Reportagens
Redes sociais: de registro de amigos a sistema operacional online
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 08 de novembro de 2007 às 07h00
Atualizada em 09 de novembro de 2007 às 11h49
Tags: Internet, Sites, Sistemas de busca, RSS, Browsers
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A tecnologia dos Microformatos, por exemplo, que pretende criar uma persona online do usuário por meio da interconexão entre diferentes bancos de dados, pode ser encarada como uma versão primária do que o “social graph” propõe.
Parafraseando Drummond em sua “Quadrilha”, você era amigo de Teresa que conhecia Raimundo que trabalhou com Maria que passou semanas na Europa com Joaquim, tudo devidamente registrado na rede social que você usa atualmente. E, mais importante de tudo, caso o conceito de “social graph” vingue pelo OpenSocial, tudo será facilmente transportável para outros serviços.
“Uma comunidade online é como um bar - o usuário não vai pela cerveja nem pela comida.Vai pelas pessoas que estão ali”, explica Luli Radfahrer, professor de comunicação digital da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da USP, destacando ainda a inclusão de funcionalidades extras às amizades.
A própria experiência de Radfaher é exemplo da tendência: dono de uma conta no serviço de customização online Netvibes com 12 abas, o professor afirma que a transição para internet não o deixaria tão triste caso perdesse seu disco rígido.
É a partir apenas do serviço que Radfaher atualiza sua conta no microblogging Twitter ou gerencia modificações na rede Facebook. Isso coloca serviços como Netvibes, Newsgator e PageFlakes como pontos intermediários entre a navegação desvairada e o suposto sistema operacional online das futuras redes sociais.
A principal diferença entre um serviço de customização de conteúdo e o Facebook está na presença dos seus amigos e é aí que pesa em favor das redes sociais a escolha da comunidade - afinal, a rede é o bar popular, e não um restaurante longínquo com um bom prato.
É por este motivo que, na rabeira da fila deste cenário, ficam serviços vendidos como sistemas operacionais online, que, após um cadastro, abrem uma janela para que o usuário interaja da mesma maneira que faz com o software instalado no disco rígido. Além da falta de contatos pessoais, a customização de um sistema fechado é mínima.
“Não temos dúvida de que o OpenSocial pode ser um ótimo veículo para que usuários transitem seus dados pessoais por diferentes redes sociais sem que tenham que se preocupar com padrões”, afirma Zachary John, gerente de produto do Orkut para América Latina.
Até que a previsão de John se concretize nas sete redes sociais atreladas à iniciativa, o OpenSocial tem como primeiro desafio atingir uma massa crítica de aplicativos que faça com que usuários do serviço se sintam atraídos pela novidade.
Esta não parece ser a ameaça para uma plataforma que, além de nascer liderada pelo Google, reunirá mais de 210 milhões de usuários em sete diferentes serviços - uma deles, o MySpace, considerada a rede social mais popular dos Estados Unidos.
Por mais que tenha tido sucesso ao divulgar a API do Google Maps (algo que deu fôlego à moda de mahsups), o buscador esperou que o modelo proposto pelo Facebook, no segundo semestre de 2006, vingasse para apostar na sua comunidade.

