os EUA começaram a viver “a revolução tecnológica, a digitalização, a concepção binária”, disse FHC.

“Só depois o comando soviético percebeu que os americanos olhavam para o pequeno, o micro, enquanto eles continuaram no macro. E a evolução caminhou para a miniaturização, foi do complexo para simples”, analisou.

O resumo da ópera, seguindo o raciocínio de FHC, são as profundas transformações sociais, políticas e econômicas provocadas pela tecnologia. “A revolução tecnológica tem um efeito maior do que a revolução industrial teve em sua época”.

Erros e acertos das previsões sobre o futuro da tecnologia

O sonho de futuro move o homem há séculos. A partir da Revolução Industrial, no entanto, as conquistas proporcionadas pela tecnologia – vide a máquina a vapor, telégrafo, telefone, a energia elétrica e o cinema, entre outras – colocaram a humanidade num outro estágio e fizeram a imaginação humana ir ainda mais longe.

Assim, durante o século XX brincamos de criar o futuro pelo cinema e, mais tarde, pela televisão. As empresas não ficaram atrás e também fizeram seus filminhos sobre o que a tecnologia nos reservaria no futuro.

Pensando nisso, eu e o William Marchiori, também do Now!Digital, buscamos alguns exemplos desses exercícios de futurologia.

E encontramos o clipe abaixo, que é parte do filme “1999 A.D.”. Ele mostra um dos primeiros conceitos do que chamamos de comércio eletrônico. Os autores acertaram em cheio na ideia, embora essa atividade tenha ido muito além do que eles poderiam ter imaginado, sem contar a evolução no hardware do computador.

A Intel também fez suas previsões. Uma delas foi a famosa “Casa do Futuro”. O vídeo, lançado na década passada, projeta como as casas serão num futuro não muito distante: o ano de 2010.

Em linhas gerais, eles acertaram: todas as tecnologias citadas no vídeo existem, como o tablet. O que a empresa não pensou é que as interfaces dos dispositivos seriam infinitamente mais bonitas do que as telas estáticas apresentadas, com diversos efeitos como transição.
E deixou escapar a mobilidade: não vemos nenhum smartphone no vídeo. A prévia de câmera digital também fracassou, já que hoje temos dispositivos muito mais evoluídos.

As apostas para o futuro

Algumas tecnologias tornaram-se realidade exatamente como o previsto, enquanto outras tomaram um rumo diferente e foram além do que, no passado, seria possível imaginar. Mas as previsões nunca param, tanto que já temos uma série de conceitos sobre como a tecnologia nos reserva nas próximas décadas.

Uma das sugestões que parecem estar no caminho certo é a chamada Casa Automatizada, ou E-Home. O conceito deste ambiente é simples: tudo é conectado. É possível controlar cada função da residência, como abrir ou fechar as cortinas, com qualquer controle remoto, como o do Xbox360.

Já a Microsoft acredita na interação com os computadores em cada canto da casa. Por meio de telas especiais e projetores, todas as informações são exibidas diretamente em mesas ou paredes e tudo é controlado por voz ou reconhecimento de objetos e pessoas.

E, por fim, não poderíamos deixar de citar as previsões para as tecnologias móveis. A campanha “You Will”, da AT&T, sugere um compartilhamento de informações em tempo real avançado. Já conhecemos parte dessa tecnologia, mas ela ainda é um pouco cara e são poucos os que têm acesso a ela.

E você, leitor, o que diz? Quais são suas apostas para o futuro?

A realidade aumentada ainda vai surpreender você

Uma mulher acorda pela manhã e lê seus e-mails na janela do quarto. Minutos depois, enquanto toma uma xícara de café, recosta-se no sofá e coloca seus óculos. A armação é moderna, elegante, mas ao mesmo tempo simples. A diferença em relação aos modelos convencionais é que, através das lentes, a moça pode escolher entre ler informações sobre o clima, o noticiário do dia ou o conteúdo do blog preferido. Tudo diante de seus olhos. Para definir o que acessará, move os dedos no ar, como se clicasse uma tela imaginária.

Depois de ler essa história, você deve pensar que se trata do exercício futurista de uma propaganda moderninha ou de uma comédia romântica high tech de Hollywood.

Sim, é um exercício futurista, mas com um detalhe: essa cena pode fazer parte do seu dia-a-dia muito antes do que você imagina. E graças a uma tecnologia que começa a ganhar os holofotes: a realidade aumentada.

Trata-se de um filme-conceito produzido pela Nokia. Chamado de Nokia Mixed Reality e disponível no YouTube, ele foi a maneira que a fabricante encontrou de mostrar o que, na opinião dela,  estará ao alcance dos usuários de smartphones daqui alguns anos em virtude da realidade aumentada.

Veja abaixo.

“Apesar de ser um vídeo-conceito da Nokia, ele mostra exatamente o que é o cenário que a realidade aumentada nos proporcionará em breve”, afirma Martha Gabriel, especialista em comunicação digital e professora dos cursos de MBA e pós-graduação da Business School São Paulo (BSP). “Não apenas pelo uso de óculos, mas poderemos recorrer, inclusive, a lentes de contato com dispositivos da tecnologia. E essa situação mostrada no vídeo é apenas uma das inúmeras opções de uso que essa ferramenta nos proporciona”, reforça.

Pesquisadora da realidade aumentada, Martha não arrisca um palpite sobre quando a cena descrita no filme será parte do cotidiano das pessoas. Mas, observando-se o ritmo com o qual a publicidade abraçou essa ferramenta em 2009, não deve demorar muitos anos. “Isso já seria possível usando exatamente o que o filme mostra – conexão com a internet e redes sociais via dispositivo móvel que traz as informações projetadas nos óculos”, diz.

O que falta então para que a cena idealizada pela Nokia torne-se fato? Para Martha, uma das maiores dificuldades é obter a precisão do eyetracking nos olhos e na interface gestual – isso sem falar no custo elevado para desenvolver essa tecnologia.

O conceito

Um dos campos de estudo da ciência da computação, a realidade aumentada é ampliação do real por meio de camadas de informações obtidas no meio digital. Essas camadas de dados sobre a realidade permitem viver e atuar com mais precisão em diversas áreas, como medicina, engenharia, manutenção, educação e transporte. Possibilita também uma experiência mais profunda e divertida, caso dos jogos, lazer e comunicação.

Ela tem potencial para modificar a relação entre as pessoas e o mundo em geral. “Isso já está acontecendo, portanto, não é mito”, diz Martha. O que ainda não está presente no cotidiano – o cenário descrito no vídeo da Nokia, por exemplo – esbarra apenas na melhoria e no barateamento  de tecnologias como banda larga de acesso à internet (disponibilidade, velocidade, custo) e dispositivos de uso de realidade aumentada, como celulares, óculos, lentes e sensores gestuais, afirma Martha. “Mas, como a experiência nos mostra ao longo da história, o homem transpõe mais cedo ou mais tarde aquilo que é apenas barreira tecnológica”, diz.

Cidades aumentadas

Quem vem rompendo as barreiras da realidade aumentada até o momento é o marketing. Pelo ineditismo e o encantamento que proporciona, essa tecnologia faz brilhar os olhos de muitos publicitários, que veem na realidade aumentada um novo alento para criação de estratégias capazes de seduzir o consumidor.

Mas não é preciso esperar o futuro para conhecer benefícios práticos proporcionados pela realidade aumentada. A cidade de São Francisco, nos EUA, fez uma parceria com a desenvolvedora Junaio para aplicar a tecnologia no município, com destaque para o sistema de trânsito. Assim, as pessoas têm à disposição um guia interativo que informa sobre as opções de transporte e locais de interesse, como bares e restaurantes.

Disponível para iPhone, o aplicativo informa, por exemplo, sobre estações de metrô, horário de chegada e saída de ônibus e rotas. Enquanto espera o próximo ônibus, a pessoa pode, por exemplo, consultar pelo iPhone onde fica o museu mais próximo, cujas histórias e outras informações podem ser obtidas por meio de realidade aumentada no aparelho. Para isso, basta sintonizar o equipamento numa determinada estação – a Bart, criada pela desenvolvedora. As informações vão  surgir na tela do aparelho.

Sistemas de navegação

Um projeto desenvolvido na Europa, chamado Mobvis, também explora a realidade aumentada como sistema de navegação no espaço urbano. Ele funciona da seguinte maneira: o Mobvis reconhece um determinado objeto fotografado e traz links relevantes sobre ele. Assim, a pessoa pode, por meio do smartphone, obter informações sobre monumentos, construções etc. Se o aparelho tiver GPS, pode-se monitorar o deslocamento e mapear objetos do entorno.

Eles sobreviveram ao estouro da bolha do mercado de internet no Brasil

Eles sobreviveram ao estouro da bolha da internet
Nesta semana, completaram-se dez anos daquilo que se convencionou chamar de o “estouro da bolha”. É a expressão usada para se referir ao início da derrocada colossal da bolsa americana Nasdaq, que enterrou uma série de empresas ligadas à internet – as chamadas pontocom. Acabava ali o tempo do dinheiro fácil, dos investidores endinheirados dispostos a tudo. Acabava ali a era da inocência digital.
Quem sobreviveu à tempestade e continuou a comandar projetos na área de internet, nunca mais olhou para seus negócios da mesma maneira.
Índio Brasileiro Guerra Neto, sócio-diretor de várias empresas digitais, como I-Group Treinamento e Consultoria e FirstCom Comunicação, é um deles. Na época da bolha, ele era diretor-geral da StarMedia, uma das estrelas do começo da internet –o fundador da empresa, o uruguaio Fernando Espuelas, era visto como um dos candidatos a geniozinhos do mundo digital.
“Foi um tempo maluco e muito tenso”, relembra. “O cenário era de grandes investimentos, porque os investidores e os empreendedores enxergaram um mercado novo. E ninguém estava errado ao pensar assim. O que estava errado eram os modelos de negócios, ou o timing de muitos deles”, avalia.
Modelo de negócios
No que se refere aos grandes portais, analisa Guerra Neto, o modelo desenhado para a sustentação do negócio estava baseado na receita obtida com assinatura por acesso, publicidade e comércio eletrônico. Nesse grupo se encaixam empresas como UOL e Terra. Em outros, excluía-se o acesso do tripé de receitas, mantendo-se a propaganda e o varejo online. É o caso da StarMedia. Para ela e outras companhias que adotavam o mesmo sistema, a audiência era vista como o motor para atrair publicidade online.
Trata-se de um modelo que permanece até hoje, embora com o acréscimo de outras nuances, como a venda de serviços agregados (segurança, email especial, gestão, cursos e treinamentos etc). Resumo da ópera: a conta não fechava no final do mês. E, com a quebra da Nasdaq, muitos investidores recuaram e houve empresas que não tiveram fôlego para superar a turbulência.
E por que a StarMedia naufragou? “A empresa tinha dinheiro para criar uma infraestrutura e oferecer acesso. Mas optou por outro caminho por uma questão de estratégia. Afinal, a internet crescia rapidamente e fazia sentido imaginar que a publicidade decolaria”, avalia.
“A fragilidade desse modelo é que o mercado não estava maduro para a publicidade online”, afirma.
Para Guerra Neto, havia outra agravante. Como se tratava não só de um mercado, mas também de empresas novas, portais, provedores e sites iniciaram uma corrida à mídia para construir suas marcas. Assim, destinaram verbas altíssimas para publicidade, que se somavam a investimentos elevados para manter sua operação.
Ele era um executivo trintão na época. “Veja você: hoje tenho 46 anos e posso me considerar um dinossauro da internet, assim como outros que participaram daquele período – são pessoas que têm a mesma idade que eu ou são mais novas. Mas, naquela época, referir-se a alguém como dinossauro em alguma profissão era para alguém com 70 anos”, afirma.
Novatos
A questão da juventude é ainda mais notória no caso de Alexandre Canatella, 36 anos, sócio da e-Mídia, grupo que controla os sites CyberCook (fundado em 1998), CyberDiet (2000) e Via Mulher.
Sua experiência na internet começou quando foi contratado para ser diretor do CyberCook, que já fazia relativo sucesso como um site de gastronomia. Tinha na ocasião 24 anos. Canatella não sabia muita coisa de internet muito menos de gestão de negócios naquela época.
Hoje, o CyberCook parte de uma empresa mantida por grupos investidores – ele é um dos sócios como pessoa física. Mas, ao contrário de outros projetos típicos da bolha – bem-sucedidos ou não -, o site começou por acaso, quando um jovem programador criou um site para que seus amigos tivessem acesso a receitas culinárias retiradas “desses caderninhos que existem em todas as casas”. “Mas a coisa deu certo, conquistou audiência. Acho que essa foi um dos fatores que fizeram o CyberCook sobreviver à bolha: ele nasceu com uma base real, tinha audiência e um serviço. Não foi criado no meio da euforia para apresentar a um investidor”, avalia.
Há outra diferença fundamental: em 1998, o UOL havia adquirido parte do negócio, o que representou segurança financeira e melhoria na gestão do negócio. “Mal sabíamos o que era um plano de negócios. A questão é que a empresa já era lucrativa, embora com um faturamento pequeno. O apoio do UOL reforçou nossa operação”, diz, observando que hoje o provedor não é mais sócio da empresa. A base de sustentação da empresa era a venda de publicidade.
Ao analisar o efeito do estouro da bolha, Canatella avalia que, apesar dos estragos, o terremoto digital teve seus aspectos positivos, como o amadurecimento dos jovens empreendedores. “Não houve vencedores e vencidos. O que ficou é o legado de uma geração que conseguiu empreender no nascente mercado digital”, afirma Canatella.

Nesta semana, completaram-se dez anos daquilo que se convencionou chamar de o “estouro da bolha” de internet. É a expressão usada como referência para o início da derrocada colossal da bolsa americana de tecnologia Nasdaq, que enterrou uma série de empresas ligadas ao digital – as chamadas pontocom. Acabava ali o tempo do dinheiro fácil, dos investidores endinheirados dispostos a tudo. Acabava ali a era da inocência digital.

Nasdaq

Quebra na Nasdaq  deixou lições

Quem sobreviveu à tempestade e continuou a comandar projetos na área de internet, nunca mais olhou para seus negócios da mesma maneira.

Índio Brasileiro Guerra Neto, sócio-diretor de várias empresas digitais, como I-Group Treinamento e Consultoria e FirstCom Comunicação, é um deles. Na época da bolha, ele era diretor-geral da StarMedia, uma das estrelas do começo da internet –o fundador da empresa, o uruguaio Fernando Espuelas, era visto como um dos candidatos a geniozinhos do mundo digital.

“Foi um tempo maluco e muito tenso”, relembra. “O cenário era de grandes investimentos, porque os investidores e os empreendedores enxergaram um mercado novo. E ninguém estava errado ao pensar assim. O que estava errado eram os modelos de negócios, ou o timing de muitos deles”, avalia.

Modelo de negócios

No que se refere aos grandes portais, analisa Guerra Neto, o modelo desenhado para a sustentação do negócio estava baseado na receita obtida com assinatura por acesso, publicidade e comércio eletrônico. Nesse grupo se encaixam empresas como AOL, nos EUA, e UOL e Terra, no Brasil. Em outro, estavam companhias cujo projeto excluía o acesso do tripé de receitas, mantendo-se a propaganda e o varejo online. É o caso da StarMedia. Para ela e outras companhias que adotavam o mesmo sistema, a audiência era vista como o motor para atrair publicidade online.

Trata-se de um modelo que permanece até hoje, embora com o acréscimo de outras nuances, como a venda de serviços agregados (segurança, email especial, gestão, cursos e treinamentos etc). E, com a quebra da Nasdaq, muitos investidores se mandaram para Pasárgada e houve empresas que não tiveram fôlego para superar a turbulência.

E por que a StarMedia naufragou? “A empresa tinha dinheiro para criar uma infraestrutura e oferecer acesso. Mas optou por outro caminho por uma questão de estratégia. Afinal, a internet crescia rapidamente e fazia sentido imaginar que a publicidade decolaria”, avalia.

“A fragilidade desse modelo é que o mercado não estava maduro para a publicidade online”, afirma.

Para Guerra Neto, havia outra agravante. Como se tratava não só de um mercado, mas também de empresas novas, portais, provedores e sites iniciaram uma corrida à mídia para construir suas marcas. Assim, destinaram verbas altíssimas para publicidade, que se somavam a investimentos elevados para manter sua operação. Resumo da ópera: a conta não fechava no final do mês.

Experiências

Um dos diretores responsáveis pelo lançamento do UOL, em 1996, Guerra Neto era um executivo trintão na época da bolha. “Veja você: hoje tenho 46 anos e posso me considerar um dinossauro da internet, assim como outros que participaram daquele período – são pessoas que têm a mesma idade que eu ou são mais novas. Mas, naquela época, referir-se a alguém como dinossauro em alguma profissão era para alguém com 70 anos. A internet comercial começou com uma geração muito nova”, afirma.

Nasda3Empreendedores hoje são “dinossauros” da web

A questão da juventude é ainda mais notória no caso de Alexandre Canatella, 36 anos, sócio da e-Mídia, grupo que controla os sites CyberCook (fundado em 1997), CyberDiet (2000) e Vila Mulher.

Sua experiência na internet começou quando foi contratado para ser diretor do CyberCook, que já fazia relativo sucesso como um site de gastronomia. Tinha na ocasião 24 anos. Canatella não sabia muita coisa de internet muito menos de gestão de negócios naquela época.

Hoje, o CyberCook é parte de uma companhia mantida por grupos investidores – ele é um dos sócios na condição de pessoa física. Mas, ao contrário de outros projetos típicos da bolha – bem-sucedidos ou não -, a empresa começou por acaso, quando um jovem programador, Luiz Lapetina, criou um site para que seus amigos tivessem acesso a receitas culinárias retiradas “desses caderninhos que existem em todas as casas”, recorda Canatella.

“Mas a coisa deu certo, conquistou audiência. Acho que essa foi um dos fatores que fizeram o CyberCook sobreviver à bolha: ele nasceu com uma base real, tinha audiência e um serviço. Não foi criado no meio da euforia para apresentar a um investidor”, avalia.

Há outra diferença fundamental: em 1998, o UOL havia adquirido parte do negócio, o que representou segurança financeira e melhoria na gestão do negócio. “Mal sabíamos o que era um plano de negócios. A questão é que a empresa já era lucrativa, embora com um faturamento pequeno. O apoio do UOL reforçou nossa operação”, diz, observando que hoje o provedor não é mais sócio da empresa. A base de sustentação do site era a venda de publicidade.

Ao analisar o efeito do estouro da bolha, Canatella avalia que, apesar dos estragos, o terremoto digital teve seus aspectos positivos, como o amadurecimento dos jovens empreendedores. “Não houve vencedores e vencidos. O que ficou é o legado de uma geração que conseguiu empreender no nascente mercado digital”, afirma Canatella.

Outro nome de destaque dessa geração é Edson Romão, hoje diretor do Dnit/Viajobem. Ele foi um dos fundadores do HpG, empresa de hospedagem de sites famosa no final da década de 1990 e que foi comprada pelo iG em 2001, que tinha o publicitário Nizan Guanaes como um dos sócios na ocasião. O HpG chegou a ocupar o terceiro lugar no ranking de audiência da internet.

Nasdaq2Bolha foi a corrida do ouro digital

“Foi uma ‘corrida do ouro’. Experimentamos a liderança e o prestígio no mercado, no qual todas as portas abriam-se aos executivos de internet, em todos os setores da economia”, afirma, em relação aos tempos áureos que antecederam a quebra da Nasdaq.

“Além de trazer grandes inovações tecnológicas, essa passagem trouxe uma vivência sem par para os executivos de internet, que puderam desfrutar de muito crédito e recursos para desenvolver negócios”, diz.

“A  bolha da internet foi o maior laboratório de empreendedorismo da história da economia contemporânea. Era preciso contratar, treinar, decidir, criar, vender e aprender a ser grande em pouco tempo. Isso ficou como uma grande lição para quem viveu aquela época”, afirma Romão.


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Portal Brasil é exemplo de nova política de licitação do governo para a web

Portal Brasil é exemplo de nova política de remuneração do governo para serviços de internet
Afirmação é de Silvia Sardinha, diretora da Secretaria de Comunicação da Presidência da República; para ela, órgão inseriu lógica de comunicação nos serviços de web da esfera federal
O Portal Brasil, projeto capitaneado pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) e que consumiu até o momento 7,5 milhões de reais – de um contrato de 11 milhões de reais -, exemplifica o momento de transição no sistema de remuneração de serviços digitais por parte do governo federal. A afirmação é da diretora de internet e eventos da Secom, Silvia Sardinha, que participou nesta quinta-feira (11/3) do encontro “Estratégias para compras de serviços digitais”, promovido pelo Interactive Advertising Bureau (IAB Brasil), em São Paulo. O evento contou com a presença de anunciantes e representantes de agências digitais e de publicidade.
Segundo Sílvia, tradicionalmente os projetos relacionados à internet eram enquadrados como serviços de tecnologia, e assim a escolha dos fornecedores deveria ser feita por meio de pregão. Dessa forma, a questão preço ocupava papel primordial na definição do prestador de serviço.
O problema desse modelo, reclamam as agências digitais independentemente de se tratar do Portal Brasil, é que os serviços de comunicação possuem peculiaridades muitos distintas do processo de escolha pura e simples de um projeto tecnológico. Como exemplo, pense nas atividades de planejamento, criação e atualização.
Houve, no entanto, um longo percurso até que fosse possível alterar os parâmetros que regem a remuneração dos serviços digitais na esfera governamental. Silvia conta que o Tribunal de Contas da União (TCU) considerava projetos de internet como serviços de tecnologia, o que exigia a compra por pregão. “Precisamos então fazer uma defesa técnica de que se trata de serviço de comunicação, de que é trabalho intelectual, e que a tecnologia é apenas um meio. Levamos um bom tempo até conseguir mudar essa realidade”, diz Silvia.
Para embasar o argumento, a Secom se reuniu com representantes das empresas de internet, agências e anunciantes para buscar referenciais. “Buscamos entender como o mercado compõe suas equipes para um trabalho, porque isso também precisa constar nos projetos da Secom”.
Uma das dificuldades dizia respeito à remuneração. Em suas pesquisas no mercado, a Secom encontrou casos em que a hora de trabalho de um profissional sênior de agência poderia custar de 15 reais a 250 reais. “Isso foi um problema, porque precisávamos de um padrão”, diz Silvia.
O resultado de toda essa empreitada é que o contrato firmado para a construção do Portal Brasil permite a contratação de historiadores, por exemplo, para a redação ou revisão técnica de conteúdos do portal que exigem um conhecimento específico.
“Buscamos inserir um olhar de comunicação nos serviços de internet do governo federal”.
Embora a Secom destaque avanços na política de remuneração, livrando-se do peso excessivo do fator preço na definição de fornecedores, a escolha da empresa responsável pelo desenvolvimento do Portal Brasil gerou queixas na ocasião. Uma das agências que tiveram a proposta técnica aprovada – a AgênciaClick – entrou com recurso sob a alegação de que a proposta de preços da agência vitoriosa, a TV1.com, era inviável do ponto de vista do mercado. A queixa, no entanto, não foi aceita pela Secom.
Com o Portal Brasil, a Secom abriu um precedente no processo licitatório do governo, que envolveu, desta vez, uma agência de comunicação digital e não uma empresa de Tecnologia da Informação.

O Portal Brasil, projeto capitaneado pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) e que consumiu até o momento 7,5 milhões de reais de investimento – de um contrato de 11 milhões de reais -, exemplifica o momento de transição no sistema de remuneração de serviços digitais por parte do governo federal.

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Investimento no portal foi de R$ 7,5 milhões

A afirmação é da diretora de internet e eventos da Secom, Silvia Sardinha, que participou nesta quinta-feira (11/3) do encontro “Estratégias para compras de serviços digitais”, promovido pelo Interactive Advertising Bureau (IAB Brasil), em São Paulo. O evento contou com a presença de anunciantes e representantes de agências digitais e de publicidade.

Segundo Sílvia, tradicionalmente os projetos relacionados à internet eram enquadrados como serviços de tecnologia, e assim a escolha dos fornecedores deveria ser feita por meio de pregão eletrônico. Dessa forma, a questão preço ocupava papel primordial na definição do prestador de serviço.

Serviço diferente

O problema desse modelo, reclamam as agências digitais independentemente de se tratar do Portal Brasil, é que os serviços de comunicação possuem peculiaridades muitos distintas do processo de escolha pura e simples de um projeto tecnológico. Como exemplo, pense nas atividades de planejamento, criação e atualização de conteúdo.

Assim, a Secom rompeu com a ideia de que uma ação de web se restringia à área de informática ou tecnologia de informação.

Depois de consultas ao Tribunal de Contas da União (TCU), a Secom passou a tratar o Portal Brasil como uma ação de comunicação, como um serviço de natureza intelectual e criativa. A contratação então foi baseada numa licitação de empresa de comunicação digital, na modalidade técnica e preço, em vez da contratação de uma companhia estritamente de tecnologia de informação.

“Foi necessário fazer uma defesa técnica de que se trata de serviço de comunicação, de que é trabalho intelectual, e que a tecnologia é apenas um meio. Levamos um bom tempo até conseguir mudar essa realidade”, diz Silvia.

Olhar de comunicação

Para embasar o argumento, a Secom se reuniu com representantes das empresas de internet, agências e anunciantes para buscar referenciais. “Buscamos entender como o mercado compõe suas equipes para um trabalho, porque isso também precisa constar nos projetos da Secom”.

Uma das dificuldades dizia respeito à remuneração. Em suas pesquisas no mercado, a Secom encontrou casos em que a hora de trabalho de um profissional sênior de agência poderia custar de 15 reais a 250 reais. “Isso foi um problema, porque precisávamos de um padrão”, diz Silvia.

O resultado de toda essa empreitada é que o contrato firmado para a construção do Portal Brasil permite a contratação de historiadores, por exemplo, para a redação ou revisão técnica de conteúdos do portal que exigem um conhecimento específico.

“Buscamos inserir um olhar de comunicação nos serviços de internet do governo federal”.

Queixas

Embora a Secom destaque avanços na política de contratação de serviços digitais, livrando-se do peso excessivo do fator preço na definição de fornecedores, a escolha da empresa responsável pelo desenvolvimento do Portal Brasil gerou queixas na ocasião.

Uma das agências que tiveram a proposta técnica aprovada – a AgênciaClick – entrou com recurso sob a alegação de que a proposta de preços da agência vitoriosa, a TV1.com, era inviável do ponto de vista do mercado. A queixa, no entanto, não foi aceita pela Secom.

Investidor procura projetos para as áreas móvel e de comércio eletrônico

O sonho é o ponto de partida para qualquer empreendedor. Mas é claro que só isso não basta. Então o que mais é necessário para emplacar uma nova empresa no mercado? O que investidores esperam dos empreendimentos na área digital? Quais as características de uma boa proposta e que tipo de projetos têm mais chances de aceitação?

Binóculo

O especialista Edson Romão tem alguns conselhos valiosos para quem deseja embrenhar-se pelas veredas do mercado digital. Ele é diretor da Dnit/Viajobem, empresa de tecnologia do grupo Kontik, que tem forte atuação na área de turismo. A companhia também pode atuar como uma apoiadora de projetos na área digital. Assim, as dicas de Romão são as de quem decide investimentos.

E, nesta entrevista, ele dá uma informação importante: está de olho em projetos na área de varejo online e de celulares.

As recomendações do executivo também levam em conta a vivência de quem um dia foi empreendedor. Romão é um dos fundadores do HpG, site brasileiro de hospedagem famoso no início da década e que foi vendido em 2001 para o iG.

Qual sua primeira recomendação a um empreendedor que busca investidor para um projeto digital?
Edson Romão – A minha primeira recomendação é que o empreendedor esteja seguro de que pode realizar o que se propôs a fazer. Esta segurança está relacionada ao entendimento do modelo de negócio que dará vida ao seu projeto e à existência de uma equipe que poderá realizar a empreitada. Ou seja, a primeira recomendação é estar movido por um propósito claro e com garantias de realização.

O que um bom projeto digital deve conter?
Edson Romão – Deve ter “a cara” do usuário. Deve agradar desde o início. As pessoas que usam internet são inteligentes, exigentes e seletivas. Sabem fazer em pouco tempo um serviço “pegar” ou “morrer”. Tecnologia pode ser algo complexo, mas serviços de internet devem ser muito simples. Um bom projeto deve usar as melhores tecnologias para prover serviços de forma simples.

Como saber se a proposta é viável ou não?
Edson Romão – Também quero saber isso. Já consegui fazer alguns projetos deslancharem e outros não. Antes, todos acreditavam em qualquer coisa, mas agora os ouvidos dos investidores estão “calejados”. Com os anos e estudando bem as histórias de fracasso e sucesso ficamos mais seletivos. Hoje me concentro em atividades ligadas a setores “reais” da economia, como no momento atual, com projetos de viagens online.

O que um investidor busca ao analisar as ideias dos empreendedores?
Edson Romão – Busca algo além das propostas. Busca alguém capaz de cumprir um plano de negócios. Busca o resultado. Muita coisa pode parecer atraente numa ideia, mas o empreendimento só acontece no dia a dia.

Quais os critérios analisados pelo investidor para escolher entre este ou aquele empreendimento?
Edson Romão – São muitos os critérios. Mas inovação, recursos humanos e opções de saída para o investidor são algumas que destaco.

O que é um plano de negócios e qual a importância dele na hora de apresentar uma proposta a um investidor?
Edson Romão – O plano de negócios é algo muito mais conhecido e falado de anos para cá. Mais que textos, apresentações e planilhas, ele deve contar como será a história da vida financeira e operacional de sua futura empresa.

Em linhas gerais, quais são os tipos de projetos (perfil, área de atuação etc) com mais chances de sucesso?
Edson Romão – Estamos procurando projetos de internet e para dispositivos móveis (mobile). Na área de varejo online (comércio eletrônico), serviços ligados a viagens ou ideias inéditas que possam ser realizadas por uma equipe enxuta, contando com apoio, financiamento e governança de nosso grupo.

Devassa Bem Loura, com Paris Hilton, tem quase um milhão de acessos no YouTube

Comerciais da Devassa Bem Loura, com Paris Hilton, alcançam um milhão de acessos no YouTube
A determinação feita pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária
(Conar) para que o comercial da cerveja Devassa Bem Loura, estrelado por Paris Hilton, não fosse mais exibido na TV provocou um efeito colateral: fez a campanha bombar na internet.
Só o filme original, o que não pode ser mais veiculado na televisão, já foi visto mais de 932 mil vezes no portal do YouTube, às 17h desta sexta-feira (5/3). Somando-se as versões replicadas por usuários e o segundo filme da estratégia, a campanha se aproxima de um milhão de acessos no portal do Google.
Para não perder o impacto na mídia, a agência responsável pela campanha, a Mood, usou a web para reverter a situação. A empresa não só deixou o material disponível na rede como inseriu uma mensagem irônica no material, reproduzida aqui tal como escrita na peça:
“O filme da Devassa foi retirado do ar. A quem se sentiu ofendido, oferecemos um filme novo. Aqueles que não se ofenderam, convidamos a assistir ao filme antigo na internet”.
O Conar determinou a retirada do comercial da TV sob a alegação de que a campanha é “desrespeitosa e apelativa”.
A Mood contesta. “Criamos a campanha dentro das normas brasileiras”, afirma Augusto Cruz Neto, sócio-presidente da Mood, agência com sede em São Paulo.
Para continuar com presença na mídia de massa, a agência recorreu ao bom humor num segundo filme, no qual o símbolo da cerveja – o desenho de uma mulher insinuante – recebeu uma tarja preta.
Num primeiro momento, o imbróglio com o Conar causou preocupação, mas depois foi motivo de comemoração na agência, diz Cruz Neto. É fácil entender o motivo. A proibição foi alvo de matéria em diversos veículos internacionais, com destaque para o New York Time e o Advertising Age, uma das principais prestigiadas publicações de marketing do mundo.
“Quando eu iria imaginar que estaríamos em reportagem do New York Times? Isso sem falar na mídia espontânea que obtivemos dentro do Brasil”, diz Cruz Neto.
Veja mais a seguir.A determinação feita pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária A determinação feita pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária
(Conar) para que o comercial da cerveja Devassa Bem Loura, estrelado por Paris Hilton, não fosse mais exibido na TV provocou um efeito colateral: fez a campanha bombar na internet.
Só o filme original, o que não pode ser mais veiculado na televisão, já foi visto mais de 932 mil vezes no portal do YouTube, às 17h desta sexta-feira (5/3). Somando-se as versões replicadas por usuários e o segundo filme da estratégia, a campanha se aproxima de um milhão de acessos no portal do Google.

A determinação do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) para que o comercial da cerveja Devassa Bem Loura, estrelado por Paris Hilton, não fosse mais exibido na TV provocou um efeito colateral: fez a campanha bombar na internet.

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Comercial com a lourinha seduziu os internautas

Só o filme original, o que não pode ser mais veiculado na televisão, já foi visto mais de 932 mil vezes no portal do YouTube, às 17h desta sexta-feira (5/3). Se somadas as versões replicadas por usuários e o segundo filme da estratégia, a campanha se aproxima de um milhão de acessos no portal do Google.

Para não perder o impacto na mídia depois da decisão do Conar , a agência responsável pela campanha, a Mood, usou a web para reverter a situação. A empresa não só deixou o material disponível na rede como inseriu uma mensagem irônica no material, reproduzida aqui tal como escrita na peça:

“O filme da Devassa foi retirado do ar. A quem se sentiu ofendido, oferecemos um filme novo. Aqueles que não se ofenderam, convidamos a assistir ao filme antigo na internet”.

O Conar determinou a retirada do comercial da TV sob a alegação de que a campanha é “desrespeitosa e apelativa”.

A Mood contesta. “Criamos a campanha dentro das normas brasileiras”, afirma Augusto Cruz Neto, sócio-presidente da Mood, agência com sede em São Paulo.

Para continuar a fazer barulho na mídia de massa, a agência recorreu ao bom humor num segundo filme, no qual o desenho de uma pin up recebeu uma tarja preta.

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Segundo filme para tira sarro da proibição pelo Conar

Num primeiro momento, o imbróglio com o Conar causou preocupação, mas depois foi motivo de comemoração na agência, diz Cruz Neto. É fácil entender o motivo. A proibição foi alvo de matéria em diversos veículos internacionais, com destaque para o New York Times e o Advertising Age, uma das principais prestigiadas publicações de marketing do mundo.

“Quando imaginaria que estaríamos em reportagem do New York Times? Isso sem falar na mídia espontânea que obtivemos dentro do Brasil”, diz Cruz Neto.

O que é cyberbullying e por que esse assunto é importante

Bullying é o termo usado para definir comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, sem uma razão aparente e que ocorrem entre adolescentes e crianças. São aquelas zombarias perversas que prejudicam a vida de determinados alunos – situações que muitas vezes descambam para a violência, física ou emocional.

Cyberbullying

Cyberbullying tenta amedrontar a vítima

O cyberbullying é a variação desse problema no ambiente digital. Pela velocidade da expansão da web, fixa e móvel, o tema despertou a atenção de pesquisadores e especialistas.

A diferença principal entre o bullying e o cyberbullying é que, no virtual, o anonimato acoberta o agressor – isso apenas num primeiro momento, pois uma investigação judicial permite a identificação posterior.

Ataques pela internet

A versão virtual do problema se manifesta por meio de redes sociais, torpedos, blogs e comunicadores instantâneos, entre outros canais. Por meio de perfis falsos ou anônimos, o agressor espalha boatos maldosos com o objetivo explícito de prejudicar alguém.

Trata-se de um assunto que merece a atenção de pais, educadores e, claro, das crianças e adolescentes. Segundo a pedagoga Cleo Fante, pesquisadora do assunto, é preciso ter em mente que o bullying e o cyberbullying são problemas que ocorrem apenas entre adolescentes e crianças. No caso de adultos, ele é tratado como assédio moral – ou virtual, se for na internet.

“Antes o perigo estava na rua, na escola. Agora, está também na web”, afirma Cleo.

Seja na versão tradicional, seja na digital, os objetivos são parecidos:  amedrontar, perseguir, tiranizar, difamar, abusar ou chantagear.

A intenção de Cleo, que debateu o tema em encontro organizado nesta quarta-feira (3/3)  pela empresa de segurança McAfee, não é instaurar o pânico em relação à internet,  mas apenas alertar para o fato de que, com a disseminação das redes sociais e da web móvel, a ocorrência do cyberbullying ficou mais fácil, o que exige novos cuidados.

Cyberbullying 2

Redes sociais facilitam disseminação

Para auxiliar pais, educadores e os próprios adolescentes e crianças que navegam na rede, Cleo preparou algumas dicas para lidar com o cyberbullying.

Doutoranda em Ciências da Educação, Cleo Fante pesquisa o bullying escolar desde o ano 2000. É coautora, com José Augusto Pedra, do livro “Bullying Escolar – perguntas e respostas” (Editora Artmed).

Veja as dicas:

  • · Acompanhar a relação de seu filho com a internet é uma medida necessária. Procure saber por que sites ele navega e com quem se relaciona nas redes sociais.
  • · Estabeleça limites. Faça um acordo com ele e defina a quantidade de horas livres para usar a web.
  • · Em vez de instalar o computador no quarto, deixe-o em uma “área pública” da casa, como a sala. Nesses locais, é mais fácil saber por onde ele navega.
  • · Demonstre interesse sobre o universo digital. Converse com ele sobre redes sociais, internet, abra esse tipo de diálogo.
  • · Oriente-o sobre os riscos que existem no ambiente digital, como o contato com pessoas estranhas que podem estar mal intencionadas.
  • · Alerte-o para os cuidados que devem ser tomados com a privacidade. Converse sobre os perigos de postar fotos, dados pessoais ou lugares frequentados.
  • · Todo o cuidado é pouco com a webcam. Muitos adolescentes se expõem em demasia na frente da câmera do computador, colocando-se em poses sensuais ou até mesmo nuas. O detalhe é que essas imagens podem ser remontadas de modo a atacar a reputação da pessoa.
  • A vítima de cyberbullying deve reunir todas as provas possíveis dos ataques sofridos, como cópias de e-mails, mensagens SMS, de telas de blogs ou perfis de redes sociais. É importante salvar e imprimir o conteúdo, inclusive bate-papos em comunicadores instantâneos. Para ter validade jurídica, as provas devem ser registradas em cartório e deve-se fazer uma declaração de fé pública, para provar que o crime foi cometido. O passo seguinte é procurar uma delegacia comum ou especializada em crimes cibernéticos e fazer uma queixa-crime.
  • Outra medida importante é notificar o provedor do serviço de internet para  que o conteúdo ofensivo seja removido.