Reportagens
Conheça 12 empreendedores que estão fazendo a Web 2.0 brasileira
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 18 de outubro de 2007 às 07h00
Atualizada em 21 de outubro de 2007 às 12h48
Tags: Internet, Mercado, Estratégias, E-commerce, Sites, B2C
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Empreendedores: Ariel Alexandre e Edson Mackenzie (VideoLog)
A história você conhece: uma dupla de amigos faz filmes e, com dificuldades de colocá-los na internet para seus amigos, inventa um serviço de vídeo que ganha inesperada audiência.Ao mesmo tempo em que suporta a trajetória de Steve Chen e Chad Hurley, dois ex-funcionários do PayPal que fundaram o YouTube e se tornaram multibilionários da noite para o dia quando o Google pagou 1,65 bilhão pelo serviço, a história é a mesma de dois amigos brasileiros.
Troque o Valo do Silício pela Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ariel Alexandre e Edson Mackeenzy se conheceram em uma rádio comunitária no bairro de Pedra de Guaratiba - um fazia o turno da tarde, o outro da noite.
Em julho de 2004, a dupla gastou 130 mil dólares para colocar no ar a primeira versão do VideoLog como uma canal para Ariel mostrar ao público em geral matérias pautas, filmadas e editadas para um pequeno canal fluminense.
De canal para escoar conteúdo próprio, o VideoLog começou a tomar forma como uma plataforma na qual os usuários poderiam publicar vídeos que eram reproduzidos sem a instalação de qualquer software.
Cronologicamente, o YouTube, que tinha a mesma proposta, iniciou suas operações oito meses depois, em fevereiro de 2005, fato repetido à exaustão pela dupla que admite que, se morasse na Califórnia, poderia estar bilionária agora como seus colegas norte-americanos.
Não foi o caso. Até fecharem o atual contrato de parceria com o portal UOL, o VideoLog afirma ter sofrido na mão de outros provedores principalmente por ser um serviço que abusa da banda sem qualquer retorno financeiro a curto prazo.
Sem citar nomes, Ariel diz que o VideoLog foi expulso de três provedores por consumo de banda excessiva. Além de discussões com provedores, tamanha procura significava também aumento nos usuários navegando pelo serviço.
Em dezembro de 2006, quando a parceria foi fechada, o número de vídeos cadastrados no serviço era de 190 mil acessados por uma média de 500 mil usuários únicos. Em dez meses, o número de filmes mais que duplicou, atingindo 500 mil, enquanto os usuários únicos quadruplicaram para 2 milhões.
Com uma estrutura suficientemente robusta para agüentar o aumento de procura e séries de considerável sucesso na internet brasileira, como as exóticas danças de Gigi, o VideoLog faz mistério sobre possíveis avanços em médio prazo.
O plano mais ousado de Ariel e Mackeenzy é algo que o serviço do YouTube, que começa calmamente a melhorar seu filtro contra conteúdo pirata, está a milhas de conceber - monetizar sua comunidade.
Nos próximos meses, anunciantes poderão aproveitar séries de sucesso ou novos produtos de vídeo para integrar suas marcas.
Caso se interesse pela idéia de um usuário e resolva usá-la, o VideoLog repartirá a grana com o usuário, no primeiro exemplo prático no Brasil de remunerar devidamente o trabalho da comunidade.
Outra promessa são acordos para veicular o conteúdo criado por usuários em ambientes públicos, como supermercados ou estações de metrô, o que também renderia verba aos usuários e direcionaria ainda mais o VideoLog para o papel de plataforma em que anunciantes e milhares de veículos se encontram.
Há também o lado completamente oposto à situação multimilionária de Chen e Hurley - o VideoLog planeja instalar oficinas em regiões carentes brasileiras que ensinem jovens a manipular câmeras, editar filmes e publicar conteúdo multimídia online, na mesma linha de inclusão digital martelada pelo Ministro da Cultura, Gilberto Gil.
Anteriores ao YouTube, o VideoLog cumpre seu papel de introduzir novidades antes do serviço do Google. Só faltou, no meio do caminho, a montanha de dinheiro.

