Reportagens
Conheça 12 empreendedores que estão fazendo a Web 2.0 brasileira
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 18 de outubro de 2007 às 07h00
Atualizada em 21 de outubro de 2007 às 12h48
Tags: Internet, Mercado, Estratégias, E-commerce, Sites, B2C
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Empreendedor: Fábio Seixas (Camiseteria)
Não há exemplo melhor de serviço brasileiro que explore o preceito de interatividade entre usuários de uma mesma comunidade para criar produtos da Web 2.0 do que o Camiseteria.O serviço inaugurado pela parceria entre os cariocas Fábio Seixas e Rodrigo David, depois que este ganhou um concurso de design de camisetas nos Estados Unidos em agosto de 2005, tem uma simples premissa: a comunidade envia desenhos, a comunidade vota nos favoritos e a comunidade compra os produtos.
O modelo é baseado do serviço norte-americano Threadless, que ganhou popularidade em 2004 e inspirou tantos outras comunidades centradas em camisetas pelo mundo, admite Seixas, com preocupação de montar uma operação nacional adaptada ao mercado brasileiro.
A experiência de Seixas com internet e, principalmente, como produtos de perfil mais jovem não é recente. Criou um site de venda de posters em 1998 e, durante a bolha, apostava suas fichas em um serviço de indicação de bares e outro de navegação personalizada.
Mesmo com um investimento de meio milhão de reais de um milionário que queria diversificar seus investimentos, a recessão foi mais forte.
Para montar o Camiseteria, juntar dinheiro não foi tão fácil - mas, bolando um serviço que se apóia na comunidade, por que não apelar para ela no bem no começo também? Além de recursos próprios, Seixas e David venderam 150 kits a amigos custando 150 reais com a certeza do retorno em camisetas. Com a grana, começou o Camiseteria.
Após se cadastrar, o usuário publica uma ilustração que acha que dará uma bela camiseta. A comunidade de 60 mil usuários entra em cena e faz seu papel - diz se o designer tinha razão ou não.
As estampas mais votadas são fabricadas em lote e vendidas para a própria comunidade - Seixas estima que 8 mil do total comprem uma média de 1.800 camisetas a cada mês.
Nestes mais de dois anos, a Camiseteria já produziu 121 edições limitadas de camisetas, muitas com tanta procura que esgotaram e motivaram reedições, algo cada vez mais noticiado nas mensagens enviadas pelo serviço para sua comunidade.
Enquanto os designers contemplados ganham prêmios em dinheiro e produtos (mil reais no total, explica Seixas, sendo 600 reais em grana e 400 reais em camisetas), a Camiseteria cobra cerca de 55 reais por camiseta, abaixo das peças de grifes como Diesel e acima das camisetas de banda vendidas na Galeria do Rock.
"Por uma questão de estratégia, a Camiseteria entende que as camisetas são obras de arte e não faz sentido vender uma obra de arte por 15 reais, entendeu?" explica Seixas.
No mais, soma-se a conta a alta qualidade da camiseta ("da melhor malha do Brasil", garante) e o "grande valor agregado" de ter um produto bastante exclusivo.
Além de diversificar produtos, como roupas íntimas e posters, como já fez um dia, Seixas volta suas atenções à própria comunidade quando fala no ousado plano de abrir lojas de cimento e tijolo da Camiseteria nos próximos anos.
"Queremos que seja um lugar que as pessoas vão confraternizar, discutir idéias e encontrar amigos da mesma forma que fazem hoje no site da Camiseteria". Como se poderia esperar, o traje será bastante informal.

