Trabalhos sociais na madrugada
Já era madrugada de sexta-feira (29/1). A falta de costume com o uso do ponteiro de metal me fez passar despercebido a hora exata de que Fernando de Oliveira (27) e Nathalia Sautchuk (24) vieram até mim, sem maiores aspirações, com a incumbência de entregarem-me um folheto.
Os dois alunos de engenharia da Poli-SP, de fala e simpatia acurada, procuravam dentro das circunstancias oferecidas pela Campus Party, divulgar um projeto acadêmico que, segundo eles trata-se de aliviar o transtorno rotineiro de deficientes visuais.
Convidei ambos para uma conversa na confortável, mas muito desorganizada (notebook, anotações e um punhado de apetrechos dos quais jornalistas gostam de mostrar) mesa situada na área reservada à imprensa.
Acanhada, Nathalia parecia murmurar palavras em um ambiente movido a celeuma, e a constantes anúncios realizados pelos megafones empunhados pelos campuseiros. Mas a superação da vergonha, da qual a estudante tentava disfarçar com pequenos sorrisos valeu muito a pena.
Veteranos em participações, os dois estudantes resolveram que a edição de 2010 deveria propiciar algo a mais em suas vidas profissionais. No papel entregue pelos jovens, havia a ilustração do Auire, (palavra de origem indígena que significa “Olá”), um aparelho constituído por três sensores com capacidade de captar as cores vermelha, verde e azul.
Sob esse aspecto, o usuário do aparelho, deficiente visual ou daltônico, o aproxima de uma nota de real. O pequeno mecanismo se encarrega de captar a cor e o valor do dinheiro. Em resposta a ação, o Auire avisa a seu usuário de qual quantia e coloração está analisando.
A idéia, desenvolvida em pleno curso por Nathalia, ganhou forma e importância aos olhos do mercado quando a menina recebeu um e-mail de uma desconhecida. A remetente passava por dificuldades, já que seu irmão havia tornado-se deficiente visual.
Motivada pelo contexto social que o projeto poderia trazer, Nathalia resolveu juntar-se a Fernando com o objetivo de levar o aparelho a novos ares, a competição internacional de empreendedorismo da ONG americana Unerasable institute.
Selecionados para a fase final, o casal de amigos concorre hoje com outros 34 participantes de diversas partes do mundo. O trunfo final será a coroação com uma bolsa de estudos no Colorado (EUA) que levará aos estudantes a possibilidade de transformar o protótipo social em uma ferramenta de auxilio.
A missão, no entanto não é fácil. Cada grupo deve arrecadar 6500 dólares como prova de vocação empreendedora. Os dois contam hoje, com a quantia de 480 dólares. A tarefa incipiente para os futuros engenheiros é angariar no menor espaço de tempo a doação de 650 pessoas, pois, segundo as regras do torneio cada contribuinte pode efetuar apenas 10 dólares na conta do instituto.
O panfletinho do começo dá assiduidade a história de Fernando e Nathalia, que ostentam com orgulho todo o caminho percorrido em busca da possibilidade social que dá fôlego ao identificador de cores e dinheiro.





