Reportagens
Conheça 12 empreendedores que estão fazendo a Web 2.0 brasileira
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 18 de outubro de 2007 às 07h00
Atualizada em 21 de outubro de 2007 às 12h48
Tags: Internet, Mercado, Estratégias, E-commerce, Sites, B2C
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Empreendedor: Marco Gomes (boo-box)
No meio da entrevista, Marco Gomes se queixa de que sempre foi o mais novo dos grupos profissionais de onde trabalhou. Ironicamente, a afirmação é a mesma que Steve Jobs e Bill Gates fizeram um ao outro no recente encontro entre ambos promovido pelo jornal The Wall Street Journal.Isto equipara o brasiliense de 21 anos aos fundadores de Apple e Microsoft? Longe disto. Mas dá uma boa idéia do perfil do jovem executivo que bolou o que parece ser um dos mais promissores serviço da Web 2.0 brasileira no mercado internacional.
Tudo na história do boo-box parece ter sido por acaso ou aos solavancos, a começar pela idéia original - em uma noite gasta na internet em novembro, Gomes encontrou uma foto da modelo Gisele Bündchen vestindo um All-Star.
Surgiu daí a idéia de usar a foto para ilustrar uma campanha publicitária na Agência Click, onde trabalhava, para vender produtos confortáveis - no meio do glamour do salto alto, a modelo brasileira escolheu um All-Star para caminhar com conforto, argumenta.
Rafael Vasconcellos, sua então companhia na conversa durante a madrugada, procurou Gomes um mês depois com uma idéia melhor: por quê não criar um sistema onde o usuário pudesse comprar o All-Star que a modelo calçava só clicando sobre sua foto?
Era dezembro. Algumas noites viradas programando depois, o boo-box estreava seu site com demonstrações, mas ainda sem ferramentas para uso público, no começo de janeiro de 2007.
Foi neste estágio primário que o boo-box estampou o TechCrunch, blog capitaneado por Michael Arrington sobre startups consultado por investidores e apontado como caminho do sucesso para novos serviços, duas semanas depois.
Em visita à casa dos pais em Gama, Gomes recebeu um SMS avisando do registro do TechCrunch e correu para a conexão discada. “Foram os dois minutos mais longos da minha vida”, lembra.
Uma semana depois, o boo-box ganhava o primeiro beta para a comunidade usar, apoiado, em palavras de Gomes, “pela brodagem dos amigos” que ajudavam na programação e desenhavam o logo enquanto ele prometia o pagamento em iPhones.
“Foi aí que vimos que dava para lançar”, afirma. Para um investimento de capital de risco foi um pulo - com a publicação no TechCrunch, foram três as propostas, fora uma oferta de venda avaliada em 10 mil dólares que Gomes relembra com um riso irônico.
O aporte escolhido, avaliado em 300 mil reais, veio da consultoria Monashees, a mesma que estudou o mercado brasileiro para elaborar o Ikwa, e fez com que Gomes largasse o emprego na Agência Click e a faculdade de Computação na Universidade de Brasília e se mudasse para São Paulo em maio.
Simultaneamente à fundação do escritório na capital paulista, o boo-box lançou sua nova versão para instalação, atraindo, segundo ele, 5 mil caixinhas abertas em setembro, com taxa de visualização de produtos de 30%.
Sem qualquer falsa modéstia, Gomes assume que o boo-box é “o único (serviço de Web 2.0 brasileiro) com projeção lá fora e que as pessoas se lembram”. A baixa idade, porém, se torna um problema quando ele se apresenta como fundador do serviço.
Com um visual que já contou com dread locks e um gosto peculiar para adereços, o brasiliense relata ter sempre enfrentado desconfianças por ser mais novo, a ponto de “presidentes se negarem a discutir projetos online com um moleque de 14 anos”.
Gomes, porém, se desvencilha de uma provável mágoa e admite que, entre algumas besteiras feitas pela evidente imaturidade, ninguém chega a onde está sozinho. “Enxergo longe hoje por que estou nos ombros de gigantes”.

