Reportagens
Conheça 12 empreendedores que estão fazendo a Web 2.0 brasileira
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 18 de outubro de 2007 às 07h00
Atualizada em 21 de outubro de 2007 às 12h48
Tags: Internet, Mercado, Estratégias, E-commerce, Sites, B2C
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Empreendedor: André Garcia (Estante Virtual)
Durante 2004, uma crescente frustração com seu emprego em marketing tomava conta de André Garcia. Formado em administração, o carioca se sentia cada vez mais desmotivado por não perceber diferenças entre o produto do seu trabalho e de outras empresas. “Era apenas uma luta dos acionistas para pegar uma fatia do mercado e eu estava desmotivado ideologicamente. Queria verter pra carreira acadêmica”, relembra.
A solução na teoria viria com um mestrado em Psicologia Social, mas não demorou muito para que uma nova frustração se abatesse sobre Garcia.
Perdido entre dezenas de referências usadas para elaborar seu projeto de pesquisa, Garcia percebeu a dificuldade em encontrar livros usados, único caminho viável para quem pleiteava fazer o mestrado apenas com bolsa de estudos.
Ao relembrar dos sebos de cimentos e tijolo, Garcia ironiza todo o conforto de quem passa horas entre estantes empoeiradas. “Nunca fui cliente de sebo e nunca me adaptei à forma de buscas. Você fica sentado na melhor das hipóteses, torcendo a cabeça pra ver o nome do livro nas lombadas de pé”.
A decisão foi a internet. Ao contrário de livros novos, porém, achar obras usadas online se mostrava frustrante principalmente pelo acervo praticamente inexistente online - coisa, segundo ele, da elite dos sebos brasileiros.
“Queria mudar esta situação que só uma elite tinha estrutura para levar a loja pra internet, enquanto os outros ficavam renegados ao gueto”, defende, em um típico discurso acadêmico.
A idéia de integrar sebos brasileiros, independente do tamanho, em uma mesma plataforma online nascera ali: seria vantajoso tanto para leitores como para os comerciantes.
Na prática, o plano tinha seus percalços. Ao bolar o projeto do site, chegou à conclusão que o Estante Virtual consumiria alguns milhares de reais em programação. Com dinheiro acumulado de outros empregos e financiado pelo pai, a solução foi aprender a programar.
Em dois meses, aprendeu “entre seis e sete linguagens” e colocou a versão básica do Estante Virtual em outubro de 2005, atraindo 12 sebos em uma semana.
Além de ser o primeiro serviço a integrar com sucesso sebos pelo Brasil, o Estante Virtual tem na insistência de André outro mérito: além de programar, o carioca catalogou e pré-registrou todos os sebos que encontrou pelo Brasil.
Na divulgação, ao invés de procurar o serviço e começar o processo do início, donos de sebos precisavam apenas ativar seu cadastro no Estante Virtual, em um empurrão de Garcia para que o site vingasse.
Prestes a completar dois anos, o Estante Virtual conta com acervo de 1,5 milhão de livros disponíveis por 669 sebos espalhados em 19 Estados brasileiros. E é apoiado nesta massa de livros e sebos que o Estante Virtual sobrevive.
Da mesma maneira que o site de baladas e restaurantes ObaOba sobreviveu nos anos de recessão da bolha brasileira, o Estante cobra planos mensais que variam entre 29,90 reais e 132 reais para que sebos inscrevam além de 500 livros.
Fora as mensalidades, Garcia afirma que o serviço leva 5% de todas as transições registradas, que deve, atingir “quase três milhões de dólares” até o final de 2007.
Com cifras assim, é evidente que frustração é algo que Garcia, mesmo depois de ter passado e abandonado seu mestrado em Psicologia Social, não deve mais experimentar.

