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Brasil tem padrão para cinema digital diferente de grandes estúdios dos EUA

Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 13 de setembro de 2007 às 07h00
Atualizada em 18 de setembro de 2007 às 21h05

Tags: Periféricos, Monitores, Projetores, Eletrônicos de Consumo

São Paulo - Salas brasileiras têm resolução de 1,3 K, enquanto sistema desenvolvido por estúdios dos EUA atinge até 5 K.

cinema_digital_270Em 2002, um grupo formado por grandes estúdios de cinema, como Buena Vista, 20th Century Fox, Sony Pictures e Universal, criou o grupo Digital Cinema Innitiatives (DCI) para formular um padrão de cinema digital, enquanto o Brasil já fazia experimentos com padrões próprios.

O padrão elaborado pelo grupo, chamado também de DCI, prima pela robustez - enquanto os filmes digitais brasileiros são exibidos com resolução de 1,3 K (medida usada para contar o número de pixels em uma imagem), o novo sistema atinge até 5 K.

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As especificações do padrão, baseadas na compressão com algoritmo JPEG 2000, permitem até que salas convencionais, com pequenos ajustes, exibam filmes convencionais em 3D, algo que duas das três salas DCI do Brasil já fazem.

As salas Cinemark Eldorado, em São Paulo, e UCI Kinoplex, no Rio de Janeiro, exibem o filme “Família do futuro” em três dimensões graças ao sistema DCI.

Na prática, a resolução quase quatro vezes maior significa mais linhas de pixels reproduzindo a imagem, o que dá mais detalhes da imagem estampada na tela, ao mesmo tempo em que exige um sistema próprio extremamente poderoso.

Tanto poder tem um preço altíssimo: enquanto uma sala digital, como uma das 124 espalhadas pelo Brasil hoje, sai por cerca de 80 mil dólares, uma preparada para DCI, como já são 4,5 mil nos Estados Unidos, não sai por menos de 600 mil reais.

“Há uma decisão atual: os cinemas que dependam dos grandes estúdios internacionais precisarão operar com sistemas que suportam DCI”, explica Luiz Gonzaga De Luca, diretor de relações institucionais da rede Severiano Ribeiro

Isto significa que, quando os estúdios começarem a distribuir cópias de seus sucessos arrasa-quarteirão no padrão DCI, as salas brasileiras não conseguirão exibir as cópias por simples incompatibilidade, define."Não há popularização. Pelo contrário, você fecha ainda mais", ataca De Luca.

Por outro lado, a suposta falta de compatibilidade aparece como um ótimo incentivo para cineastas nacionais, que terão dezenas de sessões ociosas que poderão absorver a produção brasileira, muitas vezes ignorada em detrimento de obras estrangeiras.

“Sem dúvida, aumentarão as chances para obras específicas voltadas para populações de baixo porte financeiro, como filmes regionais”, analisa.

Segundo o executivo, o espaço virá em razão da plataforma atualmente usada em cinemas digitais não atender ao gosto do grande público com seus filmes considerados muito cabeça.

Caso não haja pesados investimentos em novas salas ou a invenção de uma tecnologia que integre ambos os sistemas, o Brasil corre o risco de se ver obrigado a consumir apenas os próprios filmes - o que, dada a qualidade de filmes com explosões e heróis, não parece um destino de todo ruim.

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