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Ciberativismo: clique aqui para salvar o mundo

Por Daniela Braun editora do IDG Now! e Cauã Taborda especial para o IDG Now!*
Publicada em 05 de setembro de 2007 às 07h00
Atualizada em 18 de setembro de 2007 às 21h04

Tags: Internet, Sites

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Em 1996, quando decidiu experimentar a internet para criar o projeto Rede das Águas, voltado à conservação de recursos hídricos no País, Ribeiro lembra das dificuldades financeiras para participar de reuniões no Comitê de Bacias Hidrográficas, em Brasília (DF), representando a sociedade civil, para discutir a transposição do Rio São Francisco. "Como podíamos acompanhar as políticas públicas se não tínhamos lobista e sem contar com uma bancada ambientalista? Então decidimos trabalhar em rede", conta Ribeiro.

Uma das ações virtuais de sucesso, segundo a jornalista, foi garantir acesso de ONGs e universidades à alocação de recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos de São Paulo, o Fehidro, por meio de campanha online, que colaborou com a alteração da lei do Fehidro, em 2000. "Fizemos uma coisa bem caseira. Montamos uma sala de chat, convidamos deputados para as discussões online, enviamos e-mails etc."

Graças à internet, segundo Ribeiro, foi possível aproximar 7.500 cidadãos do controle de qualidade de 315 pontos hídricos de São Paulo, pelo projeto da Rede das Águas. Pelo site, o interessado faz um cadastro na rede de controle, aprende a coletar e analisar a água em sua comunidade. Com os resultados práticos, a rede de ciberativistas tem poder de pressionar autoridades pela despoluição de rios e córregos.

Não basta clicar

Abraçar uma causa com um clique já é um bom começo, mas o ciberativismo não deve se resumir à internet, afirmam Martha McCaughey e Mike D. Ayers, autores do livro "Cyberactivism: Online Activism in Theory and Practice" (Editora Routledge, 2003).

Na visão de McCaughey, professora de Estudos Interdisciplinares da Universidade Estadual Appalachian, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, geralmente, as pessoas se engajam tanto no ativismo online como no "tradicional". Para ela, as vantagens do ativismo online são a velocidade e o alcance proporcionados pelas comunicações via internet.

"Ativistas podem se comunicar sobre o que está acontecendo usando novas tecnologias de comunicação - incluindo o celular, bem como a internet - durante um protesto, por exemplo. Eles também podem organizar um boicote muito rapidamente em relação a algo que acabou de acontecer, graças à velocidade com que conseguem envolver pessoas simpáticas a suas causas", avalia.

"A internet é ótima no sentido de prover uma fonte de fortalecimento e embasamento para as pessoas e - se você tiver acesso a ela - fornecer uma série de informações e ferramentas, para enviar mensagens pelo mundo afora", afirma o escritor Mike D. Ayers citando, como exemplo, um dos primeiros movimentos ciberativistas praticado pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional, desde 1994, em defesa dos índios da comunidade de Chiapas, no México.

No entanto, segundo a professora, mesmo sem a internet, os ativistas sempre usaram meios para se comunicar, que não apenas o contato pessoal. "Os ativistas sempre usaram jornais, campanhas por cartas, boicotes e outros meios para comunicar suas conquistas, organizar apoios e [promover] mudanças efetivas".

"Acredito que qualquer pessoa sempre pode ser um ativista se quiser fazer algo a respeito de um problema social. Não acho que a internet torna [a tarefa de] "ser um ativista" mais fácil do que era antes. Apesar de tudo, ser um ativista leva tempo, comprometimento e um senso de propósito sobre um objetivo político. Ativismo não é somente clicar em seu mouse ou encaminhar uma petição online."

Ayers compartilha a visão de McCaughey deixando um conselho aos ciberativistas: "Não se engane. A internet mudou o cenário do ativismo e assim como a tecnologia se torna cada vez mais barata, a habilidade de pessoas "comuns" fazerem diferença, ou mudar a percepção geral da população aumentou".
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