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Arquivo de fevereiro, 2010

Boo-box tenta emplacar modelo de publicidade no Twitter

O sonho de consumo de muitos marqueteiros é fazer vingar a publicidade no Twitter.  O único problema é ter de combinar a jogada com o time adversário: como o microblog nasceu e se desenvolveu sem veiculação de propaganda, não é fácil colocá-la agora.  Além da interface não ser das mais apropriadas para esse fim, o usuário pode dar um “unfollow” na marca.

Diante de tantos senões, o que fazer? Será que banners e derivados combinam com o ambiente agradavelmente caótico dos 140 caracteres?

Marco Gomes, sócio da empresa de publicidade em mídias sociais Boo-box, de São Paulo, sabe que a tarefa é árdua. Isso não o impediu, no entanto, de lançar, em outubro de 2008, um sistema de veiculação de propaganda para o microblog que recebeu o sugestivo nome de Ad Bird. Mas é só agora, mais de um ano depois, que ele percebe aumentar o interesse das empresas pelo modelo.

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Marco Gomes alia propaganda e mídias sociais

“As principais campanhas estão sendo veiculadas agora, em 2010, embora ainda seja um volume muito pequeno”, diz Gomes.

Como exemplos de anunciantes que rodaram campanhas no Twitter por meio da Boo-box estão Audi, Vivo, Positivo e Havaianas.

Em sua essência, o formato do projeto tem alguma semelhança com o AdSense, sistema do Google para veiculação de publicidade contextual em blogs que remunera o blogueiro.

O mecanismo funciona da seguinte forma: os usuários do microblog interessados em contar com publicidade em sua página acessam o site da Boo-box e fazem um cadastro rápido, em que dão sua autorização para que esse tipo de ação seja feita.

A partir daí, a pessoa  entra numa espécie de banco de tuiteiros – atualmente são cerca de 500. A Boo-box analisa o perfil de cada um e distribui as campanhas conforme o estilo do tuiteiro (os que temas que posta, se têm poder de  influenciar a rede ou não). As ações podem ser enviadas para toda a base cadastrada da Boo-box também, se o cliente assim desejar.

A propaganda é colocada como se fosse um papel de parede do Twitter. Outra opção, por exemplo, é colocar uma mensagem com um link para as pessoas clicarem.

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Campanha de Havaianas usou papel de parede

No caso de uma campanha realizada para a Audi, que tinha o objetivo de promover o modelo R8, 216 tuiteiros participaram  e mais de mil mensagens foram enviadas. Cerca de seis mil usuários visitaram o site promocional.

No caso de Havaianas, em ação coordenada com a AlmapBBDO, agência de publicidade da marca, a opção foi incentivar a colocação de um papel de parede da empresa.

Conforme os números indicam, trata-se de uma iniciativa modesta. O importante é o que pode surgir daí. Se projetos desses tipos forem bem-sucedidos, o modelo pode ganhar corpo e atrair uma massa maior de usuários e empresas.

O acordo com o anunciante pode envolver pagamento pelo  desempenho da campanha ou um preço fechado, que leva em conta fatores como influência do tuiteiro e a exposição. Segundo Gomes, o modelo mais usado é o do desempenho – o anunciante paga conforme o número de cliques em uma link da campanha, por exemplo.

A remuneração do tuiteiro, por sua vez, segue princípios semelhantes. O valor varia, mas fica em torno de trinta centavos por clique.

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Peça de ação da Audi veiculada no Twitter

“Embora pequeno, esse projeto de publicidade no Twitter é uma das nossas apostas para 2010, assim como ações no Orkut e outras redes. E, com o avanço da web móvel, isso pode ganhar ainda mais espaço”, afirma Marco Gomes.

A principal fonte de receita da empresa é a programação de publicidade em blogs. A Boo-box afirma ter oito mil  blogs cadastrados, que geraram, em 2009, 18 milhões de impressões de anúncios. Em fevereiro deste ano, esse número saltou para 420 milhões.

Relação com o mercado

Gomes faz questão de alertar que o contato da Boo-box é feito via agência de publicidade. “Não atendemos clientes diretos – a relação é via agência”, diz. “E também é bom deixar claro que não somos agência de publicidade digital. Somos uma empresa de tecnologia. Nosso papel, neste caso, é programar a mídia. Não planejamos nem criamos campanhas.”

Entre as companhias de publicidade que contrataram a Boo-box, segundo Gomes, estão DM9DDB e Ogilvy Interactive, além da já citada AlmapBBDo.

Dicas de sites: aproveite o Carnaval para fazer o seu ziriguidum na internet

Carnaval é sempre aquela história: há o bloco dos foliões, daqueles que não vivem sem abadá e ziriguidum. Muitos destes provavelmente não estão nem aí para bites e bytes durante o feriado carnavalesco.

Outros são o oposto: preferem o diabo a ouvir tamborim e cuíca nos desfiles de rua ou na TV – tenham ou não viajado, o importante é ficar longe do barulho.

16500637Dê umas clicadas certeiras durante os dias de folia

Entre mortos e feridos, há uma legião que não larga a internet nem que seja para acessá-la via conexão dial up. Para esses aficionados pela rede (são muitos, hein!), o Nave Digital pediu a dois web rastreadores convictos uma seleção de sites bacanas para você se divertir – e se informar – durante o Carnaval. E também depois dos dias da folia – por que não?

Nossos dois convidados são Gabriel Jacob, analista de tendências da agência Fischer+Fala! e editor do blog ADivertido, e Gil Giardelli, sócio da agência interativa Gaia Creative, coordenador dos cursos de Inovação Digital da ESPM e editor do blog Humanidade 4.0.

E tome ziriguidum!

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Por Gabriel Jacob *

GJacob

AdBlitz
Os fãs da boa propaganda não precisam mais perder tempo procurando quais foram os comerciais veiculados durante o Super Bowl. Graças a um novo canal que o Youtube inaugurou, o AdBlitz, as pessoas podem assistir e avaliar todas as propagandas.

Browser Pong
Que tal jogar ping-pong usando apenas o navegador do seu computador?
Essa é a proposta do divertido e viciante Browser Pong.

CNN: Haiti 360
Veja como ficou o Haiti pós-terremoto, tendo a chance de navegar por infinitos ângulos em tempo real.

“Alice in Wonderland” boutique
A Disney acabou de abrir uma loja virtual para vender produtos temáticos inspirados na próxima obra de Tim Burton, “Alice in Wonderland”.
Acesse aqui e enjoy! Experience The Rainbow.

Skittles
O novo site da marca Skittles é um oásis de inspiração e interatividade.
Conteúdos variados são submetidos ao site diariamente.

Em um formato de pergaminho, como um blog, ele se diferencia por não ter fim. Isso mesmo, você vai movendo o seu scroll e logo vai perceber que não acaba nunca. Bem legal!

O futuro dos games e da realidade aumentada
Vídeo que ilustra uma nova tecnologia desenvolvida em Israel.
Promete mudar muita coisa por aí.

Touchless
Foi apresentado um aplicativo desenvolvido pela Universidade de Tóquio que permite uma navegação ‘touchless’ em dispositivos móveis.

*Gabriel Jacob é analista de tendências da agência Fischer+Fala!, colaborador do curso de “comunicação digital” da ESPM-SP, editor dos blogs ADivertido e INvertido, e organizador do encontro anual de blogueiros e publicitários.

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Por Gil Giardelli *

gileditada

SETI at Home
Entre uma marchinha de carnaval, um confete e um balancê, balancê, clique na rede social SETI at Home para pesquisar vida inteligente extraterrestre. Aproveite e escute o pulsar de uma galáxia.

Ask Nature
Não entendeu este mundo? Vá ao Ask Nature e pergunte para a natureza como utilizar tecnologia, design e um mundo verde.

Exboyfriendjewelry.com
Já sei, aquele meliante do seu namorado deixou você na véspera do Carnaval. Não chore, abrace a rede Exboyfriendjewelry.com.
Lá, você pode falar mal e vender a jóia que ele lhe deu.

I just made love
Acabou a privacidade? Ménage à trois digital? Uma rede social para você contar que acabou de fazer sexo.

Vimeo
Coloque poesia no seu carnaval: 230 Fotógrafos, 1 cidade. Inteligência Coletiva e aplausos.

Refresh everything
Visite e dê uma idéia para mudar o mundo.

Librarythings.com
Releia o amor e a poesia de Marcel Proust no Librarythings.com, que, 12 meses depois de lançado, tem 15 milhões de livros catalogados.

Segunda sem carne
Pelas pessoas, pelos animais e pelo planeta, é bom você conhecer a iniciativa de conscientização online  Segunda Sem Carne.

Instructables
Um empurrão para você empreender.

The Econonomist
Leia o que a poderosa The Economist pensa sobre redes sociais e as conexões digitais.

Humanidade 4.0
Navegar é preciso! No meu blog tem muita coisa para você clicar, viajar e se conectar.

Boas clicadas!

* Cofundador da agência interativa Gaia Creative e Permission, coordenador dos cursos de Inovação Digital da ESPM e editor do blog Humanidade 4.0.

Conexões bancárias via satélite no coração do Rio Solimões

Com comunicação online e operação via satélite, uma agência fluvial montada pela Rede Ponto Certo para Bradesco trafega Rio Solimões adentro e permite que comunidades ribeirinhas de Manaus  tenham acesso a serviços bancários.

O editor-assistente do IDG Now!, Robinson dos Santos, foi até lá conferir o projeto e conta a história aqui no Nave Digital. Veja abaixo a reportagem.

Por Robinson dos Santos *

Tabatinga (AM) – Tal como faz seu pai, e fazia seu avô 20 anos atrás, André Luiz de Araújo,  de 28 anos, conduz com tranquilidade seu grande barco Voyager III pelo sonolento rio Solimões até Atalaia do Norte. Como piratas de verdade, vamos abordá-lo no dia 9/2 em pleno rio, já perto de Tabatinga, uma cidade distante 1.000 km de Manaus (ou 1.600 km pelo rio) e um canto do mundo em que o Brasil encontra – de um lado do rio – o Peru e, do outro lado da rua, a cidade de Letícia, na Colômbia.

rio_solEntre uma transação e outra, a paisagem

Ao partir de Manaus recheado com 60 toneladas de mercadorias, de alimentos perecíveis a bicicletas, de geladeiras a DVD players, além de passageiros que pagam 300 reais pela viagem, ele e sua tripulação sabem que vão passar os próximos oito dias e noites no rio, abastecendo comerciantes e moradores das comunidades ribeirinhas com as últimas novidades da Zona Franca. Mas André viaja com algo que seus antecessores nem sonhavam: uma agência bancária móvel, que permanece online graças a uma conexão permanente via satélite.

Inaugurada no começo de dezembro, a novidade foi implementada pela Rede Ponto Certo para o banco Bradesco. Dentro do barco, cuja pequena loja de conveniência a bordo também funciona como correspondente bancário, a gerente Luzia Morais ajuda seus eventuais clientes a operar a tela touch screen do totem do terminal de autosserviço do Bradesco, projetado e instalado pela Rede Ponto Certo – que, além de consultas e concessão de empréstimos, também permite a abertura de contas. Os funcionários do barco foram os primeiros a abrir, e o povo das comunidades vêm aderindo à facilidade.

“Foi muito bom, temos bastante cliente”, diz Luzia, a respeito da chegada do atendimento no barco. Sua rotina é bem diferente da que se costuma esperar de um bancário de terra firme. Luzia mora em Tabatinga mas, para começar o trabalho, viaja até Fonte Boa. De lá, passa pelas comunidades ribeirinhas, como Belém do Solimões, e também por Tabatinga, até chegar a Atalaia do Norte. Só este último trecho leva oito horas para ser percorrido pelo barco (nos rios amazônicos, a distância é medida em horas, não em quilômetros).

Cruzeiro popular

O atendimento começa às 8 horas da manhã, mas “se for cinco da manhã e chegar no porto, estou aqui para atender”, conta. Como única funcionária do Bradesco no barco, ela faz de tudo, da abertura de contas à ajuda na operação do totem. “Em crédito, geralmente faço o online, que está pré-aprovado. Os outros eu preencho a proposta e mando para a agência, pois não tenho como aprovar aqui”, explica. E sua agência não tem a assepsia a que estamos acostumados nos bancos das cidades. Da janela da sua saleta, ela vê, além do totem eletrônico vermelho, dezenas de redes coloridas que, penduradas no teto da embarcação, servem de camarotes improvisados nesse cruzeiro popular.

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Agência bancária móvel opera por satélite

Mas uma coisa a agência fluvial do Voyager III pode dizer que tem, tal como as da capital: a comunicação online. Se você tiver um cartão de débito do Bradesco, poderá consultar seu saldo, como se estivesse na Avenida Paulista – e provavelmente utilizando de um ambiente bem mais seguro. O diretor de relações institucionais da Rede Ponto Certo, André Martins, acredita que a agência fluvial é a única do mundo a operar em trânsito – uma opinião, diz ele, ouvida de um diretor do Banco Central. “De fato, não encontramos nada parecido”, argumenta.

Esse posto móvel – que, no jargão do Bradesco, recebe a sigla PAA (posto de atendimento avançado) – é o primeiro do tipo. Mas não é o único a operar com satélite. O banco, por meio da Rede Ponto Certo, também instalou sistemas baseados em satélite em Belém do Solimões, uma comunidade remota organizada com ruas, lotes, escola, igreja e um campo de futebol, habitada por cerca de 5 mil índios da etnia ticuna e distante três horas (de “voadeira”, um barco rápido) de Tabatinga, sentido Manaus.

Correspondentes indígenas

Dois desses índios, Lucila Paganta e Juvenal Macun, que são donos de mercearias, aceitaram atuar como correspondentes bancários do Bradesco. Em dezembro, eles receberam os terminais de ponto de venda, modems e antenas de satélite com o logotipo Ponto Certo, eles oferecem diversos serviços bancários, como saques, depósitos, consultas, pagamentos e até abertura de contas – um teclado de PC ligado ao terminal permite o preenchimento do cadastro completo.

Lucila Paganta ampliou seus negócios e já constrói uma loja maior, com ajuda de um empréstimo. Ela comemora a vinda de mais clientes ao seu estabelecimento, e diz que hoje até moradores de outras comunidades a procuram, para comprar ou sacar dinheiro usando seu cartão de débito.

banco_fluvial_clienteServiço permite fazer saques

“É muito sofrido ir ate Tabatinga e receber dinheiro”, conta Lucila, que toca o pequeno empório com suas irmãs (são sete, mais quatro irmãos). “De canoa, são oito horas de viagem. Tem roubo, tem assalto, fica dificil. Aqui não, é muito mais fácil”, afirma. Desde que começou a operar como correspondente, ela já abriu 11 contas e fez 180 transações. A tarefa de operar a maquininha ficou com as irmãs, pois Lucila não estava quando o técnico veio para fornecer as instruções.

A notícia de que Lucila tinha virado “banqueira” se espalhou, e os reflexos nos negócios foram imediatos. “Graças a Deus [o movimento] aumentou. Tem pessoas que estão querendo dinheiro [para saque], mas depende da minha venda. Todas as comunidades dos igarapés estão vindo. Eles nem vão mais a Tabatinga, vêm direto para cá. Não consigo nem almoçar mais”, conta, rindo.

Mais reservado, Juvenal não é tão falante quando Lucila. Mesmo assim, o pequeno comerciante aceitou ser correspondente e já fez 100 transações. Quando o visitamos, porém, sua máquina estava travada, com uma mensagem em inglês no visor. “Alguém fez alguma coisa com a máquina. Não deixe seus filhos mexerem”, aconselhou o diretor André Martins, da Rede Ponto Certo. Para voltar a operar, será preciso a visita de um técnico.

Não que a vida tenha ficado muito mais fácil em Belém do Solimões. A mesma casa de madeira que tem uma antena de satélite e um reluzente aparelho de som Sony está há oito meses sem abastecimento de água, culpa de um defeito na bomba que ninguém ainda consertou. Como paliativo, a comunidade tem que coletar água da chuva para cozinhar.

banco_fluvial_atmPosto móvel funciona em trânsito

Não há sistema de esgoto, e o fornecimento de energia elétrica é intermitente. A principal marca da presença governamental na comunidade é uma escola estadual de ensino fundamental que, quando a visitamos, servia de dormitório a dezenas de índios que vieram participar das primeiras Olimpíadas do Ewaré, com provas como canoagem, zarabatana e arco e flecha.

Nativos digitais

E a geração dos nativos digitais também deixa sua marca na comunidade de Belém do Solimões. Enquanto  comerciantes como Lucila e Juvenal penam para operar as máquinas, paralisando diante de mensagens de erro, seus filhos e irmãos mais novos não têm medo de mexer nos terminais – consequência, talvez, do uso de computadores no ensino da única escola da comunidade, onde professores da rede pública do Amazonas lecionam acompanhados, na sala, por colegas indígenas.

A Rede Ponto Certo diz que já instalou 1.500 equipamentos para correspondentes bancários do Bradesco, em pequenas cidades e vilas dos estados do Piauí e de Minas Gerais. E já existem 300 terminais de autosserviço espalhados pelo Brasil, todos mantidos e monitorados pela empresa – 80 deles com conexão via satélite. A meta, diz André Martins, é fechar 2010 com 1.000 terminais, e o Bradesco já sinalizou o desejo de ter mais duas agências fluviais, uma no Amazonas e outra no Pará, na Ilha do Marajó.

barco_terminal_posComunidades ribeirinhas são atendidas

A chegada do banco via satélite a comunidades indígenas ribeirinhas certamente não vai resolver os problemas mais urgentes. Mas, ao dar a oportunidade para que seus moradores desenvolvam seus negócios, pode, a médio prazo, mudar a vida de mais pessoas. Inclusão bancária e inclusão digital mostram que não são parentes distantes, e que em alguns casos podem ser até irmãs. Há uma luz na beira do rio.

* O jornalista viajou a convite dos responsáveis pela agência fluvial.

Mercado digital movimenta 2 bilhões de reais no País, diz Pedro Cabral, do IAB

O mercado digital brasileiro movimentou mais de dois bilhões de reais em 2009. O cálculo é de Pedro Cabral, presidente do IAB Brasil, a entidade que representa as empresas de internet.

Para chegar a esse valor, Cabral levou em consideração a projeção de faturamento publicitário medido pelo Projeto Inter-Meios (um pouco menos de um bilhão de reais), o provável faturamento obtido pelo segmento de buscas, como links patrocinados, (300 milhões de reais) e os serviços de produção prestados pelas agências digitais (700 milhões de reais).

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Ao fazer a estimativa, Cabral quer demonstrar que o mercado digital tem uma musculatura maior do aquela que é conhecida – o faturamento publicitário medido pelo Projeto Inter-Meios. Segundo projeção de Cabral, com base nos números do Inter-Meios, apenas o faturamento publicitário da internet deve fechar 2009 com crescimento de 24%, alcançando um faturamento de 940 milhões de reais.

Além de presidente do IAB Brasil, Pedro Cabral é um dos sócios-fundadores da AgênciaClick, que pertence à rede internacional Isobar.

Os dados consolidados do mercado de internet de 2009 ainda não estão prontos, mas, até novembro, o crescimento publicitário do setor foi de quase 24%. Qual sua avaliação sobre esses dados preliminares?

Em 2009 o mercado sentiu o reflexo da crise financeira internacional iniciada no último trimestre de 2008. O final de 2009, no entanto, se encerrou com uma luz de recuperação.

Se observarmos o mercado publicitário como um todo, de janeiro a novembro de 2009, o crescimento foi de 2%. Descontada a inflação, o resultado é negativo. Em dezembro houve uma melhora, mas o crescimento vai ser pequeno.

Já o setor de internet registrou, de janeiro a novembro de 2009, uma expansão de 24%, ante 2% do mercado publicitário geral. Vê-se que o crescimento da internet é bem maior. É o único meio que teve uma expansão acentuada. Foi menor que os 30% projetados inicialmente pelo IAB, mas essa projeção havia sido feita no começo da crise, quando não se sabia o impacto do problema. Mesmo assim a internet cresceu a taxas aceleradas.

Existe algum tipo de produto ou serviço que se destaque como forma de receita no setor?

Vemos ano a ano o aumento da receita de search media (mídia de busca, como link patrocinado). Temos uma estimativa de quanto movimenta esse segmento específico, que envolve serviços de empresas como Google, Buscapé, Mercado Livre.   Ele fatura cerca de um terço do que movimenta a publicidade (veiculação), capturada pelo Inter-Meios.

Somando-se esse setor com o quase um bilhão de reais projetado para a internet em 2009 pelo Projeto Inter-Meios, temos aí  um faturamento de 1,3 bilhão de reais. Parte desse valor referente à busca já está computado pelo Inter-Meios, pois se refere à parte que os portais recebem do Google por um sistema de receita compartilhada. Mas é pouco. Cerca de 90% vão direto para o Google (e não aparecem nos dados do Inter-Meios, que mede somente a verba de veiculação de mídia).

Mas além dessas receitas há uma outra muito importante. Estou me referindo à verba de produção, o mercado de serviços realizados pelas agências. Adicionando mais esse segmento na estimativa do setor de busca e do faturamento publicitário, pode-se dizer que o mercado digital brasileiro em 2009 movimentou mais de 2 bilhões de reais.

Sua estimativa então é de que o mercado de serviços, sozinho, represente cerca de 700 milhões de reais?

Passa de 700 milhões de reais. E esses 2  bilhões não computam o que é investido em  internet nas empresas (em infraestrutura, projetos etc). Refere-se apenas ao mercado de serviços prestados pelas agências e a verba de mídia, incluindo busca.

Um das queixas antigas das empresas de web é de que, em virtude da penetração que a internet já alcançou no Brasil, o setor deveria receber um investimento publicitário muito maior, o que elevaria sua participação no bolo publicitário para um nível superior aos 4,2% atuais.  O que impede um aumento significativo nas verbas na internet? O entrave principal seria o modelo de remuneração do mercado publicitário brasileiro, pelo qual a remuneração obtida com a veiculação em mídia de massa é muito maior que a da internet?

É uma questão de cultura e de “trade”. O segmento publicitário é comandado pela TV e mídia impressa (jornais e revistas). Juntos, esses meios são responsáveis por boa parte do faturamento publicitário no Brasil. Eles têm capacidade de concentração, existe o Conselho Executivo das Normas-Padrão (CENP) para regulamentar o assunto. É um modelo muito competente, mas conservador, que tem resistências a novos entrantes. Todo o “trade” se protege. Os meios digitais também precisam ser competentes nesse sentido; isso é cultura, leva tempo. Esse é um trabalho que deve ser levado pelo IAB.

O que a entidade tem feito nesse sentido?

Temos reunido informações para o mercado. Há cerca de 70 milhões de usuários de internet no Brasil, há uma crescente participação da classe C no meio. A internet está se popularizando. O MSN, por exemplo, tem 30 milhões de usuários, a home do UOL tem mais audiência que várias revistas ou jornais – refiro-me ao conteúdo de notícias. Uma diária no YouTube provavelmente é maior do que 90% da audiência de muitos programas de TV. São veículos de internet de massa.

Com a rede, é possível, portanto, programar uma mídia segmentada e também de massa. Isso sem falar na possibilidade da “mídia própria”, que são os sites das empresas. Os sites de bancos, por exemplo, recebem milhões de acessos diariamente.

Como as redes sociais se inserem nesse contexto?

Sim, há também a mídia referendada, que é a das redes sociais. Só para dar uma ideia, a AgênciaClick fez o vídeo Redes Sociais.br. Em uma semana, tivemos mais de 30 mil views no YouTube. Não fizemos anúncio disso, apenas divulgação nas redes sociais.

O grande desafio das agências digitais é como mensurar essa audiência e, assim, ter um argumento para gerar receita com as redes sociais, não?

Sim. Existem algumas ferramentas para mensurar as redes sociais e, a partir daí, criar modelos de avaliação. O importante a dizer é que esse trabalho para gerar movimentação nas redes sociais não é “mídia de graça” – é fruto de planejamento, são ações preparadas pelas agências.

Como os mosqueteiros digitais da Tecnisa mataram o “homem-seta”

São Paulo, 9h. Diretores e gerentes de grandes empresas dos mais variados setores estão reunidos na sede da Tecnisa, em São Paulo. Eles estão lá porque querem entender como a construtora consegue obter 35% de suas vendas pela internet, algo inusitado nesse ramo de atuação. Eles querem saber por onde começar um trabalho digital em suas respectivas companhias ou como dar um salto em projetos de web que comandam.

Reuniões como essas acontecem a cada três ou quatro meses, motivadas pelo fato de a Tecnisa ter se tornado uma das referências em projetos digitais no País.

Romeo Busarello, diretor de internet da Tecnisa, começa pela apresentação de sua equipe, e o faz de uma maneira muito peculiar. “Nós temos um ‘vagabundo’ que fica o dia inteiro bisbilhotando Orkut, Twitter, Facebook e blogs”, brinca. Ele se refere a Roberto Aloureiro, gerente de mídias sociais da companhia. A alcunha de vagabundo é uma maneira carinhosa de Busarello fazer troça com o modo como alguns veem aqueles que ficam navegando pelo Orkut e similares durante o expediente nas empresas.

Contratado há dois anos, Aloureiro, além de monitorar as redes, tem a função de estabelecer a ponte entre a construtora e os internautas, identificando problemas e reclamações para que a empresa possa corrigi-los e, assim, atender melhor aos clientes.

Das aulas para o escritório

Aloureiro conheceu Busarello quando cursava MBA na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). O professor viu no aluno, que trabalhava no departamento de criação de AgênciaClick na época, as características ideias para ser um gestor de mídias sociais.

Busarello também pinçou das aulas de MBA da ESPM os outros dois mosqueteiros digitais da Tecnisa, todos presentes ao encontro na empresa: Denílson Novelli, gerente de negócios digitais, e Paulo Schiavon, gerente de mídia online.

Busarello conta aos convidados que a área de internet, antes um setor da atrelado ao marketing da Tecnisa, acaba de ganhar o status de diretoria, que é comandada por ele. Conta também que o digital é visto pela construtora como um meio de construção de marca e relacionamento.

Construção de marca

No primeiro caso, a estratégia permite associar a empresa a conceitos como inovação, modernidade e vanguarda, além de possibilitar que ela chegue de modo rápido e econômico aos consumidores. No segundo, confere agilidade no atendimento.

O site funciona como uma espécie de pólo central de onde irradia todo esse espectro de comunicação. Por meio dele o usuário tem acesso a canais de atendimento durante os sete dias da semana, das 8h às 24h – pode ser por telefone, e-mail, chat e videoatendimento. Dos cerca de 200 corretores que trabalham para a companhia, 40 o fazem pela web, em tempo real.

“Nós cercamos o cliente por todos os lados: contato telefônico, e-mail, chat, videoatendimento, redes sociais. Por meio do site, o cliente tem acesso a todas essas formas de contato”, afirma Busarello. “Entre 25% e 35% de nossas vendas geradas pela internet acontecem entre 21h e 24h”.

Rumo à mobilidade

O movimento mais recente da Tecnisa tem sido na área móvel. Em 2009, a construtora lançou um aplicativo para iPhone que permite ao usuário saber onde há empreendimentos da companhia na região onde ele se encontra. Há alguns dias foi a vez de levar o conteúdo de seu blog para o leitor digital Kindle. “Isso não nos custou praticamente nada. O Kindle é importante porque é uma tendência e, quando estiver disseminado, nós já estamos lá”, afirma Busarello.

Em março será a vez de lançar um serviço de informações por SMS. Por meio dele, o usuário poderá, ao passar diante de um empreendimento da Tecnisa, receber pelo celular, na hora, dados sobre o imóvel, como preço e metragem.  “O consumidor é um alvo móvel”, diz Busarello.

Sobre a mobilidade, o executivo diz aos convidados que os corretores têm a disposição um catálogo com os empreendimentos da empresa no iPhone. Assim, podem mostrar aos clientes vídeos, imagens e outros detalhes sobre os imóveis a qualquer momento. “Estamos vendo a época da consagração do dedão. Tudo está a um toque da pessoa”, afirma.

O “homem-seta” e as redes sociais

Uma das questões levantadas pelos executivos presentes ao encontro na Tecnisa é sobre a participação ou não das empresas nas redes sociais. Na opinião de Busarello, o ponto de partida é ter o apoio da alta cúpula da organização para levar adiante qualquer projeto digital, especialmente aqueles que dizem respeito às redes sociais, diz Busarello. “Sem respaldo da presidência, é melhor não adentrar nas mídias sociais”, diz.

Outro alerta é que, se o chefe não for “digital”, vai ser difícil engajar as equipes. “Ele tem se digitalizar, usar de fato as redes sociais e entender o seu funcionamento”, diz.

“Se não se digitalizar, vai continuar a usar o ‘homem-seta’ como forma de propaganda”, afirma Busarello. Ele se refere a uma antiga forma de comunicação usada pelo setor imobiliário (promotores “vestidos” de placas que indicam onde ficam os empreendimentos).

O real papel das redes na estratégia digital também deve ser bem definido. “No caso da Tecnisa, as mídias sociais não são usadas para gerar vendas, mas sim relacionamento e construção de marca”, explica Roberto Aloureiro.

Busarello completa: “Com toda esse plano digital executado na empresa, estamos trabalhando primeiro a reputação, para daí gerar vendas.”

Os melhores filmes de tecnologia de todos os tempos – parte 2

A segunda parte do especial Melhores Filmes de Tecnologia de Todos os Tempos vem recheada de clássicos não só da ficção científica, mas da própria história do cinema. É o caso, por exemplo, de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick – para muitos críticos um dos melhores longas da história- , ou de Blade Runner, obra de Ridley Scott que se tornou um emblema cult na década de 1980.

Nesta seleção, veremos que a filosofia pode se revestir de ficção científica para tratar de temas caros, como o real e o virtual, guerra cibernética e os efeitos colaterais de uma sociedade que se quer tecnológica mas que ao mesmo tempo se degrada social e moralmente.

Jogos de Guerra (War Games, 1983) – “Isso é um jogo ou é real?”, pergunta o garoto David Lightman. “Qual a diferença?”, responde WOPR, o computador. No caso de Jogos de Guerra, faz toda a diferença.

A obra dirigida por John Badhmam tem como protagonista um hacker juvenil, interpretado por Matthew Broderick, que é capaz de entrar em sistemas os mais avançados para fazer estripulias, como alterar suas notas na escola. Certa vez ele consegue acessar o banco de dados de uma fabricante de videogames e descobre um jogo chamado Guerra Termonuclear Global.

A situação torna-se dramática quando David acidentalmente entra no computador do Departamento de Guerra dos EUA, e a simulação do jogo sobre guerra nuclear é entendida pelos militares americanos como uma ameaça real de ataque por parte dos russos (detalhe: o ator Barry Corbin, que interpreta o general Jack Beringer, é uma espécie de sósia do apresentador de TV José Luiz Datena).

Com os ecos da Guerra Fria como pano de fundo, Jogos de Guerra trata ao mesmo tempo dos absurdos da corrida bélica e dos limites da relação homem-máquina no começo da era dos computadores pessoais: quem controla o “jogo”, nós ou o cérebro eletrônico?

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War Games, 1983

2001 – Uma Odisséia no Espaço (Space Odissey, 1968) – Revolucionária, esta obra-prima dirigida e escrita Stanley Kubrick – o roteiro também é assinado pelo escritor de ficção científica Arthur Clarke – é uma das mais influentes na história do cinema.

Ao abordar a evolução do homem, partindo dos mais distantes ancestrais da espécie humana à era espacial, Uma Odisséia no Espaço marca uma mudança profunda nos filmes de ficção científica, seja pela linguagem adotada (apenas cerca de um terço do longa tem diálogos, por exemplo), seja pelo olhar metafísico que insere nas obras do gênero. Um filme filosófico-espacial, como define Amir Labaki, autor do livro 2001 – Uma Odisséia no Espaço, da coleção Folha Explica.

Um dos pontos altos da obra é o computador inteligente HAL, talvez o maior “personagem-máquina” da história do cinema.

Para alguns críticos da época, o nome do computador seria uma alusão à IBM – as iniciais da HAL são exatamente as que antecedem as letras do nome da companhia americana.  “2001 – Uma Odisséia no Espaço” exige que o espectador se entregue, pois tem um ritmo que para alguns pode ser considerado lento.

Mas quem se deixar levar e liberar a imaginação, apreciará um espetáculo cinematográfico inesquecível.

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2001 – Uma Odisséia no Espaço, 1968

Blade Runner (O Caçador de Andróides, 1982) – Com uma ambientação que remete aos filmes noir, numa Los Angeles opressiva e de ecossistema devastado, em 2019, Blade Runner nos mostra um cenário futurista em que alta tecnologia e decadência social caminham lado a lado.

Harrison Ford faz o detetive Richard Deckard, responsável por caçar replicantes assassinos, chamados de Nexus 6, criados por uma megacorporação.

Eles foram concebidos de modo que se pareçam com os humanos, embora mais fortes e mais ágeis e com um tempo de vida de apenas quatro anos.

Baseado numa novela de Phillip K. Dick (Do androids dream of eletric sheep?) e dirigido por Ridley Scott, Blade Runner projeta um futuro amedrontador, poluído e com grandes abismos sociais.  É nesse contexto que se dá reflexão sobre o que é a identidade numa era pós-humana, quando a vida parece não fazer mais sentido.

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Blade Runner, 1982

Matrix – (Matrix, 1999) – Os irmãos Andy e Larry Wachowski são os responsáveis por um filme que é um dos marcos iniciais da primeira década digital. O longa de estréia da trilogia foi lançado em 1999, período em que começaram a se desenhar melhor os contornos da sociedade em rede, cujos reflexos são sentidos com maior intensidade agora nos negócios, na comunicação e na cultura.

Em ritmo de videogame e de golpes de kung fu cibernético, Matrix aborda a fluidez entre o real e o virtual e relembra velhos mitos, como o do Messias – caracterizado como um hacker interpretado por Keanu Reeves – que tem a missão de salvar o mundo do embate entre humanos e máquinas superinteligentes.

A obra não marcou época somente por sua qualidade estética, mas também por promover a interação de uma série de produtos em diferentes plataformas, como videogame online, procura de pistas sobre o filme na web e histórias paralelas reveladas em curtas de animação baixados na rede.

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Matrix, 1999

Solaris (Solaris, 1972) – Dirigido pelo russo Andrei Tarkovsky, cineasta de estilo reflexivo e existencial, Solaris cruza ficção científica e filosofia. No filme, o psicólogo Kris Kelvin (Donatas Banionis) é incumbido de fazer um relatório sobre a Estação Espacial que está em órbita de Solaris, um planeta distante e pouco conhecido.

O projeto ficou estagnado depois que membros de uma expedição sofreram um acidente. O único sobrevivente, um piloto de helicóptero, afirma ter visto em Solaris árvores, arbustos e uma criança muito grande nadando num oceano. Por conta disso, a Comissão de Inquérito diz que o piloto teve alucinações, provocadas pela atmosfera de Solaris.

Antes de um filme sobre os avanços da tecnologia espacial, Solaris é uma obra que discute, entre outras questões, o que é real e o que é virtual: pode o virtual ser mais real que o próprio real?

É um belíssimo filme, mas exige entrega do espectador, porque, para Tarkovsky, o cinema também é sinônimo de ensaio filosófico.

Solaris foi refilmado por Steven Soderbergh em 2002, com George Cloney no papel de Kris Kelvin.

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Solaris, 1972

Os melhores filmes de tecnologia de todos os tempos – parte 1

A arte cinematográfica existe por uma traição bem organizada da realidade, já disse François Truffaut, um dos fundadores da nouvelle vague, movimento criado na França no finalzinho dos anos 1950 e que, seguindo a trilha aberta pelo neo-realismo italiano, revolucionou o cinema.

A frase de Truffaut – cineasta que, exceto por Fahrenheit 451, não tinha o universo tecnológico como matéria-prima – nos ajuda a entender o modo como o cinema retratou a tecnologia ao longo de sua história.

Fantasia de futuro

Melhor dizendo, o cinema deu conta de como o homem pode desenhar sua fantasia de futuro, suas expectativas e projeções diante das máquinas. Ao fazer isso, nos fez rir, pensar, ter medo, achar que podemos ser muito poderosos e – por que não? – também ridículos.

“Até onde podemos chegar e qual o preço a pagar por isso?”, parecem nos dizer os filmes dessa lavra.

Ou “será que as máquinas vão nos vencer?”, como nos faz pensar Limite de Segurança (Sidney Lumet), enquanto War Games (John Badham) diz “cuidado, vocês podem perder o controle desse jogo, e aí bum! – vai tudo pelos ares”.

Diversão

Falar de cinema e tecnologia é um assunto delicioso. Por isso, o Nave Digital convida você, imagético leitor, a se divertir um pouco com uma seleção dos melhores filmes de tecnologia de todos os tempos.

Como a maioria das listas, trata-se de uma brincadeira e, no nosso, despretensiosa.

Já ficaremos satisfeitos se você, depois de ler este e outros posts que virão sobre o tema, se sentir instigado a ver alguns dos filmes listados e resolver participar com suas observações ou sugestões cinematográficas.

A primeira lista foi feita por Robinson dos Santos, editor-assistente do IDG Now! Amanhã subirá uma feita por este tripulante da Nave.

Corta!

A seleção do Robinson vai de clássicos da década de 1950 ao período pré-Matrix.

Se você achou que faltam filmes à relação, relembramos que esta é a primeira parte de um especial do blog sobre a conexão entre cinema e tecnologia.

E, claro, estamos abertos a sugestões.

Quem sabe sua dica não vira parte de um post?

Veja abaixo a seleção feita pelo Robinson dos Santos, com comentários feitos pelo próprio.

Amor Eletrônico (Desk Set, 1957) - Esta comédia romântica típica dos anos 1950 talvez seja o primeiro filme de não-ficção a incluir no elenco um ator-máquina: um enorme computador capaz de responder a qualquer pergunta em linguagem natural (pense num Google com uma máquina de escrever como interface).

Katharine Hepburn e Spencer Tracy não estão em sua melhor forma, mas é curioso ver como se conduziu, na época, a discussão sobre a tensão provocada pela substituição do trabalho intelectual humano pelo da máquina. Note, nos créditos da abertura, o generoso agradecimento à IBM, numa época em que os computadores começavam a entrar no mundo corporativo.

deskset Amor Eletrônico, 1957

O Planeta Proibido (Forbidden Planet, 1956) – Indicado ao Oscar de efeitos especiais de 1957, esta história de uma expedição que vai a um planeta distante conferir por que a colônia humana que o habita deixou de manter contato com a Terra se destaca por apresentar Robby, um robô que praticamente definiu a categoria em termos de função e design (o robô de Perdidos no Espaço é praticamente seu clone).

Curiosidade: o sério comandante da expedição é o hoje comediante Leslie Nielsen, que depois estrelaria o atrapalhado tenente Frank Drebin da série Corra que a polícia vem aí.

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O Planeta Proibido, 1956

O Homem Terminal (Terminal Man, 1974) – Inspirado em livro de Michael Crichton, este filme conta a história de um cientista da computação que sofre de ataques que, por alguns minutos, o deixam extremamente violento.

A solução médica encontrada foi o implante de um chip de computador em seu cérebro, capaz de enviar estímulos neutralizantes sempre que um acesso de fúria estivesse pronto a ocorrer. Não é preciso dizer que a experiência não deu certo. Preste atenção às cenas de violência que, de tão sublimadas, remetem ao mestre do suspense Hitchcock.

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O Homem Terminal, 1974)

Onde Ninguém tem Alma (Westworld, 1973) – Imagine uma Disneylândia para adultos, em que robôs incrivelmente parecidos com humanos podem satisfazer a qualquer exigência.

Assim é o parque temático Westworld. No filme, que foi escrito e dirigido por Michael Crichton, dois amigos resolvem passar as férias fingindo-se de pistoleiros do velho Oeste, mas um defeito no computador central fará com que os ciborgues fiquem descontrolados – e um deles, em especial, não dará sossego.

Um bom pretexto para conhecer o ator Yul Brynner, que ficou famoso justamente por seus filmes de faroeste. Aperte a pausa nas cenas do laboratório: os fios ligados à cabeça dos andróides parecem cabos RCA colados com fita adesiva.

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Tron (Tron, 1982) - Uma das maiores viagens do cinema tech, este filme da Disney conta a história de um ex-programador que, ao tentar invadir um mainframe, é convertido em bits e enviado para dentro do sistema. Lá, terá de passar por diversas provas ao estilo gladiador se quiser sobreviver.

‘Tron’ definiu uma certa estética da informática dos anos 1980, com cenários escuros e figuras geométricas iluminadas por luzes néon (e que fazem os atores praticamente desaparecerem da tela). E, apesar da premissa inicial fantástica, ele respeita noções da computação real (o nome do sistema malvado, MCP, remete ao Master Control Program que controlava os mainframes Burroughs da época).

Detalhe: a corrida de motos virtuais, ponto alto do filme, virou até game para Atari.

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Tron, 1982

Johnny Mnemonic (Johnny Mnemonic, 1995) - Este filme de um traficante de dados que usa implantes no próprio cérebro para transportar a ‘mercadoria’ baseou-se num conto do escritor William Gibson, autor do cultuado Neuromancer.

Em 2021, Johnny tem a missão de  transportar dados sobre a cura de uma doença neuronal global, da China para os EUA, mas para cumprir seu trabalho terá de enfrentar a máfia Yakuza, que controla a fabricante de remédios para o tratamento da síndrome.

Este filme ajudou a formar a imagem de herói blasé de Keanu Reeves, que desde então tem marcado suas atuações (vide Matrix e O Dia em que a Terra Parou). Por conta de Johnny, Reeves foi indicado ao Razzie Award de 1996 de pior ator. Atenção para as cenas em que Johnny usa equipamentos de realidade virtual, moda na época.

johnnymnemonic Johnny Mnemonic, 1995

(imagens:reprodução web/divulgação)

Palestras, reflexões e bate-papos na Social Media Week São Paulo

Tomar contato com as tendências em mídia social, conhecer novas experiências na área digital ou simplesmente bater um bom papo com gente que gosta de estar conectada. É mais ou menos isso o que se pode encontrar na Social Media Week, evento sobre redes sociais que nasceu em Nova York em 2009 e que neste ano tem São Paulo como uma de suas sedes.

A Social Media Week 2010 é realizada simultaneamente Nova York, Berlim, Londres, São Francisco e Toronto, além de São Paulo. A ideia nasceu de modo bem informal nos EUA – no ano passado, apenas Nova York e Londres sediaram o evento – com objetivo de aproximar quem trabalha com redes sociais ou se interessa por discussões sobre o tema.

Nesta quinta-feira(4/2), entre 19h30 e 22h00, o encontro será na Escola Superior de Propaganda e Marketing, no bairro da Vila Mariana, na capital, e debaterá cultura digital e troca de conhecimentos pela rede. Na sexta-feira, será a vez de discussões sobre mídias sociais no Brasil, tendências e negócios.

O último dia está reservado para ativismo digital e as relações entre democracia, educação e cidadania na era digital. A entrada é franca, mas as inscrições estão esgotadas. Mais informações podem ser obtidas no site do evento.

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Valente, da DM9DDB, foi o anfitrião do evento

A edição paulistana começou na quarta-feira (3/2) com encontro na sede da agência DM9DDB. A função social das lan houses, reflexões sobre a sociedade em rede e ações inovadores na área digital foram alguns dos temas abordados na ocasião.

Marcelo Pimenta, do Grupo Conectt e do Sebrae, conversou sobre a importância das lan houses como pontos de empreendedorismo. Para ele, o empreendedorismo no Brasil ainda é amador, o que eleva a relevância das redes sociais como canal para troca de experiências e informações sobre o assunto.

Outro ponto importante, alertou, é o entendimento sobre o real papel das lan houses hoje. “Eles são centros de diversão ou de inclusão social? Devemos refletir sobre isso, porque faz tempo que elas não são apenas locais para jogar videogame”, afirma.

Sobre essa questão, o presidente da DM9DDB, Sérgio Valente, chamou a atenção para a possível necessidade de um trabalho de imagem relacionado às lan houses. “Será que não seria o caso de se trabalhar a imagem delas como pontos de inclusão social, para que a sociedade tenha noção desse novo papel?”, questionou.

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Para Youssef, do Studio SP, uma nova relação com a política pode se formar

As mudanças na relação entre a juventude e a política foram os motes da fala Ale Youssef, colunista da revista Trip, sócio da casa noturna Studio SP e ex-secretário da Juventude do município de São Paulo. “Os valores em destaque hoje, como transparência e simplicidade, foram influenciados pelo digital. Diante disso, podemos nos perguntar se não é possível criar uma ação social por meio das conexões estabelecidas pelas redes sociais”, disse.

Rodrigo Mesquita, jornalista e diretor da RedeCIM, optou por uma abordagem histórica para analisar a sociedade na era das redes sociais. Seu ponto de partida foi o filósofo Marshall McLuhan, um dos principais pensadores da área de comunicação. Relembrou, por exemplo, que o filósofo dizia que o ambiente que muda as pessoas, e não a tecnologia – e que ninguém mais é dono da informação.

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Giardelli afirma que redes sociais propiciam novos padrões de comportamentos

Gil Giardelli, sócio da agência Gaia Creative, repassou várias experiências de redes sociais mundo afora, como o site Flyer Talk.com, que permite a troca de informações sobre locais de viagens. Seu objetivo foi demonstrar que as redes possibilitam aproximações as mais diversas, o que gera reflexos diretos no modo como a sociedade se organiza, pensa e age.  “As redes sociais não são apenas para as pessoas se comunicarem. Elas podem gerar valor. Nesse ambiente, somos agentes de mudança”, afirmou.

*As fotos foram tiradas por este que vos escreve