Te mandei 1 DM
Uma das características do Twitter que mais me agradou, desde que comecei a usar o serviço, em 2007, é a sua capacidade de se moldar às nossas necessidades de comunicação rápida, clara e obejtiva.
Há, entre os estudiosos, aqueles que rotulem o serviço de “plataforma broadcast”. É o caso de Brian Solis, autor de Engage, para quem, as vezes, é mais eficaz manter uma presença simplesmente de escuta, leitura e partilha de informações relevantes e oportunas, sem ter de responder diretamente a cada tweet. Brian vê o Twitter como um catalisador.
Convenhamos que, de fato, muitos de nós usam o Twitter para isso mesmo: chamar a atenção para determinados temas, marcas ou pessoas, trocar e propagar informações relevantes. Ou, simplesmente, não perdê-las de vista.
“Uso o Twitter como bookmark, para guardar o que li de interessante e compartilhar com quem me segue”, disse o professor Silvio Meira, dia desses, em palestra em São Paulo.
Curiosamente, propício ou não ao diálogo, o fato é que o volume da conversa vem crescendo no serviço, na justa medida em que ele vem se tornando onipresente. Ou nós, nele. Mais um caso em que a ordem dos fatores não altera o resultado..
Perdi a conta, nas últimas semanas, da quantidade de pessoas que, na impossibilidade momentânea ou permanente de estabelecer o diálogo comigo, por voz ou e-mail , fez uso do Twitter para entrar em contato. O que talvez me tivesse passado despercebido, não fosse o código escolhido para estabelecer o diálogo: um tweet curto com a mensagem “Oi, te mandei um DM”. Ou variações: “Caiu um botão DM para você”; “Querida, DM”. Todos avisando o envio de uma mensagem particular.
Primeiro me preocupei. Pensei estar fazendo uso exagerado do serviço, a ponto de levar algumas pesssoas a preferirem se comunicar comigo através dele. Mas depois, prestando mais atenção, percebi um padrão nessa comunicação, muito próximo ao padrão do chat proporcionado pelos mensageiros instantâneos, como o Messenger.
Não se recebe um aviso de DM quando não se está usando o serviço. Ele surge na nossa time line sempre depois de um ou dois tweets publicados por nós e que funcionam como sinal de que estamos presentes e, aparentemente, disponíveis. A partir daí a conversa flui por mensagens particulares ou por outro meio de comunicação acordado com o interlocutor.
Foi assim na manhã da quinta-feira. Seguia para um compromisso de trabalho e matava o tempo no táxi, preso do trânsito de São Paulo, usando o Twitter através do celular, quando vi na minha time line o tweet da pessoa que estava indo encontrar: “Te mandei 1 DM”, dizia. E lá me avisava que estava atrasado, também por culpa do trânsito. A partir dali, passamos a trocar DMs sobre o status do trajeto até o ponto de encontro. Algo impensável de fazer, sem custo, usando a voz ou as mensagens curtas de texto também disponíveis através do celular. Usamos apenas nossos pacotes de dados, ilimitados.
Tudo isso me fez lembrar de Jeff Pulver e sua teoria da matriz pessoal de comunicação, que incorpora redes sociais, como o Facebook, e serviços online, como o Twitter, entre os novos canais de comunicação ao nosso dispor. Na opinião de Jess, todos nós temos a nossa matriz de comunicação pessoal, uma espécie de mapa que representa como usamos esses diferentes canais de comunicação.
Se você está lendo esse blog , é muito provável que já tenha publicado tweets, dado uma olhadinha no Facebook, lido e respondido alguns e-mails, feito chamadas de telefônicas e até tenha começado a experimentar com o Google Buzz para as comunicações de negócio. Mas a maioria de nós não os usa para os mesmos fins.
Já parou para pensar a respeito? Jeff propõe que a gente comece tentando agrupar nossos canais com relação às seguintes características, dispostas em dois eixos: inoportuno – tolerável; requer autorização – provoca interrupção.
Eric Schwartzman aceitou o desafio e construiu sua matriz assim:

Eu já incluiria um outro canal, entre os que uso diariamente, e representaria a matriz de forma circular, com alguns fronteiras não tão delineadas. Minha matriz de comunicação seria algo mais ou menos assim.

E você?
Note que, apesar do uso pessoal, muitos de nós mantém o mesmo padrão básico de uso para determinados canais como o e-mail. Normalmente trocamos e-mail com pessoas conhecidas ou que devem saber algo importante a nosso respeito, com quem desejamos estabelecer algum tipo de relação direta, formal ou informal. No Twitter, por sua vez, a maioria deseja compartilhar e envolver pessoas ou instituições com quem deseja manter algum contato profissional ou empresarial, sob temas relevantes.
Justamente por isso, Jeff acredita que o futuro do marketing repousa em sua habilidade de identificar, lembrar e se conectar com as pessoas através do canal de comunicação mais adequado. Qual? Uma combinação da matriz de comunicação padrão com a matriz de comunicação pessoal.
Faz sentido. E espero que a turma envolvida com o marketing político, este ano, pense nisso antes de lançar mão de telemarketing, SMS, e-mail marketing, etc.



